Pais

Há pouco tempo vi um post no Instagram da Andreia, ‘No colo da mãe’ onde ela falava do marido e da sua capacidade de ser pai, face à expectativa que ela tinha com o ser ‘a’ mãe. O elemento parental preferido, o mais importante. Falava como o marido era um excelente pai e ela era uma excelente mãe e pronto. Sem mais nem menos…

Porque trabalha um bocado mais longe o meu marido passa muitas horas fora de casa e eu acabo por ser mãe solteira durante a semana. Ao fim de semana estamos juntos, exceto se tiver de tratar dos carros, e lá fico com os miúdos.

Acaba por poder participar apenas de noite. Mas fruto de ser eu a estar com os miúdos durante o dia, costumam chamar por mim de noite. A mais velha com a chegada do irmão lá se habituou a chamar o pai e é o momento que passam juntos todas as noites naquela vez ou duas que acorda (deve ser para matar saudades). Já o mais novo acorda a meio da noite e fica acordado 1 ou 2 horas. Sim ouviram bem. Houve uma noite que ficou acordado 3 horas. Três horas. 😲😳 Imaginam a minha cara? De noite assim 🤱, de manhã assim 🧟‍♀️… o miúdo sempre assim 👼

Até à 1 mês atrás em que ficou adoentada e de noite estava incapaz de ir ter com o miúdo. Talvez o meu corpo estivesse mesmo a dizer que não aguentava mais o ritmo… ora acabou por ter de ser o pai da criança a fazer também aquele turno, dava-lhe leite e adormecia-o.

Confesso que estava preocupada sobre se ele (pai) iria aguentar passear a criança 2 horas naquele quartinho, entre as 3 e as 5 h da manhã. Mas eis que todos me surpreenderam quando o Vi adormeceu em 10 min, em vez de 2 horas… foi assim na primeira, segunda e terceira noite. Claro que eu anunciei ao querido marido que tinha ganho lugar de destaque neste espetáculo noturno, pelo que as idas ao mais novo ficariam agora a seu cargo.

Enquanto eu me perguntava o que é que em mim estaria a deixar inquieto o rapaz, a minha ansiedade, estar ali a pensar no trabalho em espera em vez de estar descansada (sei lá, acho que pensei em tudo), o miúdo depois de umas semanas de pai, simplesmente, pela primeira vez em 1 ano e 5 meses começou a dormir a noite toda. Acordaria ele na expectativa de estar com a mãe? Coincidência de estar a crescer e simplesmente passar a dormir mais e seguido? A verdade é que ele passou a dormir e eu, ao fim de 1 ano e meio, comecei a descansar de noite. Sim fiquei muito feliz. Se não estivesse tão cansada talvez tivesse saltado de alegria…

Em duas semanas a dormir a noite toda o Vi cresceu 3 dedos, começou a comer melhor, aumentou de peso e deixou de caber em calças e camisolas. Afinal dormir faz mesmo crescer…

E os pais… são mesmo precisos. De forma única e diferente das mães. Não é preciso nem desejável que façam o mesmo que elas. Basta serem eles mesmos, no seu papel de pais e os efeitos serão visíveis e óbvios. E positivos, já agora.

E agora, vou ali dormir e já venho. Sim, dormir mesmo. Às vezes as pessoas que têm filhos também conseguem dormir… ☺️😴

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Ser mãe

Ser mãe tem disto. É que não é isto nem aquilo. Tem fases, tem dias, tem noites. Tem tudo, as horas todas em que ainda se estão a matar saudades e as horas em que estamos a tentar não nos matar uns aos outros.

E eu adoro-vos. E digo-o a toda a hora. Sobretudo quando me zango. É que o amor de mãe (e pai) sobrevive (sobretudo) às zangas, às palmadas, às birras. E muitas vezes eu só estou desejosa que chegue a hora de ir para a cama e da minha boca só sai ‘já chega!’, acompanhado do aconchegar de lençóis enquanto se murmura mais um ‘silêncio e dormir!’

Tem tempos em que olho para os dois e penso que fiz tudo bem… acho aliás o quadro tão perfeito que me pergunto como foi possível??? Como é que eu consegui atingir esta perfeição ou o que é que eu fiz para merecer estes dois. E, geralmente é à vez, olho para um que me derrete. E que me derrete de uma forma tão profunda que eu tenho de libertar algumas lágrimas. Para deixar sair alguma emoção, ou acho que corria o risco de rebentar. Basta sentir aquele cheiro, ou lembrar-me de tudo o que já vivemos (e mesmo o pouco foi tanto!) apertar aqueles corpinhos que são meus e vieram de mim, feitos com tanto amor, e fico literalmente à beira da loucura.

