Correr

10584014_776739312349373_1564981207182279620_n

É como fugir. Mesmo quando não é. Bem sei que é o desporto que está na moda, mas sempre adorei correr. Não é para me salvar da manada de corredores, nem fui sequer nunca uma corredora por excelência, daquelas que correm todos os sábados, faça chuva ou haja sol. Corria. Descobri isto lá para os meus 15 anos, corria com umas amigas da minha turma, descobri que tinha bastante jeito e uma boa endurance e vamos lá disto.

Quando engravidei interrompi a corrida e enquanto amamentava também não dava muito jeito, quem não sabe a que me refiro fique sabendo que dói. Entretanto parei de amamentar e entre o não-tenho-tempo e o estou-em-baixo-de-forma, não consegui voltar às passadas largas. Finalmente nas férias, em família, consegui babysitter para a cachopa e lá fui correr com o Z.

F-A-B-U-L-O-S-O!!! Ahhh!… Damos uma passada, e pomos o pé à frente do outro e parece que os nossos pés lutam para ver quem chega primeiro, e o nosso corpo é arrastado sem sequer ter pedido, e lá vamos nós, e o mundo fica para trás, pequenino, pequenino, porque nós vamos a correr e a correr saímos de todas aquelas coisas que estão mal na nossa vida, porque o vento nos bate na cara e no corpo e sacode os problemas.

E fica difícil, queremos desistir, o nosso corpo fica a tremer, a perguntar, porquê continuar? E bate no chão com força a cada passada e olha para trás, mas está tudo tremido, só se vê para a frente, onde o vento limpa a cara dos cabelos que se soltam. E continuamos, resistimos, mesmo devagarinho os nossos pés não param, um depois do outro, a ver quem chega primeiro.

E de repente, correr deixa de ser fugir, e começa a ser um regresso. Ao meu corpo, ao que era, ao tempo para mim. A mim. Mim. Mim, mãe, meu, minha Maria. Mas esta volta é só minha e esta passada sabe-me a libertação. Em chamas, o corpo aos gritos, em busca de uma meta. Minha, única e pessoal. E de repente o que começou com uma partida, largada e fugida, é um simples regresso.

Ser mãe é o momento mais altruísta da vida de uma mulher (o mesmo será equivalente para um homem) porque é o verdadeiro escolher outro em detrimento de si. Quero muito pintar unhas. Mas tenho de trabalhar e quando não estou a trabalhar estou a cuidar do bebé, ou a dar banho à criança, ou a ajudá-la nos trabalhos de casa, ou a tratar da casa para haver roupa, comida e outros confortos básicos. E o tempo não chega para arranjar as unhas, o cabelo, correr, ler, e outros ócios. O tempo não chega. Vai chegando. Como quem sai para uma corrida e tem de voltar. Voltar.

Anúncios

Também quero dizer uma coisa

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s