Férias e solstício

A 4. Deliciosas mesmo. Onde tudo faz sentido, onde tudo bate certo. Somos assim perfeitos a 4, sem grandes discussões ou birras, os miúdos comem bem, nós dormimos de noite e fazemos sestas, passeamos, estamos sempre juntos. Connosco funciona. Há famílias que não resultam nas férias, não resultam juntas. Mas que se entendem bem noutros modelos. Para nós é este que funciona. Quando o Z. está a trabalhar eu fico sozinha com eles. Esteja ou não a trabalhar. Também resulta. Mas estamos bastante mais exaustos (eu), tensos (o Z.), e difíceis (os miúdos).

Agora vem o verão e eu vou ficar com os dois. Sabe bem. Sim, é duro, intenso, ou o que lhe quiserem chamar, estar com dois filhos pequenos em tarefas diárias, desde os banhos às refeições aos passeios, não é fácil. Mas é maravilhoso. Desde que o V. nasceu que me sinto assim, profundamente plena… não que o nascimento da minha filha não tivesse sido suficiente para mim, simplesmente este segundo bebé veio completar alguma coisa. Então sinto-me absolutamente grata por tudo, ao universo. Não me falta nada, neste momento tudo o que vier é extra. Claro que pode ser um bom extra, mas a base já cá está.

E não tem ‘mas’. Neste conto de fadas que estou a viver, estou feliz e cansada, e apaixonada e, por vezes, zangada. Sinto-me plena. E hoje quando acordei a madrinha dos meus filhos disse ‘bom dia! Hoje é o dia mais longo do ano! Wiiii!!’ Por acaso naquele momento tinha sido salva pela minha madrinha que hoje ficou com os miúdos enquanto eu fui sair por 1 hora. Suspirei por estar liberta 😊😍 bolas, que bem que sabe… e depois suspirei perante a alegria da minha querida comadre e comentei, ‘claramente ainda não és mãe, só a descrição do dia mais longo do ano me arrepia…’ bom, a verdade é que ela é quase mãe, já que está grávida, eu também me considerei mãe desde a gravidez, e o comentário até a perturbou, o que eu percebo, sobretudo porque já estive daquele lado. E por isso é que me expliquei.

Quando eu ainda não tinha bebés ao meu lado, colo, casa, carro, vida, olhava com facilidade para os outros bebés e pensava coisas como ‘birras?? Os meus filhos, vão ter amor, não vão precisar de birras!’, ‘se se queixas tanto porque é que tiveram filhos???’, ‘estão cansados porque são preguiçosos, crianças não dão assim tanto trabalho…’, ‘mal casam desatam a ter filhos, parece que não sabem estar sozinhos!’ Bom, desde que tenho filhos penso menos sobre situações que desconheço e no geral penso menos sobre o que quer que seja, que não casa, miúdos, marido e trabalho. Mas posso já adiantar que o universo me presenteou com todas as situações que desdenhei, comecei a namorar com o meu marido e ao fim de nove meses casámos, 9 meses depois veio a nossa primeira filha, ela faz birras e eu queixo-me, porque eles dão trabalho.

E a minha história não tem ‘mas’. Sim, eu adoro dias longos, adoro os meus filhos, adoro a minha família que me cansa profundamente e me dá trabalho até ao tutano. Não mudava NADA. Adoro dias longos, e adoro aqueles dias em que às 21h tenho 2 a dormir e eu vou fazer o que me apetecer, desde bezerrar em frente à TV, até ler um livro, fazer miminhos ou coisinhas interditas a menores de 18. Por isso, um dia ‘mais longo do ano’ feliz para todos que eu estou a cansar estes dois a ver  se tenho, mesmo assim, uma noite longa, de preferência, a dormir.

