It’s up to you

Tenho pesquisado bastante sobre esta coisa do medo, do controlo do pânico e da procura da felicidade (por oposição à sensação claustrofóbica de estar assustada), tenho visto sobretudo TED talks, lido blogues de psicologia ou procurado artigos científicos. Esta pesquisa, para além de uma procura física real, implica a vontade de procura que é o momento mais importante do querer mudar, um estado, um momento, uma filosofia de vida.

Curiosamente tenho encontrado muitos monges ou adeptos/praticantes budistas, ou simplesmente interessados em meditação. Muitos falam da necessidade de parar, de levar o cérebro à ‘caixa do nada’ nem que seja por 10 minutos diários apenas, mas esse cultivar da mente, relaxando-a mas direcionando-a para pontos positivos em simultâneo parece ser a solução da maioria aos problemas que a vida ocidental criou para si mesma. Hoje em dia não temos tempo para nós nem para os nossos filhos, ou amigos ou família. Só temos tempo para trabalhar e quando não o estamos a fazer estamos doentes de ter trabalhado tanto. Se pensarmos nisto é uma estupidez e devíamos de facto cuidar do nosso corpo (será que faz sentido dizer corpo e mente?) comendo bem, exercitando-nos e sentindo-nos ‘felizes’.

Também no geral todos pegam no termo felicidade não por terem escolhido pessoalmente esse tema mas por entenderem que é a palavra que as pessoas colocam no motor de busca interno ou externo, como solução para os seus problemas. Se é ou não uma busca pela felicidade que todos encetamos, não é tanto a resposta procurada, mas sim como encontrar o que (quer que seja que) procuramos.

Parece que aí estão todos de acordo, somos os responsáveis. Somos os responsáveis pelo estado em que nos encontramos. Deixamo-nos ficar nesta sociedade que previligia trabalho a família, dinheiro a saúde. Mas muito pior que isso, somos os responsáveis pela nossa felicidade, pelo nosso bem estar físico e emocional. Até a forma como reagimos ao stress e a doenças é da nossa responsabilidade. E não me interpretem mal, eu concordo com esta visão da coisa, apesar de não parecer. Acho que é um bom ponto de partida. Mas quando encaixamos isto na nosso vida não há como não ficar devastado.

É verdade que quando conseguimos esta aura de controlo e positividade é fabuloso. É um poder com benefícios. A forma como reagimos a doenças depende da nossa saúde mental também, não se trata apenas de um ambiente externo, mas cada vez mais se fala de um ambiente interno saudável e inabalável que nos mantém no caminho certo, mesmo quando à nossa volta há pedaços que se desmoronam.

Mas quando estamos em pânico, não há pensamento mais assustador. Se nós estamos em pânico, assustados, com medo de tudo, com a sensação de que tudo pode correr mal, a notícia de que o nosso pensamento e a nossa estrutura interior é responsável por salvar-nos ou condenar-nos, sentimo-nos, à partida, condenados.

Como é que damos a volta às nossas próprias armadilhas? Recordo os homens que sobreviveram ao naufrágio da embarcação Essex (história verídica que inspirou o ‘Moby Dick’), e o seu receio inicial, tendo como melhor hipótese a de tentar chegar às ilhas mais próximas, recuaram perante o medo dos canibais, mito ou não, que se dizia habitarem as ilhas. Acabaram por escolher o caminho mais longo para terra ficando à deriva durante três meses em condições terríveis e onde serviram forçados a recorrer ao canibalismo. Podia ser uma estória brilhante que serviria de metáfora dos nossos medos, e da forma como caímos em armadilhas criadas porque tentamos fugir das nossas armadilhas. Na realidade é uma história que pode inspirar a forma como lidamos com os nossos medos e como tentamos escapar -lhes sem tropeçar. E se conseguirmos aprender alguma cosia com isso será um bom princípio.

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Medos de mãe 

Quando digo que me tornei hipocondríaca desde que a minha filha nasceu, algumas pessoas perguntam-me, ‘sobre ela?’. Não de todo. Sobre ela tenho preocupação, cuidado, atenção, mas confiança. Confiança profunda de que para mim ela será sempre imortal. Mas que disso depende, pelo menos numa fase inicial, a minha profunda e indispensável presença. Por isso quando me tornei hipocondríaca foi, sem sombra de dúvida, sobre mim.

Abateu-se sobre a minha vida, condicionando-me completamente, um medo profundo de lhe faltar. Um medo exagerado, louco, que só podia pertencer a uma mãe. Um medo de quem está permanentemente atenta, cuidando, prevendo, analisando. E as previsões quando se cruzam com os nossos medos são imagens de hipotéticos futuros que se podem ou não realizar. E sim, por vezes os nossos medos podem realizar-se e essa possibilidade deixa-me num pânico permanente.

