Minimal repetitiva

Sobre um programinha que dá no baby TV que a MR absolutamente adora desde que têm para aí 9 meses. Trata-se de um ursinho que está na cama a falar com a mãe, prepara-se para dormir mas antes conta as peripécias do seu dia à mãe. Estas são um pouco exageradas e então o ursinho vai à lua, dá a volta ao mundo, constrói castelos de areia e entra dentro deles, etc. A cachopa fica no meu colo muito quietinha a ver e mal vamos no carro já está a falar nisso. Quando acaba pede para pôr para trás, até ao infinito. Chegamos a ver o ‘boa noite ursinho’ 10 vezes, dá cabo de qualquer um. No final de umas 10 vezes lá dizemos, ‘pronto agora o ursinho foi mesmo fazer ó-ó, agora não há mais, só amanhã.’

E então começa o diálogo:

MR- ubi?

Eu- o ursinho, filha?

MR- ó-ó!

Eu- pois, já foi fazer ó-ó.

MR- ubi?

Eu- ursinho?

MR- ó-ó!

Eu- Pois, ó-ó.

MR- (Agarra na minha cara com as duas mãozinhas com muito carinho) ubi?

Eu- o ursinho foi fazer ó-ó.

MR- hm! Ubi? Ubi?

Eu- O ursinho?

MR- ó-ó!

Idem idem

Aspas aspas

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Loucura

A espiral. Acho que quem conhece ou esteve perto entende bem esta imagem. A loucura, se tivesse uma forma seria, sem dúvida uma espiral. Começa pequena e anda em círculos tornando-se cada vez maior, até rebentar ou até nós exigirmos que ela rebente. ‘Porque raio estou neste estado??’ E conseguirmos sair efetivamente dele.

Um dos problemas da loucura é que geralmente estamos a viver numa realidade alternativa. Bom, verdade seja dita que todos estarão a viver na sua realidade, mas há um espaço comum, nas sociedades, que para bem e para mal lá ditam umas regras que acabam por dar jeito a todos e a cada um. A definição de loucura passa por alguém que está a ver uma realidade que não está lá assim exatamente, pode nunca vir a estar, e todos sugerem que regresse para o lado comum em vez de sofrer sozinho num sítio assustador. É mais ou menos isto. Mas eu que às vezes me sinto um pouco louca, nas minhas espirais de ansiedade, pergunto-me, se estou no domínio da loucura e se estou a projetar uma realidade alternativa, eu que sou arquiteta e tenho o dom do espaço, porque é que não projeto uma realidade que seja o paraíso dos otimistas? Não, ainda não descobri porquê, mas aparentemente estou viciada no inferno dos pessimistas…

Numa conversa com a minha médica de família, que é uma querida e consegue sempre dizer-me a coisa certa, perguntei-lhe, ‘no meio disto tudo sinto desejo de ter mais filhos. Será que estou doida?’. E a sua (comovente) resposta foi, ‘não, por acaso esse desejo descansa-me. Sei que tenta concentrar-se nos momentos bons e não nos maus. E no fundo a vida é isso, não é? Todos temos maus momentos e tentamos agarrar-nos aos bons. O futuro ninguém prevê, podemos ao menos tentar aproveitar o presente.’ Parece tão simples, mas está minha alma anda inquieta. Dizia Fernando Pessoa que quem tem alma não tem calma. 