O tempo

Dizem que passa rápido. Que aproveite porque depois vou ter saudades. Quando a MR fez 1 ano toda a gente me dizia ‘passou tão rápido ‘. E eu olhava incrédula para as pessoas a pensar ‘passou?! Para quem?’ O primeiro ano da minha filha não passou num ápice. E o segundo também não. Mesmo o terceiro ainda foi devagarinho. Toda gente reforçava, ‘vais ter saudades.’ Vou? De quê exatamente? Da falta de horas de sono, da exigência da comida TODA preparada em casa, ou da roupa acumulada, ou de estar k.o. às 22h, saudades de quê? De eles serem pequeninos, e dependentes de nós, e nos olharem nos olhos e nos quererem, e daquele cheirinho e daquela babinha que sabe a caramelo. Bom… talvez consiga sentir nostalgia. Mas não saudades. Pelo contrário, quando a minha filha fez um ano senti alívio. Lembro-me de pensar, ‘sobreviveu’. Como se essa fosse apenas uma possibilidade. E aos dois anos também. Já tinha todas as vacinas, já estava mais resistente, falava mais, já não usava fraldas, comia quase de tudo, já nos entendíamos muito bem.

Quando V nasceu, depois do primeiro mês stressante, com a adaptação de todos, a mais velha doente, chegou aos dois meses e tive novamente essa sensação de alívio. De repente vieram os três, os quatro, e não acredito!, os cinco meses!!! Finalmente estava a passar depressa. Não dá pena, nem dá alívio, é o que é. Passo os dias a acordá-los, vesti-los, levá-los a algum lado, desde escola a pediatra, a parque infantil, fazer refeições, tratar da casa, loiça e roupa, dar banhos, jantares, pôr na cama e de repente são 22 horas, estou esgotada, adormeço e mal dou por mim é de dia e repete-se todo este ciclo. Quando faço contas percebo que já passaram 5 meses. Fiquei tão incrédula que fui buscar o calendário para contar os meses. Eu não estava mesmo a acreditar.

Sinto-me plena como nunca. Plena, profundamente plena, preenchida, satisfeita. O meu sonho mais alto realizado. Dois bebés lindos, maravilhosos, por acaso uma menina e um menino, os meus filhos, feitos com muito desejo e amor. Se estou cansada? Claro! Não deles. Nunca. Não poderia, mesmo. Os meus filhos não me cansam. Cansa a roupa, a loiça, as refeições, as viagens, enfim. Mas os meus filhos não me cansam. Só me dão anos de vida, de amor, de felicidade. Saudades? Não. Vou estar a viver cada novo dia cheia de delicia e descoberta, feliz por cada nova conquista, por cada dia por eles conquistado.

Por agora estou a transbordar. De vários sentimentos. Mas sentimentos muito felizes. Adoro a família que já tinha e está que vou conquistando, construindo. Dia após dia ❤️😍😘😊

Planos

19 horas:

Ela- Fazes-me uma massagem hoje?

Ele- Sim, ok.

20 horas:

Banhos dados, jantar terminado, fazer aerossóis, lavar dentes, xixi, cama.

21 horas:

Finalmente a mais crescida dorme. O pequeno acorda, vai mamar.

22 horas:

O pequeno já mamou. Cozinha arrumada. A mais crescida acorda, não consegue dormir e tem tosse.

23 horas:

Estão os 4 na cama, mãe, pai, a mais crescida e o bebé. Não há massagens, só festinhas e dar a mão.

Suspiro…

Frozen

É o filme de que mais se fala há uns valentes meses nesta casa. A MR é uma apaixonada pela Frozen, e assim tratávamos aquela rapariguinha de roupinhas azuis e cabelo esbranquiçado. Pois há uns fins de semana decidimos ver o filme com ela, achando que já estaria pronta, em termos de duração e conteúdo. Lá alugámos o filme através da box (modernices) e vimo-lo todos, até o mais pequeno. Bom, não só a miúda estava pronta para uma sessão de cinema caseira, como estava pronta 3 x… e nós lá tivemos de gramar com aquilo até ela sucumbir de sono e não aguentar mais neve sob os seus olhinhos.

