Mezinhas

Este primeiro ano da MR no infantário tem sido difícil. Bom, tudo corre dentro da normalidade mas até a normalidade pode ser difícil. A MR dorme menos de noite, fica muitas vezes doente, eu acabo por ficar mais vezes com ela em casa, mas no geral, felizmente, é tudo um bocadinho melhor, apesar de tudo trabalho efetivamente mais, tenho mais tempo para mim, mesmo que considere que o tempo não chega, ela está mais calma, sabe mais coisas, vai ao bacio, come sozinha, tem desejo da sua autonomia, etc.
Mas a parte que passou ali quase despercebida no texto é de maior importância. Fica mais vezes doente. Pois. E nós também. Enquanto ela está doente eu fico muito preocupada, e sobretudo concentrada, em ajudá-la, mas assim que melhora, é certo e sabido, caímos que nem tordos, geralmente eu sou a última mas lá acabo por adoecer também. Nesta temporada já tomei antibióticos 2 vezes… E se há coisa que odeio é ter de tomar medicamentos. No meu sistema de hipocondrismo sentir sintomas de doenças é o suficiente para ir a correr ao médico, sejam que sintomas forem, mas depois de lá entrar já não é preciso nada, obrigadinha, mas afinal passou-me tudo só de olhar para a sua carinha… Mas depois não pode ser só assim, ah não! Quem vem aqui sai aviado e por isso vamos lá a tomar o xaropinho que é bom para a tosse, literalmente.
Pois desta vez a MR apanhou uma constipação ligeira e eu achei que nos íamos aguentar todos muito bem. E aguentámos, todos menos eu que quando a MR finalmente melhorou lá me deixei ir abaixo e fiquei outra vez toda entupida e constipada, e pior, com os temidos pontinhos brancos na garganta, os tais que o sr. Dr. diz que são o suficiente para levar antibiótico. É que como hipocondríaca tenho muito medo das doenças, mas mais receosa fico de efeitos secundários, excessos de medicação, misturas perigosas, resistências e imunidades a medicamentos, etc. Enfim uma maluqueira pegada. Mas não consigo evitar pensar no facto de que tomar antibiótico muitas vezes seguidas faz mal. E faz mal a várias coisas ainda por cima. E por isso queria muito evitá-lo.
De modo que me agarrei à única ciência que me restava, as mezinhas… E não são poucas. Então é assim, para constipações e dores de garganta, recomendações gerais, consentidas por todos, dormir bem, resguardar do vento e frio, sobretudo o peito, evitar correntes de ar e diferenças de temperatura, beber muitos líquidos. Quanto às específicas há muitas, muitas mesmo, cada um diz a sua, há até quem contradiga e refute o que outros disseram, mas todos apresentam um truque ligeiramente diferente do outro. Então é assim, xarope de cenoura caseiro para a tosse, cebola no quarto para dormir melhor, chá de cebola, chá de gengibre, chá de limão, laranjas, mel com limão para beber quentinho antes de ir deitar, bochechar com mel e limão, pastilhas strepsils, rebuçados halls mel e limão, mucosolvan, vicks nos pés antes de ir deitar (eu sei eu sei, mas é o que se diz…), bochechar com hextril, nasorinathiol, anti-histamínico, ibuprofeno, vitamina C, chá de Poejos, aguardente, água do mar, muito soro, enfim… Isto nunca mais para…
Pois, decidida mesmo a não tomar antibiótico, senti-me no dever de fazer minhas as resoluções pessoais de todos, de modo que, pelo sim pelo não, fiz todas. Todinhas, menos a da aguardente, e quanto ao chá acabei por fazer um com todos os ingredientes. De resto, foi tudo. E algum coisa isto há -de resultar, nem que seja ocupar tanto o meu tempo que a minha cabecinha se deixa de pesar em tontarias.

