Ainda as birras…

Fui à pediatra há uns meses e ela perguntou-me ‘e birras, já faz muitas?’ ‘Não, nem por isso’, disse eu muito orgulhosa. ‘Então é porque não é contrariada…’
Acho que não percebi o comentário completamente. Por um lado pensei, ‘porque é que haveria de fazer birras?’ Por outro parecia-me tão óbvio, ‘porque é que haveria de a contrariar??’ Bom, lá viemos para casa e os meses foram-se passando. E a minha querida filha foi-se instalando na prevista ‘idade/fase das birras’, que a médica, tenho a sensação de que com algum divertimento, tão sabiamente previra.
E de tentar não a contrariar tive de começar justamente a contrariá-la, fazer algumas caras de zangada, dizer que assim não pode ser. Ela abana a cabecita e diz, ‘não-não’. É muito fofinha a miúda. Mas faz asneiras, grita, finca o pé e a cabeça no chão e tem opinião. A malta crescida, claro, acha graça a primeira vez mas a partir daí desespera.
Pensei que o melhor seria levar a coisa a bem. Tentar rir-me (secretamente) das birras e na esperança de descontrair um pouco, evitar, quem sabe as birras consequentes das birras- para mim estas são as piores de todas. No meio deste meu esforço árduo de me rir disto, mas não pode ser no momento, etc., o meu querido irmão (é tão bom ter irmãos…) mostra-me uma página do Twitter que infelizmente não posso colocar aqui porque não tenho conta no Twitter e sinceramente não percebo muito daquilo, mas cujo conteúdo posso explicar. São fotografias de bebés a chorar, com a legenda do ‘porquê’ escrita pelos pais/mães em baixo. Assim à primeira vista parece um bocadinho sádico e estúpido, mas garanto que é demais!! Eu já estava agarrada à barriga de tanto rir. E acho que quem tem filhos a atravessar esta fase entende perfeitamente o conteúdo do álbum e ainda se diverte com o ‘comigo já aconteceu isto!!’
E se não acreditam, deixo-vos aqui duas pérolas: uma foto de um bebé com um dinossauro azul na mão e a chorar desconsoladamente. A legenda é: ‘disse-lhe que o seu dinossauro é azul’. Outra em que uma menina chora mesmo junto à lente da câmara e por trás dela vê-se o lixo revirado, e a legenda: ‘não a deixei comer comida putrefacta do lixo’.
Enfim, há um pouco para todos os gostos. Por cá quando ela chora e grita muito tento ajudá-la, perceber as suas razões e no fim, se fico impotente perante os gritos de alma desconsolada, tiro uma foto e gravo com legendinha 🙂 tipo ‘o coelho vermelho estava dentro da caixa dos legos’ seguido da sua carinha a chorar. E depois faço um álbum, decidi que de tudo o que na maternidade é difícil as birras podem pelo menos ser mais desanuviadas… Os problemas têm muitas vezes esta hipótese maravilhosa. Rirmo-nos a bandeiras despregadas na sua cara. Eles não gostam e às vezes até desaparecem…