Entrou a noite que tem destas coisas de nós por a pensar… e sobre o filme fiquei realmente impressionada com a estória das duas irmãs. Para quem não sabe, há uma Irma que tem uns poderes de congelamento e tal e a outra é mais nova, adora-a, mas um dia a brincar a coisa descontrola-se e a mais nova é atingida sem querer. Para a proteger da irmã os pais têm a brilhante ideia de separar as duas de repente, mantendo-as a viver na mesma casa mas trancando basicamente a miúda dos poderes no quarto, sob consentimento da mesma. Um dia os pais delas têm um acidente ao qual não sobrevivem e as miúdas reencontram-se no dia da coroação da irmã mais velha. Aquilo corre mal que se farta, uma foge, a outra vai atrás, e no fim percebem todos que os poderes da rapariga são inofensivos desde que haja amor em vez de medo. Fixe. Só é pena aquilo ter sido uma tristeza pegada até ali, mas nisto de ver a luz mais vale tarde do que nunca. E no meio daquela tristeza toda consegui pensar que aquela estória disfuncional estava, apesar de tudo muito perto de nós. Nós, no geral, nós cá em casa em particular. Quando o Vi. a MR fez todo o tipo de reações somáticas, desde amigdalite viral, otite, conjuntivite, vómitos, etc. A pediatra conseguiu assustar-nos bastante e chegou até a sugerir tê-los em quartos separados o maximo tempo possível. Nós não queríamos traumatizar a MR com o nascimento do irmão afastando-a, nem deixá-lo a ele sozinho num quarto todo o dia. No entanto estávamos em pânico, andávamos sempre de máscara, desinfetávamo-nos na passagem dela para ele, etc. Chegámos a pensar separar-nós o meu marido com a mais velha e eu com o mais novo.

Fomos falando com várias famílias com mais do que um filho e todas disseram que tinham passado por coisas semelhantes e que com os devidos cuidados tudo havia corrido bem, sobretudo num bebé que é amamentado. Escolhemos ficar juntos e esperar o melhor, tendo o maior cuidado possível. Compensou, claro. A integração com ela foi muito melhor, nós ajudámo-nos uns aos outros, ele esteve perto de todos e a ouvir a voz da irmã todos os dias. Arrepiei-me e pensei que estive tão perto de refazer a estória da Frozen ali mesmo em casa. Até o Vi. ter 1 ano e levar as principais vacinas a vontade é tê-lo fechadinho para garantir que nada lhe acontece (nem imaginam como andei com esta conversa do ‘surto’ de sarampo), mas a beleza das palavras é que ao proferirmos os seus significados dizem-nos coisas também. Ter o meu filho fechadinho garantia que nada lhe aconteceria. Nada. Nem de bom nem de mau. E isso… é mau. É a estória da Frozen, com duas irmãs a viver no mesmo castelo mas com uma parede entre elas até aos 18 anos, sozinhas e protegidas de tudo. Até das brincadeiras.

Respiro fundo e tento que os meus medos da vida não me impeçam a mim ou aos meus filhos de viver. É um equilíbrio difícil e um exercício exigente para uma hipocondríaca. Mas mais que hipocondríaca temo arrependimentos. E não poderia viver uma vida e no fim pensar que tudo teria sido evitado com mais amor e menos medo. Obrigada Frozen. Ensinarei os meus filhos a amar e serem cuidadosos. Mas por eles terei de sair do medo. Só estraga, só congela. E ninguém vive no gelo absoluto. Nem a Frozen coitada.

E Viva o amor.

A mãe mais do mundo

MR olha para mim cheia de carinho, segura na minha cara, junta o seu nariz ao meu e diz:

MR- Oh mãe, tu és a mãe mais, mais…

(E eu pensava, mais quê, querida, amorosa, fofinha, linda?!, o quê, o que será??)

MR-…mais curiosa do mundo!

Ahahah…. esta coisa das mães terem expectativas… 😄😍😊