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Diz-me como te vestes…

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…dir-te-ei se tens filhos. Desde que engravida, uma mulher altera para sempre o seu guarda-fatos. Roupas confortáveis, mais largas, depois a criança nasce, anda mais uns meses a só poder vestir camisas e t-short especiais de amamentação. E entretanto a criancinha cresce, começa a dar os primeiros passos, mexe em tudo, suja as mãos, já come comidinha sólida e em pedaços e abraça- nós depois de duas garfadas limpando a sua doce boquinha no nosso ombro. E passamos à fase 3 da roupa de uma mãe. Os padrões.
De preferência que sejam florais. É que não há muitas hipóteses, ou bem que a mulher anda cheia de nódoas ou bem que não anda muito com a criança, e por isso aqui não se trata tanto de evitar a sujidade mas sim de disfarçar. E não vale a pena trocar de roupa quando vamos sair de casa porque no último minuto ela pôs a mão na papaia e depois e depois agarrou a nossa saia, enquanto mudamos de saia ela vai sujar o sapato, ou se fomos a correr lavar-lhe a mão antes disso já sujámos a camisola…
Bom, não estou exatamente a tentar promover a sujidade, nem sequer o desleixo, e não pretendo apoiar a comunidade de mães dos subúrbios que levam os filhos à escola de pijama ou que não trocam de camisola porque só tem uma nódoa… Mas de facto não tenho armário nem gestão de roupa em casa que aguente o andamento da minha filha. Cá em casa todos os dias lavo toda a sua roupa. A minha única benesse é no inverno não ter de lavar as camadas intermédias entre a roupa interior e a exterior, todos os dias. Mas é só. A roupa do Z tem de ser lavada todos os dias, porque enfim, os homens suam e têm odores que as mulheres não emanam de todo, mas até a mulher aqui de casa já entra na lavagem de roupa diária pois entre o pequeno almoço e o jantar lá fica o registo da ementa da MR na minha roupa da cabeça aos pés e às vezes até sapatos…
E no final do dia enquanto escolho a roupa para o dia seguinte, lá ando eu loucamente na secção dos padrões a tentar encontrar o que vestir. Às vezes só da vontade de vestir uma saia às manchas, com um casaco às flores e umas meias às riscas. A combinação seria terrível, mas o resultado seria fabuloso. É assim como encontrar roupa camuflada. E nesta arte de camuflar não há realmente como as cores para disfarçar desde a mancha de papa, ao pingo de manga, à sopa rejeitada. Neste caso não seriam rosas, mas são as flores senhor, são flores.

Rato da cidade

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Vivo, sempre vivi e só me vejo a viver na cidade. Aparentemente aquelas coisas chatas de que toda a gente se queixa eu adoro. As luzes a baralhar os passarinhos às 2 horas da madrugada, o barulhinho de fundo dos carros a passar, sempre ligado, a máquina de lavar roupa da vizinha a trabalhar depois da meia noite, o sino da igreja a tocar, alguém que regressa do café às 22h, o vizinho constipado, enfim… Podia ficar aqui até mais não e havia sempre de me lembrar de mais uma distraçãozinha… Mas há quem goste, quem se adapte e acabe por aprender a viver nesta chamada selva urbana.
Mas se há coisa que todos gostam, mesmo os amantes da azáfama da cidade, é da visita ao campo. Aparentemente é para todas as idades, os mais novos podem pular e brincar, os jovens passeiam, os pais respiram ar puro, os mais velhos curam o reumático e recordam os bons velhos tempos.
A minha querida madrinha tem aquilo que se chama um paraíso na terra. Uma casinha perto da Serra, com árvores à volta, um caminho atrás da casinha, toda em pedra, recuperada, com árvores de fruto, tem limões, diospiros, medronhos, pêssegos, avelãs, bolotas, tem uma piscina, e cama de rede, tem lareira e forno a lenha, a casinha está lá no cimo, numa terra sem correios, nem bombeiros, nem cinema, nem supermercado, só a casa do povo e um café, de manhã o sol entra pelas janelas e de noite não há pingo de luz. É o paraíso.
Este fim de semana estivemos todos lá em cima, decidimos aproveitar o Carnaval e fugir da correria da cidade. Dorme-se melhor, respira-se bem, a comida é mais saudável. Todos os ratinhos da cidade se transformam em ratinhos do campo e adotam os seus métodos de vida. A MR adorou. E é de facto adorável. E eu adoro estas idas de grupo… Mas o meu ratinho da cidade nunca se consegue converter ao primo do campo. O inverno consegue sempre ser mais aprazível que o verão pois a bicharada foge um bocado, mas como a razão da fuga é o frio, aqui para o ratinho da cidade a solução é mesmo enfiar o rabo dentro da lareira e rezar para que ninguém dê por mim enquanto tento assar viva para não sentir o frio. Já o estar na rua é para mim uma atenção constante a posicionar-me no meio do grupo para ver se não vem lá um cão, ou se não passa uma abelha demasiado perto dos meus ouvidinhos, zum-zum, que aflição! Pelo meio encontramos um rebanho lindo com um pastor a tomar conta, a MR a gritar de entusiasmo, ‘mee-mee-mee’, e eu a tentar desviar os olhos das ovelhas a ver se nenhuma decide investir, ‘sim, é o mé-mé, aí que lindo!’, digo eu muito calminha, e o passeio prossegue comigo a afastar-me de galinhas ou a saltitar para aquecer e sobreviver ao frio rigoroso do vento do Norte. De noite cai um silêncio profundo. Não fosse a casa estar cheia não ficava aqui de certeza, que medo, e tão concentrada que vou na estranheza nem me lembro de pensar que os perigos que receio pertencem à cidade e vozes de burro não chegam às portas do céu, lá tudo adormece em descanso e respiração profunda e ainda estou eu a imaginar os sons da auto estrada para fechar os olhinhos.
Mas tudo isto é o meu mau treino desta paz de espírito por todos desejada. Os dias acabam por voar, a caminha parece ter qualquer coisa que nos faz dormir melhor, a sinusite regride e a alma faz as pazes com o mundo. O meu ratinho da cidade, teimoso e incapaz de o admitir, sai sempre melhor do que quando chegou e parte sempre infeliz por chegar a hora da despedida.
Este pedacinho é mesmo um bocadinho de céu, e até para os mais céticos ficam as saudades dos cheiros, da luz da lua e do som do rebanho a passar de manhã. Lá se volta aos computadores, luzes e sons da cidade. O sobressalto da cidade instala-se nos pulmões purificados e retomam-se os velhos hábitos. Pelo menos adormecer é mais fácil com o ribombar de sons que neste regresso até parecem intensificados. E embalada pelos carros fecho os olhos devagarinho… Meu ratinho da cIdade… ❤