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Medos

Já sei que já falei disto. E tenho de falar. Eu já era (um bocadinho) hipocondríaca mas parece que depois de a minha filha nascer dei todo um novo sentido aos (meus) medos. É mais do que ‘intensificaram-se’ ou ‘batem mais forte’. Depois do parto comecei a ter sonhos com edifícios a desabar, barcos que afundavam, janelas que se estilhaçavam em mil pedaços. Estava sempre com o meu marido, a MR com 2 ou 3 anos e mais 1 ou dois bebés. E geralmente só eu é que sobrevivia e acordava em pânico (isto tudo naquela hora e meia que conseguia dormir quando a minha filha era pequenina e mamava de 2 em 2 horas…).
Vou poupar-vos da descrição de todos os meus pesadelos, que já o meu marido se queixa que são piores que assistir a um filme de terror, mas preciso de pelo menos este para explicar o meu ponto de vista.
O tempo foi passando e de pesadelos passei aos ataques de pânico. Estava a chegar a algum lado, finalmente isto saía. Sim, hoje percebo que me deprimi. Deprimi e fechei-me de tal forma que ninguém conseguiu perceber. Ninguém conseguiu chegar até mim. E olhando para todo este percurso não foram os 9 meses com vómitos constantes diários, nem o parto que muito custa, nem sequer o dormir pouco que mais me assusta. É o estado psicológico em que me senti. Como um buraco, escuro, frio e assustador. É isso que é estar em pânico e ser hipocondríaco a tempo inteiro. É uma espécie de caverna onde sentimos que vivemos e de onde ouvimos todos os outros dizerem que aquilo não faz sentido, que venhamos para a luz e nós nem sabemos para que lado é que isso é.
Com sorte, e com trabalho, qual trabalho de parto, aquilo é só o começo, devia chamar-se ‘trabalho continuado do parto à maternidade pela vida fora’, mas enfim, eu percebo que se encurte, lá se vai curando algumas taras e manias, percebendo alguns medos, e a pouco e pouco, mesmo que ainda dentro da caverna, parece que em dias de muito sol se vislumbram uns raiozinhos de luz.
Ultimamente e com a memória de todos estes ataques tenho percebido cada vez mais que imensas mulheres se queixam de ter medo da sua morte depois dos filhos nascerem. E pergunto-me, será que tenho medo da morte ou de não sobreviver? Às vezes parece que é apenas isso que conta, conseguir sobreviver a um dia de cada vez.
Mas regresso ao meu sonho. Num edifício, todo de vidro, com o meu marido e 3 filhos (o meu grande desejo), à beira-mar plantado, com uns 5 pisos, e a perfeita visão de uma onda gigante a vir sobre nós, incapacitados de fugir, de nos proteger ou de nos salvar. E penso, aqui ao leme sou mais do que eu. Não sou um povo que quer o mar que é teu. Sou só uma mulher. E às vezes mais que o medo de morrer, é o medo de sobreviver e ter de ser capaz de enfrentar o monstrengo que está no fim do mar. Não há morte que assuste mais do que o monstrengo a rodar três vezes, aquele que nunca ninguém viu, que por isso todos temem. E essa maternidade que nunca ninguém viu nem sentiu até estar preso ao leme é uma permanente passagem no cabo Bojador. E novamente a dificuldade em respirar fundo. São as cordas que me atam ao leme.
Porque aqui ao leme sou mais do que eu, na noite de breu a minha nau no mar, manda este amor louco que me ata ao leme a conquistar este mar sem fundo.

