Desejo

Por vezes há posts que são alvo de comentários que evoluem para outros posts numa troca de conversas, experiências e partilhas tão interessantes que rompem a sua dimensão de anotações e ganham corpo. Tenho tido uns momentos bem divertidos, completos, pedagógicos e inspiracionais com a Clara L. Desta vez falou-se de um tema que abordei pouco no meu blogue, simplesmente porque quando o criei já tinha passado. O desejo de engravidar.

Para quem está de fora pode parecer que é uma coisa tão simples, ou tão louca, mas para quem o vive a sensação é um pouco diferente. Bem sei que sou uma pessoa (um pouco) nervosa e ansiosa mas nem tudo se justifica com esse par de jarras. Eu namorava com o meu agora-marido quando  senti um desejo profundo de ser mãe. Nem sei se lhe posso chamar desejo. Caiu assim de repente. Eu queria ser mãe. E isso não era só uma coisa que a minha cabeça dizia, todo o meu corpo reagia. Sentia o peito pulsar quando via/ouvia bebés, o meu corpo modificava-se, só pensava nisso, invejava os casais com filhos, sentia que a minha barriga estava a fazer o ninho. O meu corpo dizia que era hora. Dizia não, gritava.

E percebi, senti, desejei ter imensos filhos. O meu maior desejo era começar logo com gémeos (felizmente comecei mais devagarinho), e parecia enlouquecida, o meu corpo queria engravidar. Uns meses depois casámos e à primeira tentativa eu engravidei. Namorámos 1 ano, casamos e em 1 mês eu estava grávida. Ao fim de pouco mais de 1,5 anos de relação tínhamos uma filha nos braços. A minha gravidez foi super conturbada, apenas por ter estado mal-disposta e com náuseas durante 9 meses (mas muito intenso durante os primeiros 6). Eu enjoava a conduzir, andava sempre com um saquinho comigo, eu enjoei o meu hálito! Enfim… Mas estava cheia (de desejo).

Quando a minha filha nasceu vieram as dúvidas, as verdadeiras dores, são as de pós-parto, as incertezas. E nessa altura o meu marido que tinha aderido ao meu desejo, sentiu que ele podia não estar preparado para uma coisa tão grande. Ao sentir as minhas incertezas ficou perdido. Se aquele era o meu maior desejo e eu não sabia o que fazer, então o que seria dele que nem tinha desejado aquilo em primeiro lugar…

E foi difícil gerir as minhas próprias frustrações face a tanto desejo quando a realidade fazia tiro ao alvo com a minha cabeça. Senti o medo terrível de não conseguir ter coragem para voltar a ter filhos (queria e quero tanto ter 3). E senti um medo terrível de não conseguir recuperar com o meu marido o que já tínhamos e o que ainda tínhamos por construir. Tudo o que ainda não tínhamos viajado, namorado, conhecido e percorrido. Ele perguntou-me onde é que estavam essas coisas e eu não conseguia responder-lhe.

O tempo vai passando e vai arrumando a casa, e de repente os quartos vazios ficam cheios, e as paredes recebem quadros e a mobília vai-se conjugando. São raras as situações na vida em que podemos ‘ter tudo’ sem optar, sem ter de fazer concessões. E nós cedemos nas viagens e no tempo de namoro porque eu não me via capaz de ter o meu primeiro bebé depois dos 31. Não queria começar demasiado tarde. E por isso achei que poderia viajar com a minha família, os meus filhos, e eventualmente a 2 também, mais tarde. Achei que queria viver a minha maternidade na fase em que me sentia profundamente enérgica, em vez de empregar essa energia no trabalho, diversão e passeio. Foi uma opção. E ainda que eu tenha sido mais influente, tomámo-la a dois. Agora confesso que me sinto absolutamente preparada e com desejo de voltar a engravidar (longe ficaram as memórias das dores de parto). Mas entendo que tenho de esperar pelo meu marido, no que ele tem direito de poder escolher o que é que cedemos desta vez. Porque o equilíbrio é difícil, não chega o amor, nem a paciência, nem a tolerância ou o respeito. É preciso tudo isso é um bocadinho de sorte na vida também.

