Entre

Foi a minha madrinha que me apresentou esta rubrica do Público e eu passei a adorar. Recente mãe, fragilidades idênticas, esperanças, desejos, medos, há uma série de pontos onde me revejo. Tem uma escrita gostosa, séria e com graça, bem ao meu gosto. E o último post que li foi este. Adorei o título. Claro que é. Claro que sim. É isso mesmo, um bebé representa tarefas, e não só. No meu caso por exemplo, havia imensas coisas que eu fazia em casa sem que o Z desse por isso, pois trabalho mais perto e acabava por conseguir chegar a casa o tempo antes o suficiente para despachar ‘tarefas’. Desde que a bebé nasceu não só há mais tarefas como eu me indisponibilizei mais e este acumular de coisas desiquilibra-nos. É um bocado isso, parece que ter filhos, sobretudo na fase em que são menos autónomos, é uma espécie de caminho perto de um precipício e temos de estar num estado muito zen ou então ter muito cuidado porque o risco de cair é grande. Andamos sempre a discutir quem faz o quê, de quem é a vez agora e quando chegamos a casa às vezes nem dá para tirar o casaco, vamos a correr encher a banheira ou aquecer sopa, ou o que seja.

Mas mais que tarefas tenho a sensação que o meu dia ficou de repente confinado a entre-refeições. E tudo se resume ao que consigo fazer nesses entre-tempos. A MR come 5 vezes ao dia, pequeno-almoço, almoço, lanche, jantar e ceia. Basicamente fico com 5 períodos de tempo. Passando 1 deles a dormir, restam-me 4. Desses 4 o primeiro é basicamente para me arranjar, arrumar a casa de manhã da utilização da noite, tomar o pequeno-almoço, preparar sopa da miudinha, dar um jeito a cozinha ou roupa e pimba!, 3 horas passaram. O segundo tempo é entre almoço e lanche, é quando tenho mais tempo, são 4 horas, ela dorme uma sestinha, a minha avó ou madrinha dão-me um apoio e eu ponho emails em dia, trabalho, escrevo, pago contas, faço listas de tarefas, risco tarefas de listas e quando dou por mim já tenho um passarinho de biquinho aberto à espera de comida. No terceiro tempo aproveito para tratar de roupa ou loiça, tratar do meu lanche, do nosso jantar, de preparar o banho dela e passa a correr. Por fim depois da papa lá vai para a caminha, dorme mas sempre chamando por nós de vez em quando, nós jantamos, preparamo-nos para a noite, arrumamos cozinha, estamos juntos, conversamos despachamos assusntos pendentes. E foi… já é hora de dar a mamada do final de dia, o marido a ir deitar-se, e entramos no período na noite, dormimos todos (felizmente temos uma bebé mesmo abençoada).

Adaptei nestes últimos tempos as minhas vontades, as minhas preferências a oportunidades. Agora não se trata tanto de ter gostos ou hábito, trata-se de aproveitar janelas de oportunidade. No meio de todas estas tarefas e correrias perdi a minha aliança de casamento. Não é falta de amor querido marido, mas no meio do corre corre nestes entre tempos entre roupa loiça, colo e esfrega esfrega na roupa sempre com uma nódoa de sopa, bolçado ouqualquer coisa que nem sabemos bem como lá foi parar, caiu, desapareceu. E agora vamos renovar este pedaço de prova de qualquer coisa que nos prometemos, esta materialização do casamento. Num entre-tempo, vamos festejar a nova peça de joalharia.

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