Doenças

MR-‘Snif’
Eu-‘snif?! Ouviste-a fazer Snif??’
Z-‘hm, não me apercebi, acho que não.’
Eu-‘achas? Espero que não. Ela parece-te adoentada?’
Z-‘Não sei, agora acho que não, mas se calhar temos de esperar para ver.’
MR-‘Snif, cof, cof.’
Eu-‘NÃAAAAAAOOOOO!’
E ficou outra vez constipada. O inverno é isto. A minha madrinha diz que o primeiro ano de infantário é assim um bocadinho mais duro. E cá estamos nós, de volta ao fenistil, benuron, brufen, soro, aspirador nasal, aerossóis e muitos, muitos miminhos. Também muitos choros. Aquela anedota do pai que pede à mãe uma coisa e a mãe pede ao filho e o filho pede ao irmão que pede ao gato que coitado não pode pedir a ninguém, sabem? Quando as crianças estão doentes é ao contrário, o gato leva miminhos do bebé que leva miminhos da mãe, que trata de tudo e todos e no fim não leva miminhos de ninguém.
É o sabermos que temos a nossa mais que tudo doentinha, imaginar o que ela sofre, o não dormir para vigiar a febre, o não dormir porque ela não dorme, ficar em casa em vez de ir trabalhar (buaaaaaaá!), tratar de tudo com o bebé nos braços porque tão fragilizada que está que só quer colo, trocar de roupa porque tossiu e sujou a camisola, mudar de lençóis a cada 2 dias, uff, dá para ficares melhor que eu tenho de voltar ao trabalho para ter descanso, meu coração??
A sério, eu até reajo melhor às noites mal dormidas do que aos dias em casa com todos doentes. Já não sei o que fazer. A MR fica semana sim semana não doentinha. Está assim desde dezembro. E sinto-me cansada. Dizem que é normal e que ela está a ajustar as suas defesas naturais ao mundo exterior à sua casa e que eventualmente há-de tornar-se cada vez mais resistente. Este é o ano de volta-não-vai-ficas-em-casa, e computador é mesmo bom que seja portátil.
Recentemente desenvolvi uma teoria. Acho que as pessoas que têm famílias numerosas são mais do que pessoas a quem isso lhes aconteceu. Têm-no como filosofia de vida. Ou seja, é como ser macrobiótico. Não chega substituir a carne e o peixe por soja e seitan, é preciso comer sopa miso ao pequeno-almoço e pastéis de cebola e cenoura para sobremesa. Quem tem poucos filhos ou um filho apenas está num mundo e filosofia de vida diferente de quem escolhe estar sistematicamente a mudar fraldas, limpar narizinhos, a contar as estórias da Miffy vezes sem conta, a ver peças infantis e clássicos só adaptados para menores de 12, a dar sopinha à boca e a ter a casa e a vida permanentemente numa confusão. Mas a prova de quem pertence à classe das famílias numerosas ou não numerosas acho que é quando eles estão doentes. É nestes momentos que eu fico a pensar se sou mesmo doida e vou ter três filhos ou se já não aguento mais noites em claro… Que pergunto se o meu desejo é tão forte que valha os próximos 10 anos da minha vidinha a fazer turnos para vigiar criancinhas à noite. Suspiro. A natureza é sábia. Consegue tornar uma experiência tortuosa num conjunto de memórias e sensações gratificantes e até inebriantes, ao ponto de não só desfrutarmos dela (geralmente um pouco mais tarde) como até fazer-nos desejar repeti-la.
Até lá fico a pensar se vou ser daquelas optam pelo filho único e algumas liberdades um pouco mais cedo, ou se cedo ao desejo da família numerosa e tarefas diárias infinitas e intensas durante uns 12 anos… Como diz o meu marido, a grande diferença entre ter muitos filhos e ser macrobiótico é que a primeira é irreversível, não dá para experimentar ‘a ver se gostas’. Haja coragem…

Inveja

É muito raro o tema de conversa ser por aqui. Quer dizer, às vezes até é, mas assim naquela conversa do ‘ai é tão feio o que certas pessoas sentem…’ Pois já nós estamos sempre felizes com as nossas vidas e mesmo quando não estamos empenhamo-nos em alterá-las de modo que os maus sentimentos nem têm tempo de entrar nas nossas casas.
Pois com muita pena minha eu não sou assim. Sinto inveja. Até tenho uma expressão própria e que digo aos meus amigos, ‘ah, que invejinha boa..’ Quer dizer que é assim uma ciumeira por qualquer coisa que eles fizeram ou adquiriram. Mas às vezes vem aquela invejinha que não dá tanto para comentar.
Do tipo, aquilo que sentimos que nos falta por sermos naturalmente pouco satisfeitos com o que já atingimos. Por exemplo, quando comecei a namorar com o meu marido, na altura namorado, invejava os meus amigos e familiares que estavam naqueles casamentos recentes e já tinham 1 ou 2 filhos, ou caminhavam para isso. E até me envergonhava de contar-lhes as aventuras da noite ou as jantaradas e a barulheira que fazíamos em casa e festas e tudo, porque achava que o que eu dizia era tão ridículo à luz do tesouro que eles ali tinham. Tanto que até me deixou de apetecer gozar essa liberdade ou jovialidade ou lá o que era. Estúpida. Há coisas que não se podem gozar demais, e a diversão e farra são uma delas.
Exacto, é que agora eu tenho um lindo casamento é uma filha maravilhosa e de cada vez que alguém comenta, ‘não sei o que fazer este fim de semana, tenho saído à noite, queria algo diferente, já vi todas as exposições de jeito e está a chover, acho que vou procurar uma casa gira de chá..’ Ahhhhhhhhhhh! Dá para se calarem???? Não, não não era isto que eu queria dizer, eu sei, até parece mal, inveja é muito feio. Agora a sério, também quero ir. Vá lá. Eu porto-me bem. Quero ter um fim de semana para pensar o que vou fazer. Tipo, de manhã arranjo as unhas, não, não, leio um livro numa esplanada, depois vou a um museu, no fim do dia tomo um banho relaxante, não, vou a um SPA! E depois janto fora! E amanhã novo dia em branco!!!
Era espetacular. É que os meus dias são sempre entre fraldas, comida, roupa, sestas, mais comida, bolachas, mais roupa. Quando não estou a fazer isto, trabalho. E quando não estou a fazer nenhuma das duas estou na minha hora diária de pausa ou a dormir. Ou deixamos a miúda com familiares e vamos à nossa vidinha a dois. Eu não tenho o direito de planear a minha vida há 17 meses e 12 dias, p’raí…
Novamente, eu adoro isto. Foi isto que eu mais desejei e invejei há 2 anos e tal atrás. Podem não acreditar, mas eu até chorei enquanto esperava para poder engravidar. Mas eu confesso. Tenho inveja. Não que queira mudar de vida, mas que se pudesse, sem consequências, experimentar aqueles programas de solteira outra vez… Ui…
E reparem, nem é algo impossível na minha vida, e é por isso que eu invejo. Eu não posso ter aquilo todos os fins de semana, mas se me organizar posso ter um bocadinho disto de vez em quando. Talvez seja essa a razão de sentirmos inveja. Nós sabemos que é algo que se nos esforçarmos um bocadinho podemos conseguir ter. Ou podemos invejar alguém que com condições muito próximas das nossas está, aparentemente, muito melhor.
Talvez o inverno não ajude. Nesta quadra os miúdos andam sempre adoentados e é uma alegria no desmarcar de programas. Mas no verão o bom tempo chama mesmo as famílias para a rua e parece que as crianças são donas dos parques, jardins e fontes. Lá para o verão vingo-me deste mau tempo triste e ponho-me por aí de mãos dadas com a minha piolhinha 😊 Nesses dias de verão, a ver famílias felizes, fico outra vez invejosa. Das famílias numerosas e barulhentas. Mas essa solução, dado que já nos iniciamos nisto dos filhos, até é relativamente acessível. E se me apetecer, cedo à inveja 😉

