Eu

Eu falo muito e penso demais. Falo muito estou sempre a falar. Não significa que não saiba ouvir. Sei e gosto de ouvir, e gosto muito de ajudar. Mas regra geral acho que tenho muito para dizer e tenho conversa para anos de discurso… Depois também falo mais quando estou nervosa. Ou quando estou triste. Ou quando estou entusiasmada. A bem dizer não me faltam argumentos para falar demais. E quando alguém fala muito também, lá fico desejosa que chegue a minha vez para poder dizer alguma coisa, para poder participar na conversa.

Mas o pensar é que me enlouquece. É outra escala. Aqui sem dúvida penso demais. No outro dia desabafava com uma querida amiga e ela dizia-me, ‘O pensamento é um macaco deixado à solta a quem pegaram fogo ao pêlo.’ Uau! Primeiro desatei-me a rir e depois pensei como era uma descrição incrível da loucura a que nos deixamos levar por vezes. Começo por pensar nos meus medos e em como tenho a capacidade de os explorar até já nada ser suficiente para os travar. Penso, penso e repenso, revejo todas as hipóteses, sofro com elas, imagino (sempre) o pior dos casos e no fim estou tão exausta como o meu marido quando chega de correr 10 km… Acabo a pensar, porquê? Porque é que me deixo cair nesta embrulhada louca de pensamentos? É tóxico, altamente tóxico. Preciso de me encher de boas energias. Esta coisa da meditação tem resultado muito bem. Acabo me me deitar muito mais serena e adormeço melhor e mais rapidamente. Mas acordo pelas 5h cheia de pesadelos. Será que quando não penso nos meus medos acordada tenho de os expulsar a dormir? Li uma frase numa extensão chamada Momentum da Google Chrome, que adoro, e que parece ter sempre a resposta certa para o momento que estou a viver, dizia ‘Overthinking ruins you. Ruins the situation, twists it around, makes you worry and just makes everything much worse than it actually is.’ É isto.

Gosto de pensar, e de sentir, que não tenho arrependimentos na vida. Teria feito tudo de forma diferente, tudo mesmo, sobretudo se fosse um regresso ao ‘passado’ em que eu já sabia o futuro. Não adiantaria de nada, pois ao mudar o passado correria o risco de alterar significativamente o futuro. Não preciso disso. Faria tudo diferente, mas sem arrependimentos. Sei que o que fiz foi o que achava que era melhor na altura, ou que era o melhor que sabia fazer.

No meio disto tudo é preciso confiarmos em nós. Acreditarmos que somos suficientes sozinhos e que temos capacidades fabulosas, em potência, em nós. Mas não significa que façamos tudo sozinhos ou que seja errado pedir ajuda. Pelo contrário. Uma vez numa série ouvia esta estória, um miúdo dizia à mãe, ‘quero mover aquela rocha.’, ‘então força querido, empenha nisso os teus esforços e poderás movê-la.’, ‘não vou conseguir sozinho, é muito grande’ dizia o miúdo. ‘Empenha nisso todas as tuas forças e conseguirás’. O miúdo lá tentou e não conseguiu. A rocha era de facto muito grande e ele sozinho não a pode mover. Foi ter com a mãe e disse-lhe, ‘afinal não consegui. Era muito pesada. Preciso de ajuda.’ Ao que a mãe lhe respondeu, ‘às vezes, empenharmos todos os nossos esforços é saber pedir ajuda quando não conseguimos algo.’ E juntos conseguiram.

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