Acreditar

Falo muito nisto. Há coisas que sinto que me intoxicam e que para cúmulo são pensadas por mim. Esta coisa de ter medos, de me perder em pensamentos. Uma vez a minha família não atendia o telefone porque estavam num museu onde não havia rede. Eu convenci-me que havia uma situação de rapto e imaginei-os no pior cenário. Durante meia hora contorci-me em sofrimento até que o meu irmão me mandou-se mensagem ‘por favor pára de ligar, estamos agora no restaurante e está muito barulho. Ligas tantas vezes que nem estou a conseguir escrever mensagem. Depois falamos.’

Como esta podia contar mais mil situações absolutamente idênticas. Falo nisto com alguns amigos próximos, alguns vivem estes medos de forma semelhante e perguntava como se sai disto? O padrinho da minha filha sugeriu meditação. Não é muito o meu género, pensei mais em yoga, ainda procurei sacolas e horários aqui na zona, mas fica tudo um pouco complicado com filhos pequenos. O meu dia é programado ao minuto e só páro quando ela se deita. Tinha de encontrar qualquer coisa, pensei que não era tanto o que fazia, mas já o facto de estar nessa busca era uma maior garantia de que ia encontrar o que procurava.

Acabei por decidir experimentar a meditação já que tem um lado muito pratico, só precisamos de nós mesmos, faz-se em qualquer lugar, não se gasta dinheiro e 10 minutos bastam para surtir efeito. O meu compadre tinha-me sugerido uma aplicação, acabei por descarregar 3 e experimenta-las a todas para decidir informadamente. Comecei com uma aplicação que tem um processo de adaptação progressivo é que nos acompanha nos primeiros 7 dias. E experimentei a primeira sessão.

Começa por fazer uma excelente introdução sobre benefícios da meditação, ‘já que está aqui mais vale experimentar’, ‘não perca esperança na sua primeira tentativa’, etc. a ideia de ouvir uma voz durante a meditação parecia estranho, era suposto abstrair-me do mundo e não participar num monólogo. A verdade é que neste jogo de principiantes, a voz lá ia recordando, ‘se se concentrar num pensamento afaste-se dele e volte a concentrar-se na sua respiração ou no seu corpo’ e por aí fora. Era 12 minutos que eu imaginei que seriam monótonos e difíceis de engolir.

No início começamos por ouvir a sugestão da senhora em concentrar-nos na nossa respiração. Imediatamente achei que já não conseguia respirar. Também é referido que podem ocorrer esse tipo de sensações. É-nos sugerido que nos concentremos no nosso corpo, e respiração alternadamente. Acabei por me entregar àquela voz, fui tentando desviar-me de outros pensamentos, sempre a tentar arrumar o meu dia ou planear o dia seguinte, e inspirando e expirando no fim da sessão já tinha a respiração mais normalizada e menos controlada, ter os olhos fechados não me custou nada, não adormeci é só fim de 12 minutos parecia que tinham passado 3. Fiquei felicíssima, quis logo experimentar mais 6, mas pensei que seria positivo ir gozando esta descoberta gradualmente, conquistando cada vez mais o poder de abstração da mente em vez de alimentar o desejo desenfreado da obtenção de resultados imediatos.

Quando terminei senti-me relaxada. O coração menos acelerado. A sensação de que não havia problema. Havia tempo e soluções para tudo. Aqui penso que o importante é acreditar, desejar. A meditação é só um meio (um dos possíveis) e eu encontrei-me com este. Os objetivos, esses, exigem empenho, querer. E são estes que nos movem, que nos fazem encontrar o caminho. Hoje vou desfrutar a sensação de obtenção de resultados. Só isso sem mais pressão.

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