E dessa não me posso queixar. Faz bem chegar ao fim do dia e arrumar ideias, pensar ‘sou abençoada.’ Seja por que energias do universo, mas tenho uma vida confortável, bonita, com pessoas maravilhosas e saudáveis à minha volta. Tenho conforto, casa, carro, água e comida quando preciso. Parece básico, mas se tanta gente no mundo não tem, devemos agradecer por termos. E tenho amor, e cada vez mais disponibilidade. Posso recuperar os pedacinhos que ficaram por gozar nos tempos de namoro. Para já marcámos um fim de semana romântico a dois, em território nacional. O resto a seu tempo…

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Coisas sérias

Ainda sobre o post anterior e a vontade/saudades de estar com amigos, numa onda nostálgica passeei por álbuns de fotografias guardados no computador com 2/3/4 anos, e descobri imensas pessoas de quem me afastei imenso, ou que se afastaram, e com quem há muito tempo não convivo. De repente, vi-me nas fotos também e achei que estava super descontraída. Fazia montes de festas, jantares, eventos, chamava toda a gente e toda a gente vinha, até quem eu não tinha convidado. Isso era uma coisa boa. E a olhar para o meu ar feliz pensei, ‘quando é que eu me tornei tão séria?’

Acho que foi esta coisa da maternidade. Vem assim de repente, começa a ocupar espaço no nosso corpo e na nossa vida, até que de repente esta cá fora, é um serzinho, e nós nem sabemos bem o que fazer com aquele bichinho…  O que é isso de ser mãe/pai? É mais do que as tarefas todas que nos ocupam o dia, é uma pergunta para a qual não tenho resposta. Talvez tenha achado que tinha conscientemente de me tornar mais séria, ser mãe, para além de fazer comida e dar banhos, é também ser responsável.

Ultimamente as minhas amigas e familiares começaram a casar-se. Fui mais ou menos a primeira e depois em 2 anos fomos a uns 5/6 casamentos. Sempre gostei de casamentos. E sim, quando os noivos se beijavam lá me emocionava e imaginava como seria um dia ser a noiva. E casei-me. E foi lindo. Um dia perfeito, como eu pensei, qual sonho de princesa transformado em realidade, até casámos num palácio. E entretanto engravidei e fui mãe. E foi-se instalando uma mágoa nos casamentos, uma lágrima que é mais que uma emoção, traz um ligeiro aperto no coração. De repente, em vez de olhar para a noiva e para o noivo e me emocionar com a beleza do seu amor, olho para a mãe da noiva. Oiço as suas palavras. ‘A minha princesa! Ainda ontem era um bebé. Passa num instante’. E fico em pânico a olhar para o meu bebé de quase 2 anos, a pensar em todas as queixas que fiz para que crescesse e deixasse de acordar de noite e agora…. Quero ter sempre este cheirinho ao acordar, este pedido de colinho, este abracinho que acha que somos o seu mundo. Eu!! Eu que disse que não seria uma saudosista e que não teria mágoa a recordar os tempos de fraldas. Agora tenho um bebé crescer, linda, saudável, que quase não acorda de noite e está quase a deixar as fraldas…

Dizem as pessoas mais velhas ‘muita saúde para a ver crescer’. Desde que a MR nasceu que me tornei imensa e profundamente hipocondríaca. Sim, já era um bocadinho nervosa, mas depois do seu nascimento ganhou nova e gigante dimensão. O medo de doenças/morte instalou-se em mim dominando por vezes o meu dia, controlando a minha vida por mim. Nos comentários aos meus posts escreveu recentemente C.L., profissional da área de saúde, que geralmente quando as pessoas têm fobias estão a processar medos que não conseguem pensar doutra forma. E percebo. Olhando para a minha filha o meu maior desejo é não perder pitada. Ver tudo. Todas as fases deliciosas do seu crescimento, o seu desabrochar, as suas conquistas, a sua escolaridade, o seu profissionalismo e a sua maturidade, e sim, a sua maternidade. E de repente lembro-me das palavras da Marta, do ‘Pico Pico’, é maravilhoso vê-los crescer e deixar de os ter aos ponta-pés na nossa cama todas as noites, mas quando deixam de o fazer começam a instalar-se as saudades… Ser mãe é isto.

