Põe&Tira

Põe e tira e volta a tirar. Constantemente a fazer as mesmas coisas. Ora põe a mesa, ora levanta a mesa, faz e desfaz as camas, lava roupa, seca, dobra e arruma, desarruma, volta a lavar, suja loiça, lava, seca, arruma e desarruma, faz refeições, põe em caixas, frigorífico e volta à lavagem. Todos os dias passo as minhas manhã a arrumar a casa do desarrumo necessário que causam as dormidas, arruma robe, chinelos, sacode camas, puxa cobertores, despeja saco de água quente, trata da roupa na corda, põe loiça na máquina, toma pequeno-almoço, toma banho, prepara sopa do bebé, dá a sopa, muda a fralda, come em 5 minutos e só depois respiro… pouco, que são horas de dormir, outra vez, sim, esta mania compulsiva, incessante de dormir todos os dias, aproveito a sesta e vou preparar o banho, sim, mais uma vez, porquê banho todos os dias? E entretanto já que passo pelo quarto porque não dobrar a roupa que tirei do estendal? Mas ela já acordou, e bora lá buscá-la, vou mas é comer um chocolate que já estou sem fôlego, nem forças, e tenta ver tv, mas está chata, e espera, já são horas de lanchar, vamos a isto, e a seguir brincadeiras e bicicleta nas pernas do bebé para não ter cólicas. Já sujou a fralda, vamos mudá-la que são horas de fazer jantar e o pai a chegar, toma lá o bebé que eu tenho… de correr, a máquina da loiça já está pronta, comida na mesa, ela vai ao banho e papa e vai dormir e tira robes, outra vez????

E vou deitar-me e penso, amanhã será melhor, vou conseguir fazer alguma coisa. E penso que fiz mil coisas hoje, o problema não é a quantidade mas a qualidade, estou sempre a fazer as mesmas coisas, que desespero. E parece um jogo infernal, põe e tira e volta a virar, um jogo compulsivo em que só se pode fazer o que já alguma vez se fez, só a repetição tem ordem nesta casa. Tudo o resto vem para amanhã que nunca mais chega.

E para nos libertar deste ciclo vicioso fomos buscar o pai ao trabalho, mas o bebé estava impossível, zangado mesmo e dei-lhe a mão para que se acalmasse. Quando tirei não queria. Ficar no ovinho só de mãozinha dada com a mamã, e eu tudo bem, olha, felizmente a carrinha é automática e vou conduzindo, senão nem sei, e lá fomos nós de mãos dadas o caminho todo, inédito sim, pelo menos não era uma repetição. E eu a dar-lhe a mãozinha assim pensei se não era ela que me dava a mãozinha a mim, introduzindo este elemento novo e dizendo ‘não estás sozinha’.

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