O primeiro post

Este é o meu blogue, não o meu diário. Escrevo sobre o que me apetece e não dou exatamente justificações sobre isso nem costumo pedir sugestões para os temas abordados. Também não tenho exatamente uma lista infindável de fãs, nem será isso que me move. Este blogue já foi um espaço de vários tipos de desenhos, já partilhei receitas, já publiquei posts com 2 linhas e já dissertei sobre momentos privados nesta minha travessia de mãe, mulher, profissional, esposa, e nessa partilha encontrei alguma paz para as minhas inquietações. Aparentemente também trouxe luz a algumas outras pessoas. Por isso escrevo e continuo a escrever.

Não esperava trazer este tema hoje, nem queria escrever sobre ele. Mas não consigo continuar este blogue sem uma referência à minha perda. Perdi a minha avó e não me apetece sequer dissertar sobre isso. É esmagador. É tudo o que tenho para dizer.

De resto a vida continua ‘normalmente’. Como pode? Não devia. E realmente não é isso que sinto. A minha vida não continua ‘normalmente’.

Este é o primeiro post que escrevo desde o que aconteceu. Não o queria escrever. Na verdade não queria que tivesse acontecido. Mas não podia escrever sobre qualquer outra coisa como se nada tivesse acontecido. E não quero parar de escrever.

4 thoughts on “O primeiro post

  1. Ou minha querida. Os meus pêsames. Um abraço apertado.

    Morrer-nos uma mãe (e uma avó é uma segunda-mãe, e para alguns de nós a primeira, ou mesmo a única) é cortarem-nos raízes, uma ligação muito primordial a esta vida, a este mundo e a nós mesmos.

    Já não tenho avós e nenhuma das minha filhas conheceu a avó materna porque ela morreu na semana seguinte à da minha queima das fitas. Quanto à minha avó paterna, nunca tive muito contato com ela por motivos que não vale a pena explicitar neste texto e a materna ainda conheceu as gémeas. Sinto-me algo perdida e magoada pela vida quando penso nisto.

    Um abraço e muita força a toda a família.

    • Lamento. Isso é realmente muito duro. E acredito que hajam palavras que nos façam sentir melhor, ou até mesmo ações, mas no geral, nada pode apagar a nossa dor. Mesmo quando fica a saudade há sempre uma parte que magoa.
      No outro dia uma amiga minha contava-me que a mãe de uma amiga sua tinha falecido quando a sua neta tinha menos de dois anos. Ela falou tanto da avó à filha que ela fala dela hoje em dia como se sempre a tivesse conhecido. Achei a estória bonita é algo com que podemos aprender. Podemos sempre manter uma parte das pessoas vivas através das memórias.
      Muitos beijinhos e votos das melhores lembranças com as menores dores.

      • As pessoas são de facto, como as árvores.. As suas raízes continuam em nós que somos as suas folhas, os seus troncos e os seus caules. Não há dia nenhum que essa presença não se faça sentir em nós e a melhor homenagem e perpetuação que lhes podemos fazer é a nossa memória. Perpetuamo-los em nós e nas gerações que criarmos. Apesar de a falta, essa, ser irreparável.

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