Pais desesperados e uma tia-avó

A miúda está naquela fase dos dois anos, a testar limites. Passou para uma fase nova de escola, assim em 3 dias. Nem deu tempo para eu me adaptar. Por ela está a correr tudo bem. É a escola dos meninos crescidos, como ela lhe chama. Mas quando chega a casa zanga-se comigo e com os bonecos. Tenho de aceitar. Está zangada e tem de exteriorizar aquela raiva. Mas como deixar e impor limites? Como se impõe limites a uma criança de dois anos? Confesso que detesto gritos e não sou muito adepta das palmadas. Acho que devemos sempre tentar conversar. É minha obrigação como mãe, insistir nesse caminho. Mas as criancinhas, essas sabidas, enrolam-nos a ver onde é que a corda torce. No final ou pomos fim àquilo ou passam a ser eles a tomar conta de nós.

E no meio destas dúvidas de mãe, de pedagoga, de apaixonada por esta criança vou-me reforçando junto das outras mães, das outras pedagogas. É bom ouvir as mães que estão a passar pelo mesmo que nós. Ou as mães que já o foram há mais tempo. E estão sempre dispostas a dar conselhos ou ajudar. A minha madrinha tem sempre uma tarde para vir e ficar com a MR, ou ajudar cá em casa. Não tem tamanho essa generosidade. Consegue sempre atender o telefone e sacudir os nossos problemas. No outro dia a minha querida P. ajudava-me a não ser tão ansiosa com a minha filha. ‘O teu amor vai protegê-la’, e eu fiquei a embalar-me nisso o resto do dia.

Sabe bem sentirmos que cuidamos uns dos outros. E que mesmo quando já somos cuidadores temos quem cuide de nós. E por isso tenho a minha rede de mulheres-mãe, que consulto quando tenho dúvidas e que acalmam os pensamentos loucos que me assaltam. Acalmam dúvidas, sugerem caminhos para (e com) a minha filha, e dão mimo. Recentemente tenho encontrado na minha tia-avó mais nova um conforto especial de partilha de afetos. Às vezes o telefonema é só a descrição dos ingredientes da sopa que cada uma está a fazer, mas acaba por ser o suficiente. No meio de todos os conselhos e mimos com cenouras ali trocados ainda me disse, ‘Há uma série que tens de ver. Vais adorar, tenho a certeza.’

E adorei 😊 viciei-me no raio da série como se não houvesse amanhã, eu que andava mesmo a precisar de um programinha televisivo que me animasse encontrei aqui muito mais do que esperava. Chama-se ‘pais desesperados’, ou ‘fais pas ci, fais pas ça’ no título original. Dá na RTP2 entre as 20 e as 21h, todos os dias da semana e também dá de tarde aos fins de semana. São as mães do momento, duas famílias loucas uma muito liberal outra muito conservadora que podiam muito bem ser reais, apesar de se tratar de ficção, e que foram o complemento que faltava, aquela família amiga que também tem miúdos e que nos ajuda a perceber umas coisas sobre nós mesmos com as suas próprias dúvidas e anseios.

No fim nem sabia a quem estava mais agradecida, se aos produtores da série por me proporcionarem uns serões maravilhosos, se à minha tia que faz estas descobertas únicas. Acabo por agradecer a todas estas mulheres que me acompanham. São estas partilhas que nos fazem crescer.

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