Noites

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Toda a gente sabe ou parece saber o que fazer nestas situações. Diz que é deixar o bebé chorar um bocadinho na cama, ou dar leitinho à noite que dormem melhor, ou já não há nada a fazer porque nós, as mães, os habituámos mal na nossa cama ou porque não os ensinámos a adormecer sozinhos. Também há a versão extrema de acreditar que uns nascem assim, para dormir, e outros nascem assado, não gostam de dormir.
Bom, eu gosto de acreditar que há de facto um ensinamento que é possível aos bebés ainda que também acredite que existe uma pré-disposição de cada criança que não é digamos, uma tela em branco.
Pois a minha querida filha nunca foi um bebé de ficar a chorar de noite, ai que bom!, que bom!, que bom!, mas também nunca, nunca foi aquele bebé que eu deitava na caminha às 22h e às 6/7/8h lá acordava (chiuf!).
De modo que quando a caganita acorda lá vou eu aos tropeções aos cantos da casa e pego nela com carinho. Quer mimo. A qualquer hora do dia ou da noite, acorda, quer conversar, quer passear, eu digo faz o-o, e ela responde, ‘o-o’, depois eu digo, shhh, temos de dormir, entretanto o Z. ressona e ela diz, ‘papá’, sim é o papá, agora faz o-o, entretanto o pai acorda, levanta-se, assoa-se e ela grita ‘no-no’, sim é o nariz querida, dorme, vá!, ‘muuu ‘, oh!, não é a vaca, é vá! Enfim, já estão a ver a conversa.
Bom, acabo por ficar com dores de costas, e cheia de sono e levo-a para a cama comigo. Deita-se para um lado depois para o outro, depois destapa-se, depois pega na minha mão, rabinho para cima, barriga para baixo, por fim fica exausta e adormece. E eu também. De manhã ela está fresquinha e eu nem sinto metade do corpo de dormir sempre para o mesmo lado, cheia de cuidado com ela, exausta de estar sempre a acordar para a ver…
E realmente quando me levanto ko nem posso ouvir alguém dizer que lhe dei demasiado colo em pequenina ou que a devia ter deixado no berço até parar de chorar (a sério, isso existe?). No entanto não posso deixar de me recordar da primeira vez que levei a minha filha à pediatra. Enquanto estava na sala de espera uma mãe que tinha dois miúdos de volta dela olha para mim e diz-me, ‘é mãe de primeira viagem, certo? Bom não vou esperar pela resposta, vejo que sim, na forma como olha para a sua bebé, como reage a cada inspirar e expirar. Vou dizer-lhe uma coisa, com o meu primeiro filho eu reagi a cada som dele, ia a correr, literalmente, vê-lo e pegá-lo, e acho que o meu nervosismo o tornou a ele mais ansioso. Com o irmão fui bastante mais descontraída e a até o deixo chorar um bocadinho antes de o ir buscar e a verdade é que ele chora menos, é mais calmo e não tem tanta ansiedade. Se me tivessem dito isto na altura do meu primeiro filho eu não teria acreditado, mas adorava tê-lo feito.’
E acabo por recordar aquela conversa e concordar que apesar de que nunca concordaria em ter deixado a minha ou nenhum outro bebé chorar até se calar, podia não ter ido a correr. Podia não ter ido de coração nas mãos a pensar ‘O QUE SERÁ??????’ Como se pudesse sempre ser o pior. E tenho de concordar, só para mim, que podia ter sido menos ansiosa o que poderia ter deixado a minha querida filha um pouco mais calma nesta forma de acordar de noite, ou noutras.
Mas também não me parece que poderia ter sido a mãe da minha primeira filha como se ela fosse a minha segunda. Posso apenas pensar sobre isso e tentar melhorá-lo 😉