No meio deste tornado de ideias e sentimentos fui a um supermercado de grande superfície com a MR. era sempre onde fazia compras, mas desde que a caganita nasceu que as compras são locais e aos bocadinhos pequeninos, ou vem o continente cá a casa… Pois num espaço grande fico sempre a hiperventilar com ela, não tiro os olhos dela, sempre a dar-lhe a mão, depois pede para ir no carrinho, ok, desinfeto o carrinho em todos os sítios onde ela pode tocar com uma toalhita, depois vamos à fruta e uso um saco para pegar nas peças evitando ter as mãos sujas pois ela leva as dela e as minhas à boca, na compra dos produtos, por insistência do meu marido, não tiro os primeiros pacotes, escolho os que estão mais atrás e não foram tocados por toda a gente(o meu marido também não é muito descontraído), enfim, estão a ver o cenário. Quando chego finalmente à caixa ponho tudo no tapete, com cuidado de colocar os pesados primeiro, as frutas no fim, mas quando vou tirar o último item do carrinho, o amaciador, pego pela tampa, a tampa estava mal fechada, a embalagem cai, desata a verter líquido, eu fiquei da cintura para baixo cheia de amaciador. Agarrei na garrafa, limpei-me com lencinhos (!!!), pedi à senhora que chamasse alguém da limpeza, a senhora disse que eu podia ir buscar outra embalagem e eu, tonta, atravessei o hiper duas vezes a chinelar e a escorregar, cada vez que punha o pé no chão ainda deitava amaciador pelas sabrinas…

Verdade seja dita, tinha as pernas super macias. E as sabrinas ficaram a cheirar bem para sempre. Valha-me isso. No final do evento já não sabia se aquilo era para rir ou se devia chorar. Ainda me ri… No meio de todos os problemas a que nos agarramos com tanta forcinha, vem uma garrafa de amaciador e imediatamente pensamos em coisas práticas, tipo, vou ter de conduzir descalça, ou o que estarão as pessoas a pensar da minha figura?, que nos leva os medos hipotéticos agarrados aos lencinhos, pelo menos durante um bocado.

Eu e o meu marido somos um bocado nervosos. E acho que piorámos com o nascimento da nossa filha. Enfim, talvez não haja casais perfeitos. Mas nós damos corpo ao provérbio ‘um diz mata outro diz esfola’. Talvez ajudasse ter alguém que quando eu contasse os meus receios me ridicularizasse impedindo esse espaço de acontecimento. Já cá por casa o tema ecoa nas cabecinhas de cada um de nós, e apesar de termos métodos para conseguir lidar com estes momentos do outro a verdade é que ficamos aterrorizados, a pensar ‘aí, ainda nem me tinha lembrado dessa…’ Precisamos do verão. De sair, de encontrar novas paisagens. De acreditar noutros cenários. De ler outras estórias e histórias.

Porque no fim, no início e no meio, trata-se disto: Se eu quisesse enlouquecia. Mas não quero. Herberto Helder.

As vozes dos conhecidos

Nos últimos dias tenho andado numa correria louca. Digo, absolutamente louca. Um dia tem eventos das 8h às 20h e depois ainda arranjo mais qualquer coisinha para me entreter à noite. No meio disto, é quando paro finalmente que sinto novamente o corpo, que vem o nervoso miudinho, que vem o formigueiro do corpo. Os ataques de pânico vêm sempre um tempinho depois do pânico. Tentando já prevê -los, evitando-os antes de os ter, peguei numa revista para me entreter e comecei a ler um artigo da National Geographic para me distrair. Para além de ter gostado imenso do artigo, há qualquer coisa na National Geographic que põe os nosso medos num quartinho pequenino. Há qualquer coisa que fica no ar quando se fala de planetas distantes ou de nomes sonantes que nos distancia da nossa ‘vidinha’ e nos põe a ver à distância de um universo.

Estas vozes silenciosas que se escondem atrás dos seus nomes, nas bocas de desconhecidos que os parafraseiam mais tarde, têm qualquer coisa de apaziguador, de calmante. Como se estivéssemos a olhar para alguém que viveu e sabia tanto e tanto ainda tem para nos ensinar. E não há então papel que falta entregar nas finanças que fica sombra, ou medo de não ter a casa dos nossos sonhos, ou medo de um ataque cardíaco. A história tem o poder da prova das outras (interessantes) vidas e vivências.