Hoje tive a ajuda dos avós e fomos 4 adultos para duas crianças. O fim de um fim de semana relativamente calmo em que se cumpriram as tarefas todas e na hora de deitar o pai foi adormecer o mais novo (que agora se recusa a adormecer comigo e só adormece com o pai!) e eu fiquei com a mais velha. Acabámos de ver o filme da tarde e ficámos alinhadas no sofá, nas festinhas e miminhos a tentar adormecer. Eu comovi-me toda, soltei uma lágrimas e agarrei-a bem. Ela olhou para mim e disse ‘queria que as coisas fossem assim.’ Ela queria dizer ‘sempre assim’. Eu abracei-a ainda mais. Eu também queria e parte-me o coração não conseguir sê-lo, todos os dias da nossa vida. Mas os dias são muitos, os filhos são dois a somar à casa, ao trabalho, ao marido, à vida. E nem todos os dias eu consigo esta paz de espírito, este abraço cheio de calma, como se o dia tivesse sido cheio de sol e sem stress… e só consegui dizer toda emocionado, ‘tenho sempre um abraço para ti! Sempre. Mas vamos tentar ter este tempo mais vezes.’

Ser mãe não tem sido uma coisa fácil para mim. Passei assim a ser mãe de um momento para o outro, ora está na barriga, ora pimba!, dá-lhe de mamar! Ela passou de uma fase para outra ao ritmo dela, e nunca ao meu. Eu tive de conciliar trabalho, filha, marido e a minha própria identidade sem que qualquer livro ou história alheia fosse (muito) útil. E depois arranjei espaço para amar dois filhos sem perceber no que me ia meter… ser mãe foi a minha maior obra. Os meus dois filhos são as minhas maiores e melhores obras, por mais anos que viva como arquiteta… cansam-me, todos os dias sinto isso. Eles e sobretudo o que está à volta deles, casa, roupa, loiça, comida, escola, etc. Mas prefiro viver cansada toda a vida com eles do que estar fresca e fofa sem eles. Isto pareceu uma coisa má ou exagerada. Mas não é. É só assim, simples. Hoje estou a transbordar. Sinto que em mim algo quer rebentar. É o amor. E o amor, mesmo o mais simples, não é, nunca foi, nem nunca será linear. Mas prometo-me que vou sempre tentar que sejam mais os momentos assim, de amor e carinho infinito, do que aqueles em que transpareço o meu cansaço.

❤️❤️❤️❤️

Porque hoje é o dia do amor

É um título um bocado mais comprido do que o costume. Mas hoje a declaração que tenho para fazer também é um bocado diferente. Sim, diz que hoje é a celebração do amor. Beijinhos, corações, declarações, rosas e chocolates. Mas o que te quero dizer é outra coisa. É que eu nunca te perdoaria.

Eu sei que faço quase tudo cá em casa. Porque sim. Porque somos 4. Porque acontece que nem temos empregada. Porque chegas tarde do trabalho e à hora que chegas eles já dormem. Porque ao fim de semana eu despacho 4 tarefas e tu arrumas 1 ou 2. É assim. Eu posso perdoar isso. Mas nunca te perdoaria que fosses embora agora. Que nos separássemos para eu cuidar deles sozinha. Porque te perdoo que o dinheiro seja curto, mas não te perdoaria o curto cheque mensal que me obrigaria a viver com os meus 2 filhos numa casinha pequenina. Não te perdoaria ter de acalmar um nos braços de noite e não estares lá para ires acalmar o outro, caso acordasse também na mesma altura.

Porque te perdoo que a nossa paixão não esteja sempre em altas, mas não te perdoaria nunca o desamor de quereres voltar quando eles estivessem mais crescidos, mais fáceis. Quando eu estivesse mais disponível. Porque é amor chegares a casa e aturares a minha má disposição, porque ainda não parei, porque acordei às 5h da manhã e quando chegas eu também tive um dia de trabalho e em cima dele carreguei 2 banhos, 4 cozinhados preparados com açúcar e com afeto, 3 birras, uma casa arrumada e milhares de brinquedos arrumados em duplicado ou triplicado. Porque é amor que de noite faças o leite ao nosso filho enquanto eu fico com ele nos braços a acalmá-lo para que não fique aflito. Porque é amor ficarmos juntos mesmo quando estamos de rastos.

