Não estar só

É verdade. Toda a gente diz tanta coisa. Toda a gente acha que encontrou a fórmula para a melhor forma de fazer. E eu também acho que sei e que sei a melhor forma. Mas às vezes também tenho dúvidas. E todas as mulheres que sentem essas dúvidas procuram ajuda, querem opiniões e às vezes essas opiniões deixam-nas baralhadas. Outras vezes não procuram opiniões mas toda a gente teima em comentar o que fazem, como fazem, se concordam se não concordam e por fim parece haver uma infindável gama de literatura sobre todos os assuntos e métodos. Claro que os mais frequentes são o evitar colo, não o habitue mal, dê-lhe limites, diga que não, e nós lemos vamos ficando com um nozinho na garganta e ou aceitamos que estamos contra o mundo ou aderimos a esta conversa errada (é a minha opinião).

Sou da escola da minha mãe, acho que não existe mimo nem amor a mais. É, digamos, uma coisa impossível. Mas tantas nuances há à volta de opiniões que se partilham, tanto se diz que contraria o instinto das mães, e tantos dias há que me sinto sozinha nos meus métodos e que parece que nem o meu marido os compreende que sabe bem descobrir uma pérola que nos apoia. Meso que seja num texto ou num livro.

A Marta Duarte, do blogue Passinho a Passinho, partilhou este homem, este senhor. Li, reli e recomendei a vários membros da família e futuros pais. Vale a pena ler, vale a pena perceber. E como diz a Marta, ‘Só gostava de o ter descoberto quando os meus filhos eram bebés!! Teria feito tudo igual, mas com menos angústia…’ Obrigada querida Marta, adorei 🙂

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Este é um post sobre arquitetura

Trabalhar_com_Arquitectos_Frases

Esbarrei com esta reportagem há poucos dias, através de uma amiga. Não conhecia o fotógrafo, vi, revi e vi as suas outras reportagens. Parece que este fotógrafo tem muito que contar e vale a pena dar uma olhada. No seu caso há imagens que valem mesmo mais de 1000 palavras. E por isso acompanha as suas fotografias de explicações muito sucintas, deixando que a objetiva nos narre uma estória.

Aquela que me prendeu foi a ‘The Condo’, o condomínio privado ‘Bella Guarda’ em Vila Franca de Xira, inacabado por insolvência da construtora. Como tantos outros espaços abandonados pelo país fora este condomínio foi alvo de ocupação por pessoas que se viram sem outra hipótese nem saída. Os novos sem-abrigo têm abrigo. Vivem em condomínios de luxo, inacabados, sem portas nem janelas. Parece a triste canção do Vinícius de Moraes,

‘Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque na casa
Não tinha parede
Ninguém podia
Fazer pipi
Porque pinico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Na rua dos bobos
Número zero’

O próximo número da revista arqa (revista de arquitetura e arte) será dedicado às ruínas. As ruínas que já foram uma afirmação estética no romantismo agora povoam as cidades por falta de dinheiro e oportunidade para serem recuperadas. Quando estão livres do perigo de queda eminente são invariavelmente ocupadas por pessoas que se viram presas neste pior lado do sistema. Invariavelmente vemos estes espaços devolutos com os vãos violentamente fechados em tijolo e argamassa. Mas a novidade são estas ruínas da crise financeira, não são prédios devolutos, são construções inacabadas. Ninguém fecha os seus vãos com tijolo porque às vezes nem há paredes. Os vão são fechados com restos de madeira, lençóis ou pedaços de plástico pelos novos moradores, apenas para evitar que a chuva entre. Nas piscinas dos condomínios de luxo lava-se agora roupa. Estamos perante um novo tipo de ruína que é um bocado como a pescada, antes de o ser já o era.