Após meia revista lida senti-me livre. E cheia de energia. Vai o meu marido que estes rasgos de iluminação de quem me entende tão bem e diz, ‘tu precisas é de um joguinho’. Liga a ps3, um comando para cada um e jogámos volei de praia, de rua, em equipa e como adversários. No dia a seguir estava cheia de dores de braços e pernas, mas saltei, pulei, gesticulei e dei aquele tudo por tudo da vida real para conseguir ganhar os pontos necessários para completar o joguinho. E foi espetacular. Às vezes é difícil percebermos o que precisamos. Perceber até que os ataques de pânico contém muita energia acumulada e compensa soltá-la. Ficámos fãs. Tanto que temos encontro marcado noite sim noite não. E as noite são descansadas. Sem pensamentos de ordem nenhuma por caio exausta 😊

Ora, beijinhos e boa noite❤️

Ser emocional

‘Às vezes penso que as pessoas emocionais vieram ao mundo para sofrer’, dizia-me hoje a minha ginecologista a propósito de uns desabafos sobre a experiência familiar da parentalídade nos últimos meses desta casa. Bom, para começar acho que a minha ginecologista é já de si um ser emocional, que eu adoro absolutamente, diga-se de passagem, mas gosto de pensar que esta é uma versão um bocado dramática, até para mim que me dou a essas coisas.

Não acho, considerando que sou (profunda e assumidamente) emocional, que a minha vida seja algo encaixável nesse estilo de sofrimento, mas acredito que nisto o poeta (Fernando Pessoa) o disse tão bem, para ser feliz é preciso ser gato, ou saber viver como ele. Os seres conscientes são mais infelizes. E sim, há uma infinidade de situações que ficam resolvidas antes sequer de chegarem a ser uma dúvida, na cabeça de familiares amigos meu, simplesmente por nem pensarem nisso. ‘Mas como é que consegues?’, ainda tento eu na esperança de que seja um problema de compreensão. ‘Não penses nisso, às vezes o teu problema é pensares demais’. ‘Ahhh, pois entendo’. Sim, entendo. Pois confirma-se, não é mesmo um problema de compreensão. É outra coisa. É um modo de fazer? Forma de estar? Será falta de absinto?

Não sei. Há pouco tempo confessava à psicóloga da terapia de casal que pensava em projetos para evitar ataques de pânico e ela disse, ‘Não! Não pára? O dia todo a pensar em algo? Não pode. Tem de parar. Antes deixar sair os ataques de pânico.’ E comecei a procurar por aqui, porque de facto tenho tanta dificuldade em parar… Aparentemente a maior parte dos distúrbios sociais somáticos ou comportamentais estão associados a esta impossibilidade de parar. Ficamos assim tipo Charlie Chaplin em ‘Os tempos modernos’, saímos da fábrica e não conseguimos parar de apertar porcas, mesmo quando estas são imaginárias.

E realmente andamos a viver para trabalhar. E isto não é só aquela frase cliché descoberta nos anos 80, é a sensação de que tiramos férias de um ano difícil só para 15 dias depois podermos repetir a dose de dificuldade. De que ficamos doentes por trabalhar tanto e depois gastamos o dinheiro que ganhámos trabalhando a curar-nos (disse-o Ghandi). Não, ainda não é o meu texto de despedida antes de ir morar para as Caraíbas, mas seguramente pôs -me a pensar. Impô-mo-nos tantas metas, desperdiçamos tantos momentos de dolcefarniente com os nossos filhos, amigos, familiares… Somos tão competitivos, quando provavelmente podíamos concentrar-nos a ser criativos. No meio deste turbilhão de ideias o meu querido marido, que dá sempre alento a estes meus momentos e movimentos internos, descobriu um artigo de uma mulher que decidiu mudar de vida. E mudou.

