Medos

Tenho pensado que a coisa que mais me assusta numa segunda gravidez é o parto. Que estupidez, para quem sabe como correu o primeiro, a minha obstetra disse que eu não tive um parto, mas sim um partinho… Eu é que não achei muita graça. Para mim aquilo foi um parto muito a sério. Com dores e essas coisas. O momento em si de nascimento foi porreiro sim, apesar de cheia de dores, entrei na sala de partos pelas 18.50h e às 19.03h ela nasceu. Mas acordei às 4.30h da manhã com sinal de parto, dei entrada no hospital pelas 8h e só às 18h é que levei epidural. Para mim foi um parto. Com dores, medos, força, controlo, ansiedades e expectativas.Mas tinha uma vantagem. Na altura eu não sabia. Nunca tinha tido um e por isso estava confiante. É assim como o ‘à primeira todos caiem.’ Mas para uma segunda… ‘só cai quem quer.’ E agora eu já sei. Alguns acham que para me animar é bom saber ‘que todas as experiências são diferentes. O segundo parto pode ser completamente diferente, nem melhor nem pior.’ COMO É QUE É SUPOSTO ISSO ACALMAR-ME?? QUEREM DIZER QUE ISTO AINDA PODE SER PIOR?

Bom, recompondo-me… Não tenho resposta para isto. Nem acho que seja muito possível não ter medo nenhum, mas às vezes acho que tenho demais. Eu tenho medo demais, e para subir a parada tenho muitos medos. Imaginem o que seja ser hipocondríaco. E imaginem as alterações diárias do nosso corpo. É mais ou menos como andar às escuras pela casa, podemos interpretar as sombras e os objetos da forma que quisermos. 

Hoje a ouvir a rubrica ‘pais&filhos’ da TSF falava-se do medo dos miúdos passarem de ano escolar por acharem que seria mais difícil. E dizia o pedagogo, ‘É verdade que será mais difícil, mas também que estarás mais preparado. Pelo que já aprendeste, pelo que já cresceste.’ -podem não ter sido estas exatas palavras, mas foi este o sumo do discurso. Aquilo caiu que nem ginjas. É isso mesmo. Ninguém sabe como seria uma segunda vez. Mas seja como for, nem melhor nem pior, o nosso corpo não o estará a viver pela primeira vez. E se isso tem lados negativos pelo reconhecimento de um momento exigente, também tem um lado mais positivo, o do corpo e da cabeça lidarem com essa situação com mais sabedoria.

E recordando o final da rubrica, precisamos de algo que esteja um bocadinho acima de nós, não muito, nem abaixo, para sentir que nos desafiamos e temos algo pelo qual lutar. Crucial. E não, não estou grávida. Boa noite a todos.

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Domingos

Há quem os ame e quem os odeie. Sendo sábado o dia de limpezas e arrumações o domingo ganha a beleza do dia da planificação da semana que se avizinha. Tem ainda o lado do descanso (o possível com uma criancinha de 2 anos), do passar tempo delicioso em família, mas nestes dias chuvosos ganha ainda mais sentido uma das minhas tarefas de domingo favoritas: ver livros e revistas de receitas para planear os jantares da semana.

E sim, é bem verdade que na net há de tudo, também podia ver receitas num lindo site (há tantos tão bons) mas é mais uma coisa de dias de semana. Mas os livros, o papel tem qualquer coisa de especial. Estamos mais próximos da comida numa fotografia impressa, até o papel tem cheiro, às vezes, as revistas até já têm uma nódoas da última receita é isso torna a pesquisa muito mais vivida. Ao domingo pego nas revistas e fico a folhear enquanto planeio compras, imagino os sabores da próxima 3a ou 5a, e é como se estivesse a planear os prazeres da semana através da comida.

A semana ganha de repente uma aura de sessões de paladares experimentais e sedutoras em vez da carga negativa ‘lá vem segunda’. Nós os latinos temos esta ligação às pessoas através da comida, esta coisa de nutrirmos os nossos afetos, literalmente.

