Mau

Antes de termos filhos há (imensas) coisas que dizemos que não faremos. Ou que não faremos de determinada forma. Pois. E depois temos filhos. E é outra coisa qualquer.

Uma das coisas que sempre me fez pouco sentido foi o incentivo que os adultos dão aos miúdos para bater nas coisas, depois de os bebés terem inadvertidamente tropeçado, batido ou caído em cima dos pobres objetos. Acho, aliás que isso motiva adultos frustrados, que quando batem na esquina de uma mesa ficam danados e lhe dão um murro só para ela aprender. E por isso disse que não o faria quando tivesse filhos.

A MR sendo uma menina, nem é muito problemática nesta questão do andar sempre a atirar-se do sofá, ou a bater com a cabeça em tudo o que está inanimado, mas é claro que de vez em quando lá vai uma cabeçada, encontrão, tropeção, sobretudo desde começou a andar.

E se no início a vi chorar com um tropeção uma vez por cada 15/20 dias, agora ela experimenta tudo, corre, anda, não vê, bate com a cabecita na parede, no chão, num armário, enfim, acontece várias vezes ao dia… E por várias vezes vem aquele chorinho. E agora vem a minha confissão, parte-me o coração aquele chorinho. E a primeira vez que a minha filha foi contra a porta porque estava a olhar para trás em vez de olhar para a frente, e fez um valente galo na testa, eu estava capaz de estrangular a porta! E foi mais forte e instintivo que eu, gritei ‘mau!!!’ E bati na moldura da porta. Ela parou de chorar e repetiu ‘mau!!’ E lá foi dar umas palmaditas à porta também.

A verdade é que ficou. E toda a gente entende o sentido prático da coisa, de modo que todos os adultos, sem terem combinado nada, mantêm este comportamento. No entanto, a caganita embate várias vezes ao dia contra algo e lá dá umas palmaditas e a acusação ‘mau!!’. Ultimamente já bateu contra nós e acaba por vir ter connosco e dizer ‘mau!!’, percebi que a situação se descontrolou.

Isto da maternidade é assim, nunca estamos descansados a deixar que a vida aconteça e que tudo se resolva sozinho. Não. Exige imenso tempo, disponibilidade, dedicação. Estamos sempre a ajustar comportamentos, a fazer coisas que dissemos nunca fazer e vice versa. E obviamente lá comecei eu a explicar à MR dois novos conceitos, ‘foi sem querer’ e ‘foste tu que lá bateste’. Mas sim, é maravilhoso poder ter o bode expiatório dos objetos inanimados a levar umas palmadas depois de já terem levado com o pé ou a cabeça de alguém…

Cada vez me convenço mais que isto da relação pais/filhos é algo em constante transformação. Não é algo que se aprenda em 1/2/3 anos. É uma coisa que estamos sempre a aprender e a modificar, a ir à frente e atrás…  E nem vale a pena fazer grandes planos. É um dos casos em que a realidade será sempre o nosso melhor instrutor…

4 thoughts on “Mau

  1. Sim, a realidade é sem dúvida o melhor instrutor! Esta relação pais/filhos é realmente desafiante, exigente, com ajustes permanentes e desafios muito próprios de cada etapa do desenvolvimento deles (e do nosso, a outros níveis). Por vezes exaustivo, mas muito gratificante. Todos os dias uma lição, uma reflexão, um ensinamento ou simplesmente um sentimento reconfortante nos sorrisos doces deles ou na paz do seu soninho…

    As minhas M&M (MI = Maria Inês; ML = Maria Leonor) são muito diferentes uma da outra; a MI é uma terrorista, muito feminina na fisionomia e nas roupinhas, mas maria-rapaz nas brincadeiras, a ML é muito mais “princesinha” e recatada, e parece-me que a AB também está a tornar-se uma menina mais para o recatada. A MI mete-se com os rapazes e depois diz que eles “são maus”. Um dia destes bateram-lhe e fui conversar com educadora, apenas para saber que ela tinha batido num dos meninos primeiro… 😝 Lá tive que explicar à minha rica filha que ela quando quer também sabe ser muito mázinha, por muito que o menino em questão tenha sido um pequeno imbecil ao destruir a sua figurinha de barro propositadamente (tarefa daquela tarde).

    A ML foi mordida por um gato de rua (mas ela tentou pegar no gato e é capaz de ter confundido o abraçar com o asfixiar) e agora acha que todos os gatos são maus. Espero que pelo menos a generalização sirva como prevenção de mais semanas de infecção nos dedos e antibiótico.

    A AB ainda está na fase de atribuir características humanas a objetos inanimados. Entalou um dedinho numa porta, ficou todo negro, a unha até caiu, veio pedir beijinhos. Mas a seguir tentou castigar a porta, deu-lhe um pontapé e magoou o pezinho também. Minha inocente 😂

    São as pequenas dores que vamos sentindo por eles e com eles também ☺️💙 um bom fim-de-semana!

    • Uau!! Que descontração a falar destas coisas!! De facto estar na área da saúde deve ajudar a relativizar algumas situações. Eu acho que estaria em pânico, seria eu a prender a criança em casa depois da história do gato… Enfim, talvez seja um pouco exagerada, mas achei os relatos inspiradores para aqueles dias em que fico em pânico pelo facto da MR ter levado uma ervinha não lavada à boca…

      Beijinhos e boa semana 😍☺️❤️

  2. (Espero que o link esteja bem)

    Dia do pai passear com a(s) filha(s) e a mamã ir:
    – tomar café à esplanada com uma amiga
    – arranjar o cabelo/unhas
    – comprar um miminho para si mesma
    – (preencher de acordo com gostos/necessidades) 😉

    Beijinhos 💜💛💙

    • Adorei ❤️👌😉 partilhei com o marido e vamos aderir 😄 assim que a miúda ficar melhor que anda adoentada 😔😤 coitadinha, faz parte mas deixa-nos revoltados, por ela em primeiro lugar e depois por nós que vemos planos adiados, adiados, adiados… Doce maternidade 😊☺️ beijinhos grandes

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