Amigos

Temos a nossa família. Gostamos mais ou menos dela, somos muitos ou poucos, há sempre uma ovelhita tresmalhada e no geral lá vem o Natal onde se perdoa todo o passado e se renovam as zangas do futuro. Zangamo-nos com eles como com ninguém e amamo-los como a ninguém. É a família. É o que é e não se escolhe. E há amigos que se tornam família, têm tudo o que a família tem mas foram escolhidos por nós, e há os outros que são só os amigos, das farras, das conversas, das saídas, de alguns desabafos, de jogos, dos grupos e das fotografias.

Aviso prévio: não estou em momento nenhum deste texto a fazer um julgamento negativo ou desdenhoso de grupo algum. A questão até é mais de alguma curiosidade. Não entendo nem nunca consegui ter aquele terceiro grupo de amigos. A malta das fotografias. De repente olha-se para o lado nem se sabe bem como, mas o Pedro e a Mariana chamaram o António, que trouxe o Joaquim, que ligou à Marta, que trouxe o irmão que puxou pela mão a Joana e na foto -que temos mesmo de tirar ou nenhum de nós se lembrará disto!- aparecem 15! 15! Que cena… Nunca consegui… Lá me fico pela família, que sempre gostei imenso desse conforto, e pelos meus amigos que cabem nos dedos das duas mãos que considero família. Com zangas, amores, choros, saudades e por aí fora.

Sempre me dediquei muito à escola e às minhas notas, lá me dedicava também ao namoro, na faculdade pouco tempo sobrava porque ainda por cima dei aulas de sevilhanas e flamenco, saí de casa, tinha de trabalhar, tinha pouco dinheiro, depois encontrar o meu marido, namorar, casar, engravidar e nascer a minha filha. Desculpem a lista exaustiva, mas é que não tive muito tempo para as farras, ou saídas ou essas cenas de grupos por estas opções de vida. Ou isso ou realmente nunca foi o meu género. Mas este foi o meu caminho. E agora com a MR a fazer quase dois anos, a retomar horários, a atingir finalmente alguma estabilidade nesta sempre nova família de três, tirei a cabeça da cova e perguntei a mim mesma, onde estão os meus amigos? A minha vida social que eu adorava, mesmo sem festas, das conversas, dos mimos, dos filmes no sofá! Que saudades!! Sei que parece cliché, mas fui ao ‘amigo’ Facebook e comecei a ver amiguinhos, que é feito deles? Inevitavelmente vi as fotos de grupo, de todos de mãos no ar, cabelos ao vento, altos e longos sorrisos.

Pronto confesso, fiquei a pensar porque é que não tenho aquilo. Fiquei de repente cheia de saudades de sair do trabalho ligar a alguém e dizer, vem jantar comigo hoje. Mas eu já não sou ‘eu’, sou uma data de coisas. Sou arquiteta, sou mulher, sou mãe, sou esposa, sou filha e neta, irmã e prima, sou afilhada, sou tanta coisa que parece que fica muito pouco tempo para qualquer outra. Liguei a uma amiga minha e quis o universo dar-me o presente de um encontro marcado em cima da hora, atirei-me a ela aos abraços e queixumes, ‘estou cheia de saudades, quero fazer uma coisinha nossa, sair conversar sem ser só em família, não sei, um bocadinho de nós, só, mais ou menos como “dantes”. Ela deu-me aquele sorriso doce dos amigos-família e anuiu imediatamente como se eu nem tivesse estado ausente nos últimos 2/3 anos.