O que de melhor têm as mudanças de estação é a novidade da utilização das roupas adequadas e das receitas apropriadas. Mas de todas as épocas do ano, o outono é aquela em que dá mais prazer cozinhar, comer e pensar em comida. É a natureza a preparar-nos para o frio do inverno… Venham os marmelos, castanhas, diospiros, e esta semana temos espaguete com frango na panela (uma receita de pasta-in-a-pot levado pelas comunidades italianas estabelecidas nos EUA e é o exemplo perfeito de confort food). É tal e qual assim como o título:

ingredientes (serve 4):

.esparguete para 4

.2 peitos de frango

.1 chávena de tomates cherry

.2 chávenas de cogumelos frescos laminados

.2 chávenas  de folhas de espinafres

.azeitonas sem caroço a gosto

.pinhões a gosto

.orégãos a gosto

.sal e pimenta q.b.

Preparação:

Colocar todos os ingredientes, exceto os pinhões e os orégãos, numa panela com tamanho suficiente, partir o esparguete ao meio se desejar. Deitar água até cobrir e tapar. Levar a lume médio até todos os ingredientes estarem cozinhados (deitar mais água durante a cozedura se a massa ameaçar pegar no fundo, ou baixar o lume). Servir e deitar pinhões e orégãos a gosto. ❤️ Boa semana!

Animais

MR- A mamã binca c’o bebé?

Eu- Ohhh!! Sim, claro que sim filha! Ao que é que queres brincar?

MR- …

Eu- Hm, olha vamos dizer nomes de animais, boa? Diz lá um animal que te lembres…

MR- Cavalho!

Eu- Cavalo, boa! Ok, então agora diz outro.

MR- Cavalho!

Eu- Ok, cavalo, é um belo animal, mas agora diz outro, conheces tantos! Pensa noutro animal, outro.

MR- Outo cavalho…

Pais e filhos

É uma rubrica da TSF que já referi, de vez em quando oiço. No outro dia falava desta coisa dos pais portugueses serem no geral muito melosos e não conseguirem tanto aplicar disciplina… Revi-me bastante.

Mas eu explico. Pelo menos aqui por casa, o Z. demorou mais a fazer-se e sentir-se pai do que eu mãe. Acho que me senti mãe quando a médica me disse às dezasseis semanas, ‘é uma menina!’. E podia ter sido um menino, a questão não foi o género, foi o saber que já não estava grávida de uma sementinha nem de um bebé, estava grávida de uma menina que se ia chamar Maria Rita, o segundo nome em homenagem à minha avozinha, e passou a ser alguém com personalidade. Até aí eu estava grávida de um bebé, mas a partir daí eu seria mãe de uma menina. Pois se contarmos desde este momento, o delay do Z. foi de 14 meses, pois sinto que só cresceu nele um pai lá para os 9/10 meses da MR. Não que fosse desinteressado, ou desapaixonado, mas a verdade é que andava a tentar ligar-se à ela, naquilo que eu sentia que ainda lhe faltava o clique. Sentia-se pai, mas não se sentia ‘o’ pai.

Talvez por isto eu temesse que ela sentisse um certo desprendimento, ou nem sei o quê, e que lhe faltasse algo. Também abordado na rubrica foi a sensação de culpa, essa comum a praticamente todas as mães do mundo. Senti-me, obviamente culpada, pois em última instância aquele fora o pai que escolhera para ela(??), como se alguma coisa estivesse sequer errada, sei que hoje teria achado que o nascimento do pai se faz em momentos diferentes do da mãe, sem dramas, nem confusões. E talvez também por isso tentei compensar dando-lhe todo o amor do mundo. Como se eu própria não soubesse como atingir isso, dei-lhe apenas amor.

E não me entendam mal, eu quero dar-lhe só amor, porque até quando lhe ralho é por amá-la. Mas tive de ir descobrindo neste seu crescimento, que não só precisa da minha disciplina, como essa firmeza lhe confere segurança, sendo que a relação de compensações agarrada apenas e exclusivamente aos afetos pode ser assustadora, na medida em que revela algumas inseguranças.
Nisto, penso que a rubrica retratava esta questão cultural, diz a madrinha da minha filha, que os ingleses são no geral muito mais pragmáticos, há um espaço muito distinto para afetos e disciplina, com tudo o que o método tem de bom e de mau, a verdade é que os miúdos são mais seguros, fazem menos birras e … Comportam-se.