Não, claro que não estamos juntos por questões técnicas. Também é amor chorarmos baba e ranho (literalmente) a ouvir ‘a vida toda’ de Carolina Deslandes ou ‘sorte grande’ de João Só e Lúcia Moniz. É amor fazermos uma festa de renovação dos votos nos 5 anos de casados, mesmo exaustos, e convidarmos 60 pessoas. É amor quando olho para ti e penso que estás ainda mais bonito desde que és pai dos meus filhos e olhares para mim e achares que o meu corpo novo de mãe te atrai mesmo quando eu não me encontro nele. É termos dormido 5.30h em três partes e de manhã dares-me um beijinho na testa e dizeres ‘Feliz dia de S. Valentim’.

Este amor é só nosso. E não pretendo nem me preocupo em descrever todas as coisas maravilhosas que me fazem amar-te. Ou todas as coisas que eu não gosto e que por continuar a gostar de ti são uma profunda prova de amor. Hoje faço a declaração do avesso. Porque o amor também tem avessos. E porque o amor é isto. Se fosse outra coisa, pontual, oportunista, comodista, não era aceitável, ou perdoável.

Não, não estamos em risco de separação, nem foi um aviso. É só mesmo uma prova de amor.

Nem sempre

Às vezes chegas e olhas para mim e eu não estou lá. Nem sempre, mas às vezes é como se tivesse ficado pelo caminho, nas várias tarefas que me levaram até ali. Nem sempre, mas às vezes quando acordo só dormi 4 horas, em duas partes, porque o mais novo acordou a meio da noite e já não queria dormir. Nem sempre, mas às vezes olhas para mim e os meus olhos estão a ver se ninguém cai no parque infantil ou a tentar ler a temperatura do termómetro no banho.

Só às vezes, a miúda mais velha fez uma birra, queria ser filha única por uma noite. E nesse dia, por mais que procures em mim, no meu corpo, as minhas mãos estão a aquecer sopas, a vestir pijamas e abrir as camas. E, só às vezes, quando eles se deitam sinto que é a parte melhor do meu dia. Quando me sento no sofá tenho as nódoas de sopa e de arroz dos jantares das crianças, tenho uma dor de costas do tamanho dos dois. E nessas vezes não estou lá. Só estou à espera de poder deitar-me e rezo por dormir 5 horas seguidas, pelo menos… às vezes, mas só às vezes, olhas para mim e eu não estou.

E a (minha) maternidade não é isto nem outra coisa. Não é um mar de rosas, não. Nem é um sofrimento pegado, isso muito menos! É apenas a coisa mais incrível que já me aconteceu. E essa descrição jamais caberia em post algum do mundo.

Por isso, nem sempre, mas às vezes eu só não estou. Mas amanhã já volto. ❤️

A pior mãe do mundo

Tem estado doentes… ter filhos dá nisto, os miúdos às vezes adoecem. Quando adoecem ao mesmo tempo é pesado como tudo e a mãe parece ter sido levada por extraterrestres para experiências e voltado apenas há umas horas… quando adoecem à vez o cansaço acumula-se e a mãe parece ter-se tornado uma morta-viva, a funcionar em piloto automático…

Pois então tive direito a um mês inteirinho de 2 crianças doentes, ora à vez ora em simultâneo. Fizeram uma pausa de dois dias no Natal (ieeeei) e retomaram imediatamente. Ao ponto de me deitarem por terra que também fiquei adoentada e ter passado o ano novo a tomar benuron. Momentos para mais tarde recordar…

Lá retomamos o trabalho e escola, o miúdo ainda estava meio adoentado mas já tínhamos adiado tantas vezes as vacinas dos 12 meses que decidimos vacinar, já que não tinha febre, estava estável em relação à tosse, etc. No dia seguinte fez febre, o que estava dentro do quadro expectável, e no dia seguinte fez umas manchinhas vermelhas no corpo… a enfermeira tinha avisado que podia acontecer. A verdade é que me deu uma noite terrível, acordou de meia em meia hora e de manhã desatou aos gritos quando lhe tentei dar comida… já estava desesperada de um mês de doenças e de não dormirem e não comerem e apesar de ter tido febre-associada às vacinas, decidi levá-lo à ama. Ainda disse ‘ele está mesmo difícil, boa sorte!’ Achei que estava só chato e que eu precisava de me recuperar, ter um dia de trabalho normal e sentir-me o mais ‘pessoa possível’.

Umas horas depois recebo um telefonema da ama, o miúdo já tinha as manchinhas no corpo inteiro, mãos, pés, boca, babava-se muito, queixava-se para comer (inédito com a ama) e tinha a linguinha esbranquiçada… fui a correr para lá, a arder em culpa, pensando que o tinha despachado quando ele afinal não estava chato, mas sim doente! Falei de imediato com a pediatra que percebeu que era uma estomatite aftosa de origem viral, um nome comprido para ‘boquinha cheia de aftas’. Resultado é uma infeção sem qualquer gravidade mas que dá um incómodo terrível. Não admira que não dormisse e não quisesse comer.