No outro dia fomos ao Pavilhão do Conhecimento os 3 com o meu irmão. Quando ele era pequenino íamos lá imensas vezes e quis levar a MR na sua primeira visita com a companhia nostálgica do tio. Nem sabíamos o que estava em exposição de modo que nos deixámos todos surpreender. No piso inferior está ‘Loucamente’, uma viagem sobre a mente humana, suas doenças, suas inquietações. Gostei tanto que estou com vontade de lá voltar apenas para a ver novamente com mais calma.

Com uma forte presença de resultados e colaboração com o Hospital psiquiátrico Júlio de Matos, tem uma série de momentos e espaços dedicados a explicar os vários distúrbios mentais que sentimos ou não, ao longo da vida, desde o pânico que é mais um estado, à esquizofrenia que é mais considerado uma patologia. E de repente passei por um toucador antigo, com um espelho, onde podíamos interagir durante uma explicação de distúrbios como psicoses ou depressão enquanto, surpresa, vemos a nossa imagem refletida e analisamos todas aquelas sensações. Uma das explicações das psicoses é justamente que a zona responsável no nosso cérebro pela nossa sobrevivência, que está atenta a sinais, que nos protege e alerta de hipotéticos perigos, está hiper activa, não conseguindo desligar ou relativizar. Como consequência ficamos em pânico constantemente, numa sensação de frenesim emocional que não pára nem por nada.

Senti-me de repente imensamente identificada como recém mãe com a incapacidade de desligar o meu estado de alerta. Como se estivesse 24 horas por dia, todos os dias do ano, atenta a qualquer coisa que nem eu sei o que é, desde que a MR nasceu. É um exagero das mães que protege os filhos nos primeiros tempos de vida, que torna as mães cuidadosas e zelosas e os filhos mais seguros. Mas e se for exagerado? E se eu tiver o meu botãozinho da atenção e vigilância regulado ligeiramente acima do que seria necessário? Como saber isso e como regulá-lo para um nível ligeiramente mais baixo?

No final da apresentação sugeriam-se formas de tratamento destes estados, desde a medicação quando/se necessário, à atividade física e boa alimentação e, pasme-se, ao contacto próximo e afetivo com outras pessoas 😊 Achei tão bonito. E tão terapêutico, de uma forma simples e tão humana. É isto mesmo, sem exagero, mas sem desleixo, cuidar de nós, de quem temos de cuidar, comer bem, fazer exercício e estar afetivamente ligado a pessoas, a quem queremos e que nos querem bem 😊❤️

Fez-me sentido. Vim para casa e peguei na agenda. Voltar a conectar-me com alguns amigos que não vejo há algum tempo. Marcar jantarinhos no terraço, passeios à beira-mar, gelados sobre uma boa vista. Sentir que nós temos sempre o poder de viver bem a vida que temos e não de imaginar a vida com o que poderíamos ter. E vivê-la, simplesmente.

Um brinde!

No caminho para o infantário numa passadeira onde não costumam passar peões, um carro trava até parar à minha frente e eu travo mais brusca e intensamente, ficando muito perto, ainda que sem perigo nenhum. A MR no banco de trás diz:

-Tchin-tchin!!

😊😊😊😊😊😊 Esta miúda já tem sentido de humor.

Beijinhos e saudades

Ela sentada na mesa e eu na cadeira, ambas a tomar o pequeno-almoço. Eu a dar-lhe beijinhos e miminhos, a cheirá-la, num namoro matinal. Ela:
-Nô, nô, mamã, pa’ tás!!

[Não, não mamã, para trás!]
E pronto, assim começo eu a achar que sempre é verdade aquela coisa de ‘mais tarde ter saudades’…

Ikea

Já disse que adoro o Ikea. O estar lá só por si acalma-me, não sei se pelas memórias de quando comprei desde a cozinha à almofada na minha primeira casa e sucessivas mudanças posteriores (depois de sair da casa dos meus pais já vou na quarta casa), se pelos ambientes descontraídos ou se pelo lema ‘viva mais a sua casa’, sinto-me a fã número 1 do conceito Ikea, se houvesse a posição ‘embaixador do Ikea’, eu iria seguramente concorrer (e exigia ganhar😊).