Birras

E começámos! Ahhhhh! ‘Começaram, pois, estão só a começar!’, diz toda a gente. Eu sei. Aparentemente é assim com tudo. Dentes, ‘ui, isso é só o começo!’. Mexe em tudo, ‘Humpf, prepara-te!’. Já tem opinião, já sei, está só a começar. Felizmente passa lá para os 18, não? ‘Hahahahhaahaha, não, aí estará só a começar…’. Suspiro. E mesmo assim ainda há malta que teima e ateima em ter criancinhas. O que é que nos deu? Acho que isto é como na anedota, só pode ser amor, que interesse não lhe acho nenhum…
Enfim, é preciso fazer aqui um parêntesis para dizer que amo a minha querida filha. E não há nada que ela possa fazer que me faça ficar farta dela, mas às vezes fico a apreciar o facto de esta tarefa se ter revelado ligeiramente mais dolorosa do que a imaginava. É só isso.
E agora que entrou nas birras, oh!, salve-se quem puder. De manhã acorda e em vez daquele sorriso lindo com que nos presenteava com 6, 7, 8 ou 10 horas de sono, agora abre o olho e grunhe, ‘hmaaann!’ Ok, nós tentamos, ‘olá coração, olá fofinha, meu amor, meu tesouro!’, respostinha: ‘AHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!’ Não há direito…
É a toda a hora. Quando se senta para comer a papa, logo aquele som agudinho. Para vestir o casaco leva até a coisa ao nível seguinte e chora. É de facto razão para isso. Vamos para o carro grita. Pede bolacha, ‘BA-BA-BA-BA-BA!!!’ e um grito. Pede uma coisa e não a recebe, grita e atira-se para o chão. Sai do banho, grita e chora. Jantar, não come.
Mas pior de tudo, pior, pior, pior… É que à hora de deitar não quer dormir. E minha querida filha, perdoo-te o mau feitio, que enfim, não digo que sejamos os mais rectos exemplos, mas retirares-me aquele bocadinho de sofá do meu dia, o meu golinho de chá enquanto desligo o cérebro mergulhada na televisão, o meu desabafo escrito recostada na minha chaise-longue, mesmo que tenha de aguentar, fico pelo menos mal-humorada…
É que aquele bocadinho à noite é o meu pedacinho de céu. É o pôr em dia uns assuntos gerais, olhar para a agenda vazia e fazer uns planos, pensar que a chávena de chá compensa a água que não bebi durante o dia, descansar as costas dos 8 kg de um lado e os 5 kg da mala do outro, pensar que eu e o meu marido temos durante 1,30h por dia uma relação razoável, vá, de 2 pessoas que são casadas.
Em vez disso são 1h ou 1,30h de bebé cheio de sono, a espernear, gemer, ginchar, pedir água, colo, chamar a mãe, chamar o pai, levantar-se, deitar-se, dizer as partes todas do corpo, fazer o cão e a vaca, e dormir népia! Nas últimas noites teve de ser uma sanduíche de bebé entre a mãe e o pai de pé a embala-la, porque não se decidia sobre o colo que queria, a cantar a média voz até sucumbir de exaustão… A vantagem é que fica tão cansada das suas próprias birras que dorme até de manhã. Nós… Também. Deitamo-nos logo depois dela e já só acordamos no dia seguinte. Ahhhh, mal posso esperar pela fase seguinte…