Lá fui para casa com o rebento e iniciei mais um período em casa 😩 desta vez com o peso acrescido da culpa de ter despachado o miúdo quando afinal ele estava cheio de razão, todo incomodado. Redimi-me aos beijos naquela cara com borbulhinhas e muita paciência para um miúdo que durante 2 dias e duas noites SÓ quis colo e gritava em qualquer outra modalidade.

Eu que entrei na maternidade a imaginar que ia ter 3 ou 4 filhos dei por mim a ter um sonho recorrente nestes dias de falta de horas de sono, que engravidava novamente. O contraste face ao meu desejo de há uns anos é que assim que recebia a notícia desatava a chorar em pânico a olhar para o meu marido ‘O QUE É QUE NOS FIZEMOS?!?!’ e acordava com o coração a palpitar…

Não me entendam mal, adoraria ter mais filhos… só não aguento mais…. preciso de dormir, de ter um ritmo de trabalho de 5 dias por cada 2 de descanso, de ter férias, simplesmente… ainda há quem me diga que daqui a uns anos penso de outra forma, mas acho que daqui a uns anos vou estar só divertida a fazer estas coisas todas… sem saudades, nem penas, a curtir os dois miúdos que trouxemos ao mundo e que já nos ocupam o suficiente ❤️😘👌😍

Beijinhos e bom ano a todos, com poucas gripes e constipações, de preferência.

Mesmo assim

Os miúdos estão doentes. Outra vez. Eu nem me posso queixar, que por aqui a coisa não vai além das constipações e umas viroses. Mas volta não vai, pimba! Em casa todos de molho. Claro que me queixo, e que fico cansada e às vezes até um bocado angustiada. Parece que não sou dona da minha vida. Vai de cancelar tudo, trabalho, planos, festas.

E sobre festas, o meu filho fez um ano. Quando a minha filha fez um ano as pessoas comentavam, ‘já? Passou tão rápido!’ Eu ficava louca com este comentário. Claro que para quem está lá muito fora da confusão parece tudo rápido… mas lá dentro custou tudo muito a passar. No primeiro ano da minha filha parecia que tinham passado 3. Mas no primeiro ano do meu filho, com tudo o que aconteceu neste ano e todo o ritmo do nosso quotidiano parecia só terem passado uns 6meses. E pimba já está.

O miúdo com tosse, parecia um cavadorzinho fofo, a miúda com febre e dores de barriga, mas mesmo assim ainda cantámos os parabéns com o miúdo ao colo e os padrinhos via skype. Arranjei energia para fazer um bolo, mas o prato foi massa com atum e milho, já não dava para mais. 5 dias a limpar narizes, a dormir 2horas de cada vez, sempre com alguém ao colo, dar um jeito brutal nas costas e só queria dormir. Por isso depois de cantarmos os parabéns às 20.30h fomos todos lavar dentes e vestir pijamas para nos enfiarmos na cama, na esperança de dormir mais qualquer coisinha. Não resultou lá grande coisa.

Mas que raio de pensamentos estes que nos assolam, porque haveríamos de ser donos das nossas vidas? Há tantas variáveis e imponderáveis a considerar que acharmos poder ser donos de uma parte dela seria não só naive como um pouco prepotente.

Mas queremos. E só passado uma semana estava desejosa de que os miúdos finalmente adormecessem cedo e na cama ficassem sem acordar para tossir, febre ou qualquer outro incómodo. Claro, para eles melhorarem… mas sobretudo para eu poder sentir que há vida no mundo, para além de termómetros, soro fisiológico, benuron e brufen, para passar um serãozinho a ver tv, ler, descansar ou qualquer outra atividade em me-time. E finalmente adormeceram. Pelas 20.30h e lá ficaram a dormir uma h, e mais outra… e eu nem queria acreditar que a noite era minha outra vez, só nossa. Ficamos tão entusiasmados que não deixámos o cansaço ganhar e ficámos a fazer serão até mais tarde, muito depois da hora de dormir… só para sentir que somos um bocadinho donos de um bocadinho das nossas vidas. Nem que sejam uma vez num serão até mais tarde… parece coisa pouca, mas não é. E se é essencial dormir, também é essencial existir.

E parabéns meu amor. Desde que chegaste às nossas vidas que as melhoraste em tudo. És o meu upgrade. Amo-te. Sê feliz.