É preciso

É preciso a distância. Quando a minha filha nasceu eu não estava capaz de a partilhar com nada nem com ninguém. Claro que a minha filha tem um pai, felizmente, e que eu prezo muito, por isso quis sempre que ele se envolvesse e lhe pegasse, e todos os etc. Mas custava-me horrores que as pessoas lhe pegassem. Ou que ficassem a olhar para mim com olhos de lobo esfomeado a ver se eu me afastava ou dava autorização para atacarem…

Vamos lá ver, que eu não pareça louca nem mal-agradecida. É delicioso para uma mãe que os seus filhos sejam adorados, apetecidos, encantadores. É delicioso. E assustador. Pelo menos numa primeira fase. Adorava os comentários, e adoro, mas ficava sempre nervosa porque já sabia que depois do elogio vinha a derradeira, ‘Posso pegar?’ Era como se o elogio fosse um preliminar para as verdadeiras intenções. E em dada altura só me apetecia responder a toda a gente, ‘Não’. Assim narural, simples, sem maldade. Acabava sempre por dizer, ‘Não, desculpa, está muita gente’ ou ‘Acabou de comer’ ou ‘Agora estou a matar saudades’. E eram sempre declarações verdadeiras, por acaso. Claro que nem me falassem em separar-me ou afastar-me dela por uns momentos.

Mas como tudo na vida, geralmente, tem um tempo, também a relação com a minha filha é temporal, ou seja, à medida da sua evolução evolui a nossa relação (ou talvez até seja isto por ordem inversa). E finalmente chegou o momento em que me apeteceu estar um bocadinho sem ela. Neste caso até me apeteceu estar com o meu querido marido. E assim foi, falámos com a minha madrinha, deixámos lá a cachopa (a 2 minutos a pé cá de casa), os meus pais foram lá ter e nós estivemos 2 horas inteirinhas sem a MR. Eu neste caso, que o pai a trabalhar já tinha ensaiado a separação muitas vezes. Eu estive 2 horas à distância. Foi… estranho. Delicioso. É preciso, pensei. A verdade é que também me sabe bem.

E tão saudáveis que são estes afastamentos que deviam ser esporádicos. Sem exagero, para fazer bem à mãe e à bebé. E ao pai que também usufrui. A minha madrinha que é uma querida e muito generosa, prontificou-se logo a passar umas horinhas com a caganita e eu toda feliz por poder fazê-lo com segurança e confiança.

E nada disto anula que quando eu tenho o meu bebé nos braços queira mesmo tê-la nos meus braços, fazer-lhe miminhos e não estar a segurá-la à espera que alguém se lembre de a pegar. Quando estou com ela estou para ela, com atenção, amor, carinho e muito colinho. E às vezes é preciso distância. Faz bem. Sabe bem. 🙂

2 thoughts on “É preciso

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