Ritmos

Já escrevi posts sobre este tema e sinto que mais hei-de escrever. Os ritmos são, cada vez mais acredito nisto, tão essenciais à sobrevivência como a sopa que vai para a mesa. Fazem tão bem à nossa saúde mental como horas de terapia. E sair deles é tão delicioso como comer um gelado num dia quente de verão. O maior inimigo dos ritmos são as férias e as doenças. E o maior amigo são os infantários.
E a nossa querida mais-que-tudo, esteve, infelizmente, doentinha na época da passagem de ano, para infortúnio de todos, que bebemos um golinho de espumante e desejámos 12 coisas ao mesmo tempo que empurrávamos uma macheia de passas de uva pela goela a baixo, para logo a seguir irmos dar colinho ao bebé que estava entupido, não conseguia dormir, etc. Felizmente não foi grave, mas foi chato.
Mas chata ficou a caganita depois de tudo isto passar. Passou a gripe, passaram 2 semanas, ao todo foram 3 em casa porque já levava uma das férias, passou-me a mim o vírus que me deixou um dia inteiro em ‘limpezas de primavera’, e passou também para a fase das birras.
Eu e o meu marido também nos passámos, várias vezes, e um com o outro, e por fim caímos na cama, no domingo à noite e dissemos, ‘Precisamos da M.’ Não, não é aquela do 007, é a primeira letra do nome da ama da criancinha.
É que as crianças precisam de ritmos. Eu, a maior defensora, até aqui!, de deixar as criancinhas com as mamãs em casa até aos seus 3 anos, sou, agora!, a primeira a gritar, ‘INFANTÁRIO!’, de lágrimas nos olhos, de felicidade, claro! Os infantários põem os meninos todos a comer ao mesmo tempo, conseguem que eles durmam a sesta, mesmo quando não dormem em casa, conseguem que eles comam o reforço a meio da manhã, o almoço e o lanche, sem grandes fitas, ou gritos, até conseguem pô-los no bacio sem choradeira, aprendem a falar mais, fazem jogos, cantam, pintam, brincam, estão a ver onde eu quero chegar??? É que os argumentos não se me acabam… Em casa, por MUITO que me custe admitir, os meninos e as meninas, gritam, fazem jogos, mas é dos psicológicos, com os pais, não comem, não dormem, enfim, pelo menos cá em casa é assim. E atenção, eu tenho uma filha que é um anjo! Ela pouco refila, dá miminhos, anda sempre perto de nós, e apesar de não dormir grande coisa lá dorme 30 min e come 1 concha de sopa ao almoço ou jantar. Mas realmente no infantário é vê-la.
De modo que hoje, querida segunda-feira, enquanto o resto da população, sem filhos, estava em depressão por regressar às secretárias e computadores, eu estava em pulgas, feliz, cheirosa, animada. Até a minha filha se entregou aos braços da ama, talvez também achasse que precisava de tirar um tempo de nós, os chatos.
E volvidos a casa lá estava outra vez a nossa menina a passar a porta connosco, pedindo colo, ajudando a preparar a sopa, jantando mais ou menos e caindo na cama às 21.30h. Oh querida M., és tão mais preciosa que a do 007. Que saudades tivemos de ti!!