Ok!

Então basicamente já retirei o penso, retomei a ‘normalidade’ da vida e o mais importante de tudo, como estava este ouvidinho? Ótimo! Intacto! As good as new! Ahhhh!!! 🙂 agarrei-me ao médico que ficou um bocado perplexo. Fui rápida no abraço, mas não contive as lágrimas.

Eu explico, desde os 2 anos que fazia muitas otites. Aos 8 anos tive uma perfuração e desde aí fiz tratamentos para evitar a propensão a otites, tive imensos cuidados no banho, não podia mergulhar em piscinas, etc. A boa notícia é que o tímpano foi fechando e decidiu-se não operar. A verdade é que o tímpano fechou uns anos mais tarde e portanto, tudo ok, podia fazer a minha vida normal. Fruto de ter estado tantos anos em cuidados no banho para não entrar água para os ouvidos, aprender a nadar sem molhar os ouvidos, acabei por manter alguns desses hábitos mesmo sabendo que estava tudo bem. Acontece que fiquei muito tempo sem ir ao otorrino, nos anos de final de faculdade e nos anos em que comecei a viver sozinha, quando finalmente no ano passado fui fazer um check-up recebi a notícia de que o tímpano estava perfurado e quase não tinha tímpano, aliás. Afinal parece que depois do tímpano ter fechado naturalmente bastava um assoo veemente para o romper novamente.

Bom, ao longo destes anos fui perdendo audição, no ouvido afetado, mas achei sempre que eram memórias da perfuração. Afinal era a dita perfuração. Tanto que ao deitar-me numa almofada em cima do ouvido ‘bom’ deixava de ouvir qualquer som que não fosse um bocado alto.

Pois quando o médico me disse que estava tudo ok, imaginam o que senti. Foram 25 anos de ouvido por resolver e tudo ficou como que arquivado de uma forma muito positiva. Vim o resto do caminho a chorar e a mandar mensagens aos amigos todos e família, ‘tenho o ouvido bom, tenho o ouvido bom!!’. Foi mesmo muito especial.

Mas depois de tirar o penso também comecei a ouvir ligeiramente melhor. E um dia estava deitada na almofada, em cima do ouvido que ouve melhor e o Z. sussurrou. E eu ouvi. E desatei a chorar. Parece um bocado exagerado, não é que eu tivesse ouvido pela primeira vez, mas a verdade é que nunca mais pensei em voltar a ouvir melhor. E de repente ali estava eu a ouvir sons numa posição em que tal me era impossível há 1 mês. Desatei a chorar e a rir. E aos beijinhos ao Z.

E de repente até dei razão ao descontraído do meu médico. Isto foi quase assintomatico. Sobretudo nesta relação custo-beneficio. Vivam os tímpanos saudáveis. E eu tenho dois 🙂

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