Recentemente a Ordem dos Arquitetos lançou uma campanha incentivando o trabalho com arquitetos. A mensagem era simples e muito clara, ‘Olhe à sua volta. Ainda acha que não precisa de um arquiteto?’. E viram-se muitos cartazes fixados em espaços devolutos ou de baixo interesse arquitetónico, mas não vi imagens desses cartazes nestes edifícios. E a pergunta é pertinente, ‘Ainda acha que não precisa de um arquiteto?’

Claro que estes prédios em esqueleto, qual imagem de uma população subnutrida, os seus ocupantes à margem do sistema, não são, não estão dependentes de 1 nem 1000 arquitetos que os salvem. Mas provavelmente será altura de reunir autarquias, sociólogos, psicólogos, antropólogos, mecenas e arquitetos e discutir o que fazer com estes espaços. Saiu no público uma reportagem que anunciava que as casas vazias em toda a Europa facilmente poderiam ‘albergar todos os sem-abrigo do continente’. Num episódio do programa de carros britânico ‘Top Gear’ houve um episódio em que os testes dos carros decorreram numa cidade, em Espanha, fantasma. Era uma cidade inteira construída, cheia de casas terminadas, com direito a aeroporto e tudo, completamente deserta. Nunca antes habitada. O cenário fica mais frio que o dos filmes western, não se trata de uma cidade abandonada, trata-se de um espaço à escala de uma cidade que foi pensado, desenhado, planeado e construído para uma população que nunca chegou a aparecer.

O novo conceito de ruína antecede a vida do edifício. É um nado-morto. Uma tristeza, uma infelicidade. A ruína é agora o edifício em esqueleto, como o condomínio em Vila Franca de Xira. Não podemos dizer que não se podia prever, mas seguramente construtores falidos e ocupantes destes espaços sem condições foram surpreendidos e ficaram presos neste lado negro do sistema. Uns mais que outros, seguramente. Mas agora que aqui estamos urge pensar, o que fazemos? O que fazer com isto? ‘Olhe à sua volta’

O filho da vizinha

Todas as mães já passaram por isto. Pensem bem. Têm coragem de dizer que não? ‘Antes’ de ser mãe (este antes só me sai assim entre aspas porque realmente parece que é uma realidade completamente alternativa) achava um bocado ridículo aquelas disputas de mulheres batalhando pelo ‘o meu aos x já fazia…’ mais incrível. Secretamente sempre notei um sorriso na alma das mães que percebiam que os seus filhos faziam algo inédito ou antes da altura suposta para tal. Achava e achei sempre um exagero tolo, um ‘A sério?…’ perante tal regozijo.

Há uns tempos estava no centro de saúde com a minha filha para levar as vacinas dos 4 meses e como quase sempre, ela estava farta de estar no ovinho e rabujou até conseguir que eu a tirasse de lá. Levantei-a e lá estava ela no meu colo, avançando para a frente e para trás, a lançar charme e a distribuir sorrisinhos a quem se metia com ela, a palrar, a levar mãos à boca, a querer agarrar a chucha, eu escondendo o sorriso atrás do cansaço, a olhar para ela, embevecida, enternecida, a pensar ‘Como é que eu fiz isto tão bem??’. De repente olho para o lado e vejo uma bebé muito sossegadinha, no seu ovinho, não olhando muito para lado nenhum, lancei-lhe um sorriso e mal ripostou. Percebi que era pequenina e meti-me com o pai, ‘quantos meses?’ Ao que me respondeu, ‘4 meses.’ ‘Ah, a idade da minha’, disse. ‘Que engraçado é muito sossegada…’ E, sem qualquer malícia, juro, estava toda babada com a minha miudinha ali aos saltaricos para todo o lado, segurando tão bem o tronco, animada, cheia de charme. A outra bebé lá acabou por se expressar, mostrando um certo descontentamento no dolcefarniente, ao que o pai respondeu deixando-lhe um bonequinho no colo.