No outro dia estava com a MR no sofá entre beijos e mimos e tonteiras. E pensei, ‘devia aproveitar o tempo de qualidade com a mãe para estimular as suas capacidades cognitivas.’ E começámos a contar e a dizer as cores… Até que pensei… Não! ela vai ter uns 20 anos de escola e competitividade. Sim, é bom estimular as capacidades dos miúdos, mas donde vem esta necessidade de o fazer exaustivamente para dizer à vizinha que a nossa bebé (também) conta até 5? Talvez haja uma possibilidade de mudança interna mesmo antes de irmos de vez para as Caraíbas (por exemplo). Até lá só visitas de ida e volta, mas sobretudo fechar os olhos e imaginar que estamos na praia. Para o exercício qualquer uma serve desde que não estejamos a fazer absolutamente nada… 😎

Doentita

Bom, não é o primeiro post sobre o tema, nem o último. A miúda está doentinha. Fomos à praia no domingo. Foi espetacular. Foi a primeira vez para a MR praticamente, porque o ano passado esteve um vendaval desgraçado na altura e conseguimos ir um dia a uma praia, durante 1 hora… Não admira que ela não se lembre da experiência. Pois este ano não faltou nada. Levamos os brinquedinhos, 3 malas com comida, mudas de roupa, protetores solares, chapéus e tendinhas, fomos com uns amigos espetaculares de quem tínhamos imensas saudades, levaram a miúda deles, descontraímos todos, foi o máximo. Foi mesmo brutal.

Segunda feira a MR tinha manchas na cara. Terça tinha manchas na cara, braços e perninhas… Será uma reação alérgica? ‘Ela tem respirado bem’ disse a educadora. Tau!!, comecei logo eu a respirar mal. ‘Mãe, ajuda-me! Manchas no corpo, o que é que eu faço?!?’, ‘Calma, para começar, vê se as manchas persistem quando fazes pressão. Não? Não é grave, atenta noutros sintomas e liga à pediatra’, ‘Dra, Dra, (fotos via whatsapp) o que é isto???’, ‘5a doença, não faz nada, sopas e descanso, ficar em casa.’

Ok, aparentemente há muita gente muito calma à minha volta. Não foi muito mau. Parece que é viral, algo da família da rubéola, essa tão desejada doencinha pelas meninas, e pode dar apenas as tais manchas no corpo, sem mais sintomas. Foi o caso aqui da minha mais-que-tudo, que parece que nem deu pela coisa e ainda se animou por ficar em casa.

Tenho cá uma teoria de que está miúda só adoece quando eu especificamente chego consistentemente tarde ao infantário para a ir buscar. Tipo ser a última durante 3 dias seguidos. Para ser a última basta ir buscá-la às 18.30 em vez de 17/18h. É quanto basta. No fim da semana está fragilizada, vem o funguinho do nariz, o cof cof, qualquer coisa. E nestas semanas tenho abusado um pouco já estava mesmo a pedi-las… E por isso tenho um sistema. Sempre que a MR adoece tento ficar no dia seguinte com ela em casa, só a dar miminhos e a tratá-la. É assim o meu ‘percebi a mensagem minha filha, estou aqui, não precisas de ir mais longe.’ Depois vem muitas vezes a minha sogra que fica cá em casa para eu regressar ao trabalho. Este ano tem sido 2 semanas infantário, 2 semanas em casa…