Não acho que seja o melhor nem o pior método. Sobretudo sinto segurança para procurar a mãe que mais se adequa à minha filha. É um papel que construo com ela. Foi aprendendo a ser mais segura por perceber que o meu medo também passa nos beijinhos. E às vezes dizem não constrói e não destrói. Tal como não ceder numa birra pode significar não revelar que fiquei assustadíssima com aquele choro, mas que sei que vai passar é por isso posso estar calma.Tenho aprendido que não há fases iguais e que não tal coisa como podermo-nos instalar confortavelmente numa decisão. Se a vida é um crescimento a maternidade é uma construção que nunca acaba. Porque quando acabamos as paredes essa existência que surgiu por necessidade real acabou por alterar a realidade existente é por isso é necessário traçar novo plano. E sempre assim, acrescentando mais alguma coisa e avaliando o contexto do que temos. Sem nunca estarmos certos, e tentando não estar errados.

Manhãs

Nós a correr de manhã, ‘O meu telefone?’, perguntei eu, ”Tá aqui o tefone da mamã’, reponde a MR. Agradeço, tiro a roupa, o Z. a preparar o pequeno almoço para todos, quando me viro para ela está sentada na beirinha da sua caminha com o seu smartphone da ‘Imaginarium’ a fazer um telefonema ‘O bebé? ‘Tá co’a mamã e o papá, em casa’, hihihi, desatei-me a rir e lá lhe disse, ‘Vá filha anda lá vestir-te!’, resposta da miúda ‘Não! o bebé ’tá a falar…’Ainda bem que ainda faltam uns 10 anos para a adolescência…

Bons sonhos

Anda nisto. Não quer dormir, não adormece. Já li vários testemunhos, conselhos de utilização e sugestões. O pior parece ser ela já ter 2 anos. Já não se trata de educar o sono, mas sim reeducar… Significa que vai doer mais a todos.Como farei ou como faria se tivesse novamente um bebé recém-nascido nos braço, para o caso não importa muito. Aqui trata-se de conseguir lidar com o que temos em mãos. A MR só adormece connosco ao seu lado, a segurar-nos na mão e ao fim de 30, 40 ou 60 minutos… às vezes é desesperante, e esta meia hora não conta com a estória ou outras preparações prévias. Isso é tudo à parte.

As noites em si são relativamente calma, exceto se estiver doentinha. No máximo acorda mas volta a adormecer na nossa cama. Devia fazer isto? A verdade é que isto não parece ser um problema porque cada vez acorda menos e acorda mais tarde, em vez de ser logo à 1h ou 2h da manhã já é só às 5h ou 6h.

Mas a questão mesmo é como adormecê-la. Parece que não quebra nem por nada. Será notívaga como eu? O problema é que de manhã também acorda cedo… Li no blogue ‘mãe-me-quer’ que durante os picos de crescimento os miúdos podem ter necessidades de sono diferentes do costume, isto tanto dá para se porem a dormir mais como menos, também não é muito esclarecedor. Mas anda realmente numa fase em que engonha e não fecha os olhos. Engonha…

Já pensei se poderá ser medo do escuro? Mas com luz, mesmo que fraquinha, fica espevitada. Até a luz vermelha, que é a mais indicada como luz de presença… E a questão é que eu e o Z. nem nos vemos. Encontramo-nos um bocadinho à mesa de jantar, depois ele vai adormecê-la, quando volta finalmente é tardíssimo, caímos os dois na cama exaustos e pronto, só dá tempo de perguntar, ‘Nós falámos hoje?’, ao que ele responde ‘O quê, um com o outro?’, ‘sim, um com o outro. Parece que nem estivemos juntos.’, ‘Falámos por email e ao telefone à hora de almoço’. E pronto dormimos.

Estamos por isso a aceitar sugestões. Como é que se reeduca uma criança a adormecer na sua caminha sossegadinha?