Sim, de repente deu-me saudades de sair da toca, estar com amigos, do prazer de conhecer gente nova e de ter várias intensidades de amigos. De ir ao teatro e passear, de ir a um Museu ou sair para dançar. De ser convidada para programas com o marido e a filha, sem eles, ou só com o marido. Essa coisa que é o social é a maior conquista dos tempos modernos, é o direito ao tempo livre. Sem que tempo livre signifique o bocadinho que ficamos no sofá em pré- letargia. O tempo livre que gastamos com os amigos é aquele verdadeiramente sem o peso das obrigações ou o do cansaço brutal. E eu que já consegui estabilizar umas quantas barras da pirâmide de Maslow agora estou pronta para outra. Sedentamente pronta.

A hora do pai

Não querendo ser injusta, nem necessariamente justa, este relato refere-se essencialmente à minha experiência, como tudo neste blogue. Mas sei que efetivamente acaba por ser a experiência da esmagadora maioria das famílias, não sei se de todo o mundo, mas em Portugal tenho a sensação que sim.

O pai chega a casa e a mãe já lá está com o bebé. Normalmente quando o Z. põe a chave à porta a MR está sentada à mesa a meio ou no fim do jantar. Ele não faz por mal, nem é culpa de ninguém em especial, acontece que o Z. trabalha a 1 h de casa, vai de transportes públicos, se há um atraso ou greve (sem comentários) lá demora o dobro do tempo e escolhemos apostar num horário mais flexível para mim, que faço o esforço de me despachar muito durante o horário de expediente, mas que felizmente a trabalhar com os meus pais consigo sair um pouco mais cedo e ir buscar a MR ao infantário a tempo de tratar dela, do jantar de todos e da casa.

Mas assim contado perdem-se os pormenores. Também não é por maldade ou por ajuste de contas, é por justiça à minha mente e corpo que preciso de explicar um pouco mais. Quando o pai chega não gosta que lhe digam logo ‘traz um guardanapo, leva isto para a cozinha e traz mais água’. Responde ‘é pá! Boa noite, deixa-me descalçar, lavar as mãos, vestir algo confortável…’ E tem razão. Sinto que não é forma de receber ninguém. Mas o pai não viu e não esteve nas últimas 3 horas do dia. Em que alguém saiu do emprego a correr, foi buscar bebé, foi às compras, subiu e desceu as escadas de casa 3 vezes com o bebé ao colo para levar tudo para cima, fez o jantar para todos, deu banho ao bebé, arrumou a cozinha, pôs a mesa, serviu o jantar e nem teve tempo de trocar de roupa.

Diz-se que os filhos põem o casamento dos pais à prova. Entre outras coisas. Dizem até que os afastam. Não é exatamente por falta de tempo. Ou que os pais discordem por sua causa. No geral essas questões resolvem-se com mais ou menos discussões. É a falta de disponibilidade que mata. Ficamos exaustos. Com a sensação de que não deu nada para nós. E cada um está a precisar de tempo para si, que o outro dê mais atenção, de silêncio e de menos tarefas. Mas como são só 2, geralmente, não há muito a quem pedir quando se está no sofá às 10 da noite a tentar não fazer barulho para o bebé não acordar e a tentar ganhar forças para chegar ao comando da TV.

E não é uma competição, não é uma zanga, é outra coisa. Os pais começam a ter vidas diferentes, com horários diferentes. E se não houver um amor e vontade, sobretudo vontade, infinitos, passa muito tempo em que se passa muito pouco.