O meu problema quando fico em casa é que tenho mais tempo. Em geral penso. Quando era pequenina e dizia à minha mãe que não queria estar sozinha, ou brincar sozinha, etc., respondia-me que nunca estava sozinha. Estava comigo mesma, podia pensar, criar estórias, espaços infinitos. E desde cedo me habituei a transportar-me mentalmente para ocupar o meu tempo. O meu marido diz que esse é o meu problema. É que nem sempre os cenários são os melhores. E ultimamente, no meio destes desejos de repetir a experiência da maternidade, vieram também os medos retorcidos, e pensei, como é que as mães de crianças pequenas podem engravidar novamente? Há uma série de vírus inofensivos em qualquer parte do mundo, alguns quase assintomáticos, sem tratamento porque se curam sozinhos, mas que são GRAVÍSSIMOS para as grávidas pois podem afetar o feto. 😳😮 a sério? Oh pá às vezes sinto que a natureza me desafia… O que é que se pode fazer? O que é que eu faço? Como é que fizeram as outras mães todas do mundo que já tinham um bebé e sabiam que o seu primogénito era um potencial foco de infecção? Não sei. Eu sei que sou um bocado hipocondríaca mas esta aqui assusta qualquer um… Concentro-me. Respiro (às vezes é importante). Como diz a minha mãe, o corpo procura a vida. Sempre. Não quer dizer que corra sempre tudo bem, mas à custa disso corre bem muitas vezes. E descontrair, deixar-nos ir… Essa é sempre a parte mais difícil… 😎☺️

Mau

Antes de termos filhos há (imensas) coisas que dizemos que não faremos. Ou que não faremos de determinada forma. Pois. E depois temos filhos. E é outra coisa qualquer.

Uma das coisas que sempre me fez pouco sentido foi o incentivo que os adultos dão aos miúdos para bater nas coisas, depois de os bebés terem inadvertidamente tropeçado, batido ou caído em cima dos pobres objetos. Acho, aliás que isso motiva adultos frustrados, que quando batem na esquina de uma mesa ficam danados e lhe dão um murro só para ela aprender. E por isso disse que não o faria quando tivesse filhos.

A MR sendo uma menina, nem é muito problemática nesta questão do andar sempre a atirar-se do sofá, ou a bater com a cabeça em tudo o que está inanimado, mas é claro que de vez em quando lá vai uma cabeçada, encontrão, tropeção, sobretudo desde começou a andar.

E se no início a vi chorar com um tropeção uma vez por cada 15/20 dias, agora ela experimenta tudo, corre, anda, não vê, bate com a cabecita na parede, no chão, num armário, enfim, acontece várias vezes ao dia… E por várias vezes vem aquele chorinho. E agora vem a minha confissão, parte-me o coração aquele chorinho. E a primeira vez que a minha filha foi contra a porta porque estava a olhar para trás em vez de olhar para a frente, e fez um valente galo na testa, eu estava capaz de estrangular a porta! E foi mais forte e instintivo que eu, gritei ‘mau!!!’ E bati na moldura da porta. Ela parou de chorar e repetiu ‘mau!!’ E lá foi dar umas palmaditas à porta também.

A verdade é que ficou. E toda a gente entende o sentido prático da coisa, de modo que todos os adultos, sem terem combinado nada, mantêm este comportamento. No entanto, a caganita embate várias vezes ao dia contra algo e lá dá umas palmaditas e a acusação ‘mau!!’. Ultimamente já bateu contra nós e acaba por vir ter connosco e dizer ‘mau!!’, percebi que a situação se descontrolou.

Isto da maternidade é assim, nunca estamos descansados a deixar que a vida aconteça e que tudo se resolva sozinho. Não. Exige imenso tempo, disponibilidade, dedicação. Estamos sempre a ajustar comportamentos, a fazer coisas que dissemos nunca fazer e vice versa. E obviamente lá comecei eu a explicar à MR dois novos conceitos, ‘foi sem querer’ e ‘foste tu que lá bateste’. Mas sim, é maravilhoso poder ter o bode expiatório dos objetos inanimados a levar umas palmadas depois de já terem levado com o pé ou a cabeça de alguém…

Cada vez me convenço mais que isto da relação pais/filhos é algo em constante transformação. Não é algo que se aprenda em 1/2/3 anos. É uma coisa que estamos sempre a aprender e a modificar, a ir à frente e atrás…  E nem vale a pena fazer grandes planos. É um dos casos em que a realidade será sempre o nosso melhor instrutor…