Vai a doce criatura, pega naquele bicho de plástico, leva-o à boca, afasta-o, olha para ele, escolhe a parte que deliberadamente quer levar à boca, roda-o cheia de destreza, leva-o à boca e faz isto umas 3 vezes seguidas até eu perceber que estava de boca aberta há já um bocado… Fiquei estupefacta, fechei a boca, arrumei a violinha no saquinho e pus os olhos na minha caganita que se recusava agarrar o que quer que fosse para além da chucha ou das mãos, não ligava a bonecos com ou sem cores, muito menos os punha na boca ou deliberadamente os rodava brincando com eles.

Olhei para o meu Universo interior e soltei um ‘bem-feita!’ a ver se uma vez reconhecido o meu erro não seria tão castigada. Lá estava eu, que há uns anos gozava com a disputa das mães e os seus queridos filhos, para me tornar a maior fã do ‘a minha filha já faz…’ até à estalada pregada na minha cara, silenciosamente, face à ‘a filha do vizinho faz o pino antes da minha’. Aprendizagem. Os miúdos diz-se que vão aprendendo umas coisas ao longo da vida. Pois parece que nós também vamos aprendendo umas tantas com eles. Cá está, o meu percurso de aprendizagem a par e passo com o da minha filha. Que é a melhor de todas, claro 🙂

Entre

Foi a minha madrinha que me apresentou esta rubrica do Público e eu passei a adorar. Recente mãe, fragilidades idênticas, esperanças, desejos, medos, há uma série de pontos onde me revejo. Tem uma escrita gostosa, séria e com graça, bem ao meu gosto. E o último post que li foi este. Adorei o título. Claro que é. Claro que sim. É isso mesmo, um bebé representa tarefas, e não só. No meu caso por exemplo, havia imensas coisas que eu fazia em casa sem que o Z desse por isso, pois trabalho mais perto e acabava por conseguir chegar a casa o tempo antes o suficiente para despachar ‘tarefas’. Desde que a bebé nasceu não só há mais tarefas como eu me indisponibilizei mais e este acumular de coisas desiquilibra-nos. É um bocado isso, parece que ter filhos, sobretudo na fase em que são menos autónomos, é uma espécie de caminho perto de um precipício e temos de estar num estado muito zen ou então ter muito cuidado porque o risco de cair é grande. Andamos sempre a discutir quem faz o quê, de quem é a vez agora e quando chegamos a casa às vezes nem dá para tirar o casaco, vamos a correr encher a banheira ou aquecer sopa, ou o que seja.

Mas mais que tarefas tenho a sensação que o meu dia ficou de repente confinado a entre-refeições. E tudo se resume ao que consigo fazer nesses entre-tempos. A MR come 5 vezes ao dia, pequeno-almoço, almoço, lanche, jantar e ceia. Basicamente fico com 5 períodos de tempo. Passando 1 deles a dormir, restam-me 4. Desses 4 o primeiro é basicamente para me arranjar, arrumar a casa de manhã da utilização da noite, tomar o pequeno-almoço, preparar sopa da miudinha, dar um jeito a cozinha ou roupa e pimba!, 3 horas passaram. O segundo tempo é entre almoço e lanche, é quando tenho mais tempo, são 4 horas, ela dorme uma sestinha, a minha avó ou madrinha dão-me um apoio e eu ponho emails em dia, trabalho, escrevo, pago contas, faço listas de tarefas, risco tarefas de listas e quando dou por mim já tenho um passarinho de biquinho aberto à espera de comida. No terceiro tempo aproveito para tratar de roupa ou loiça, tratar do meu lanche, do nosso jantar, de preparar o banho dela e passa a correr. Por fim depois da papa lá vai para a caminha, dorme mas sempre chamando por nós de vez em quando, nós jantamos, preparamo-nos para a noite, arrumamos cozinha, estamos juntos, conversamos despachamos assusntos pendentes. E foi… já é hora de dar a mamada do final de dia, o marido a ir deitar-se, e entramos no período na noite, dormimos todos (felizmente temos uma bebé mesmo abençoada).