Ultimamente temos finalmente tido cada vez mais tempo. É uma questão de organização. Finalmente conseguimos ter jantar a horas, a casa arrumada, a roupa em dia. E com a cachopa mais crescida, fica mais vezes com os avós, para os pais saírem, se ouvirem ou para não fazerem nada. E até instituímos um dia para namorar (nós somos assim, porquê contrariar? Gostamos de regras), sentimos que vamos ganhando a pouco e pouco a nossa vida novamente e com a possibilidade desses ganhos até temos mais capacidade de ouvir, ajudar e compreender o outro. Lá está, não se trata de recuperar a nossa vida. A vida não se recupera. Vamos ganhando uma outra vida a dois, a três e individualmente também. E nesta coisa do pai chegar e precisar do seu bocadinho, é justo. E na hora de deitar a bebé vai o pai. É a hora do pai. Ou melhor, é a hora da mãe. Se sentar, acreditar que tem 1 hora de relativa liberdade para descontrair, pensar, fazer coisas parvinhas e desinteressantes como ver TV, ou folhear uma revista ou ficar colada ao pinterest. Tudo vale desde que não se faça barulho e que o pai esteja a adormecer o bebé ❤ 

Igual

Já está. 33. Não foi exatamente mais um ano que passou. Foi a vida que vai passando. Quando fiz 20 anos senti uma tristeza profunda. Tinha entrado na casa do ‘2’, já não havia volta a dar. Mas desde que entrei na casa dos ‘3’, adorei. Adorei, serenamente, saber que tinha chegado à casa dos 30, adorei sentir que sabia e podia mais coisas e adorei a vida que fui conquistando. Não que não gostasse da vida que tinha antes, era até bastante mais facilitada, simplesmente era mais dramática (eu).

Às vezes olho para o espelho e penso ‘Estou igual’. Desde os meus 16 anos para aí que tenho este ar. E olho bem para os meus olhos a pensar como posso estar igual se já passei tantas coisas. Passei tantas coisas com o meu corpo, vivi e passei tantas outras coisas com a minha cabeça, mas por fora sinto-me tão igual. E penso nas pessoas à minha volta e que eu vi crescer e penso se elas estão iguais também.

Chegar aos 30 tem 2 coisas novas que nenhuma outra idade tem assim. A primeira é constatar que uma determinada coisa que vivemos já quase como adultos tem de repente, 10 anos… até aí referenciarmos coisas na nossa vida é relativamente fácil, porque as idades são tão distintas e acompanhadas de mudanças tão grandes que rapidamente chegamos aos 8 anos, 15, 18. E mais, aos 20 anos não temos muito mais do que uns 15 anos de memórias muito lúcidas. Mas a partir daí somamos cada vez mais e mais diversas memórias. Comecei a perceber as pausas dos ‘adultos’ quando tentam precisar datas da sua vida… E a outra coisa é que de repente vemos um grande amigo que nos foi tão próximo, e que era um miúdo, balbuciava umas parvoeiras como nós, e quando o vemos 5, 6, 7 anos depois percebemos que está mais velho. Está mesmo, não é impressão, está mais velho.

E voltamos ao espelho. Estou mesmo igual? Vou buscar uma fotografia do passeio em família do fim de semana passado e coloco-a ao lado de uma há 5 anos, antes de ser mãe, antes de casar, ainda a terminar a faculdade. E percebo. Não estou nada igual. O tempo passou, sem dor nem dramatismo. Simplesmente aconteceu. E entre dedicar-me ao trabalho e a projetos, à casa, ao casamento e à minha filha o meu corpo… (pausa para vertigem) ficou mesmo diferente. Nem mais velho, nem melhor, nem pior. É outra coisa, somente isso. E pela primeira vez essa outra coisa não foi crescer, como quando olhamos para o espelho e já temos 7 anos ou 19. É a primeira vez na vida em que esse crescimento é muito mais interno do que externo e as mudanças físicas são uma vertigem. Estou mesmo diferente, não são só os meus amigos.

E tudo bem. Mas é isto, passamos a vida a tentar adaptar-nos às nossas diferenças e quando finalmente nos adaptámos já somos outra vez outra coisa. É a vida a não nos deixar acomodar demasiado. E a fazer-nos pensar. Serenamente, afinal todas as coisas que eu vivi não me deixaram igual. Nem podia. Ou haveria um quadro meu escondido num armário a envelhecer por mim.