Às vezes quando estou a precisar de algo que aqueça o meu dia vou à revista virtual do Ikea e vejo aquelas famílias reais e as coisas que dizem. São tão próximas de nós, têm problemas comuns de espaço, têm a mesma necessidade de descanso e querem partilhar a sua casa com a família ou amigos. Sinto-me a ler uma revista social mas em que o propósito é a casa, o espaço, dão verdadeiro sentido ao termo ‘fogo’, ainda hoje designado para apartamento. O fogo refere-se basicamente ao local onde se cozinhava, a lareira, e por conseguinte onde as pessoas se reuniam e é, até pelo seu significado, uma palavra quente que nos remete para a ideia de calor, conforto, lar.

Os meus amigos sabem que se precisam de tirar dúvidas sobre produtos ou catálogos do Ikea podem falar comigo, sei quase todas as gamas de produtos, conheço os nomes das peças, os valores e às vezes até sei as medidas. Sei o que está na loja, sei o que está na net ou no catálogo. Conheço até produtos que lançaram em feiras de mobiliário que são ainda objeto de estudo de alunos universitários, como por exemplo uma mesa que mostra receitas à medida que se vai cozinhando e gere os ingredientes do nosso frigorífico, vejam tudo aqui, é espetacular. Às vezes vamos ao Ikea em família, a miúda adora brincar nos ambientes de criança, deve sentir que aquilo é uma extensão da casa, uma vez que os brinquedos são os mesmos, a roupa de cama, os padrões de almofadas, etc. Sou tão adepta do Ikea que uma vez uma amiga minha me sugeriu que enviasse para a redação fotos da minha casa e efetivamente esta foi exibida na revista. Adorei, fiquei super entusiasmada e só não emoldurei a revista porque exijo poder folheá-la vezes sem conta.

A minha madrinha que teve um problema de saúde há uns meses ficou impedida de entrar em espaços comerciais, felizmente tudo se está a compor e agora que pode retomar os seus ritmos confessou-me, ‘sabes onde tenho mais saudades de ir? É ao Ikea.’ E eu entendo, como entendo, é o ar arrumadinho mas livre, que as coisas têm, a simpatia dos trabalhadores, a luz que aquele armazém completamente fechado emana, como se tivesse iluminação direta do exterior, ao percorrermos aquela exposição ficamos a acreditar que é possível salvar todos os espaços do mundo, para que fiquem mais bonitos, mesmo quando o problema é financeiro, no Ikea há, pelo menos, sempre bom gosto, mesmo que não se trate do nosso estilo.

No meio meio disto tudo estava a precisar de uma inspiração para os meus momentos de paz, e a folhear os artigos da última revista online descobri os seguintes dados:

50%

DA SUA FELICIDADE É GENÉTICA, 10% DEVE-SE A CIRCUNSTÂNCIAS DA VIDA QUE NÃO PODE CONTROLAR, MAS 40% DEPENDE DE COMO ORIENTA A SUA VIDA, DESDE O QUE COME À CAMA ONDE DORME.*

6
MINUTOS DE LEITURA É SÓ O QUE PRECISA PARA REDUZIR OS NÍVEIS DE STRESS ATÉ 68%**

85%
DAS PESSOAS DIZEM QUE OS ODORES PODEM EVOCAR MEMÓRIAS FELIZES. AS VELAS PERFUMADAS SÃO UMA FORMA RÁPIDA E ACESSÍVEL DE O FAZER – PINHO PARA LEMBRAR CAMINHADAS NO CAMPO, POR EXEMPLO.***
* Fonte: The How of Happiness de Dr Sonja Lyubomirsky 

** Fonte: Pesquisa do Mindlab International, University of Sussex 

*** Fonte: Alan R. Hirsch, Smell & Taste Treatment and Research Foundation, Chicago
Em, ‘O meu melhor quarto de sempre!’, Revista Live IDEIAS E CASAS DE IKEA FAMILY, IKEA
Oh, Ikea, ao fim de tantos anos continuas a exceder as minhas expectativas… Obrigada por existires. ❤️ vou começar pelos 6 minutos de leitura 😊 e quem sabe já nem consiga parar.

Cara séria

  
MR- Cá té!!

[cara séria]

E pimba! Põe -se a fazer esta cara. Nós derretemo-nos e quando nos desatamos a rir ela desmancha-se logo connosco, é delicioso. Mas a maior delicia é a velocidade a que ela aprende a enfeitiçar-nos. Aprendido isto, nos momentos em que eu me irrito com ela ou que me zango, ela faz esta cara para logo a seguir me derreter com o seu sorriso e um abraço cheio de miminho… Oh pá, sabidona! E eu, o que é que faço? Derreto-me claro… Esta miúda conquista-me…