Adaptei nestes últimos tempos as minhas vontades, as minhas preferências a oportunidades. Agora não se trata tanto de ter gostos ou hábito, trata-se de aproveitar janelas de oportunidade. No meio de todas estas tarefas e correrias perdi a minha aliança de casamento. Não é falta de amor querido marido, mas no meio do corre corre nestes entre tempos entre roupa loiça, colo e esfrega esfrega na roupa sempre com uma nódoa de sopa, bolçado ouqualquer coisa que nem sabemos bem como lá foi parar, caiu, desapareceu. E agora vamos renovar este pedaço de prova de qualquer coisa que nos prometemos, esta materialização do casamento. Num entre-tempo, vamos festejar a nova peça de joalharia.

Porque hoje é sábado!

Já dizia o poeta. Porque hoje é sábado ficou a roupa por pôr na máquina, o almoço foi reaquecido e o jantar também. Tudo muito prático e o local? Sofá. Só, simples e serenamente. Bom, mais ou menos, a três. Com muita beijoquice e mimice e lãzice 🙂 Nem sei muito bem se a palavra existe assim, mas é a melhor expressão do nosso sentimento. A sesta foi ao meu colo durante 2,30h nós a ver a matiné de sábado à tarde. A seguir toma banho e depois papa, caminha. E nós mais um bocadinho de ronha assim como quem tenta tornar eterno o fim de semana…

segunda feira

batido

Queixo-me deste dia como toda a gente. A tristeza das segundas feiras começa no domingo a partir das 17 horas… É o ir para a cozinha tratar do lanche enquanto se organiza as refeições da semana, fazer sopas, preparar almoços, tirar carne, peixe e legumes do congelador para deixar espaço para colocar as refeições depois de prontas. O fogão inaugura os 4 bicos todos em simultâneo, as caixinhas à espera das suas doses, quais passarinhos de bico aberto no ninho.

E lá vêm as segunda. O medo de voltar a acordar cedo, o marido sai para o trabalho, a mãe que fica com a bebé a tratar da roupa, loiça e do bebé choricando pela atenção do fim de semana.

Mas há qualquer coisa que têm estes ritmos que fazem o dia especial. Esta coisa da separação da família deixa-nos assim cheios de ternura e saudades. E assim que pica o ponto recebo a primeira mensagem do Z, ‘Já tenho saudades’. E eu saio da cama com a caganita, ela a rir, eu de lágrima no cantinho do olho, toda cheia de sentimentos e a sonhar com a hora a que ele chega.

E hoje estávamos os dois todos melosinhos cheios de saudades a enviar as 20 mensagens do costume por dia e decidi recebê-lo com um lanchinho saudável assim para limpar as toxinas do fim de semana de excesso e para pôr um carinho físico no prazer de cuidar da família. E o meu marido, de sangue (só pode) americano, que não é nada destas coisas, deixou-se levar neste mimo meu como quem aceita levar um cachecol para a rua mesmo quando acha que não está frio.

Inspirei-me nos batidos com uma cara fantástica que a Mafalda faz nos seus dias e fiz um batido delicioso 🙂

*

Ingredientes,

.1/2 beterraba cozida

.1 pêra

.2 laranjas

.2 colheres de sopa de flocos de aveia

.1 colher de sopa de farelo de trigo

.2 colheres de sopa de mel

.1 chávena de chá de funcho

.6 nozes

Preparação,

Descascar as laranjas, tirar os caroços da pêra deixando a casca e colocar tudo (exceto as nozes) na liquidificadora, varinha mágica ou bimby, até estar completamente liquefeito. Partir as nozes, colocar o batido em 2 chávenas separadas e no fim dispor as nozes por cima. Pôr uma colherinha para ajudar a comer os pedacinhos de noz esquecidos no fim do copo e apreciar a dois 🙂 Neste caso a 3, o bebé ficou no colo, não comeu mas partilhou os miminhos 🙂