Modernices

A ler a estória da Cinderela, num livrinho pop-up, ela super entusiasmada a completar as minhas frases, a apontar para tudo, a injustiça das irmãs, a Cinderela com a cara suja, coitadinha, de tanto limpar, e depois:

Eu- apareceu a …

MR- Fadinha má!

Eu- Fada madrinha! Que transformou uma…

MR- …abóba… [abóbora]

Eu- …numa…

MR- …garagem!!

Tenho de a levar ao Museu dos Coches com urgência….

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Off

Zangada. Porque o universo não responde sempre como gostaríamos e sentimos que há alturas em que o mundo não nos responde como precisamos. Há dias assim. Em que perguntamos porque é que a vida nos deu ou tirou determinada coisa, porque é que nos deixou sem resposta ou porque não nos deixou concretizar os nossos lindos planos.

E às vezes como resposta temos um silêncio absoluto. Dói, dói como tudo. Apetece pedir colo a alguém, abrir a porta e dizer ao universo que por favor comece a conspirar a nosso favor. Mas é pior. Quanto mais gritamos, precisamos, esperamos menos respostas temos, menos vem aquele colo e maior é a frustração.

Então fiz o contrário. Fechei as portas ao mundo. Disse que não precisava de colo. Nem TV, nem telemóvel, nem telefone. Só nós, com jogos no tapete e mimos no sofá, e zangas e birras no meio do chão, que as birras quando vêm são mesmo do pior. Sem iPad, para distrair ou a princesa Sofia para ajudar a comer a sopa. Ela a curar a pneumonia ligeira, eu a voltar aos antibióticos, muito soro, aerossóis e lenços por toda a casa.

Hoje foi só assim. Um grito silencioso ao universo, como quem não pede nem dá nada, saldo 0, por um dia, a ver no que dá. A ver o que sente.

 

A ti

A ti meu amor. Que viveste tanto comigo em tão pouco tempo. A nós, que ninguém diria. Aos nossos amigos que se surpreenderam. Mas nós fizemos o nosso percurso. Não para provar nada a ninguém mas porque descobrimos em cada um coisas únicas, lugares interiores nunca antes descobertos.

Contigo lancei os meus sonhos, e visitámos sítios fazendo promessas, e ainda tudo é tão novo e tão promissor e tão vertiginoso. A ti que estiveste ao meu lado nos meus melhores mas também nos meus piores momentos. Que estavas lá quando eu estava em pânico, mesmo quando não sabias o que fazer. Que me deste a mão quando eu estava cheia de medo e que me encheste com um abraço quando me esvaziava em lágrimas.

A ti com quem me deitei a contar as minhas utopias, que cruzei com as tuas. Fiz da tua família minha , ofereci-te o que tinha. A nós que ficámos mais ricos. E estamos só a começar. Olho para os outros casais e penso quando vamos chegar à idade do ‘lembras-te?’, vem uma emoção no meu peito. Mas não é por receio, nem por pressa. É por amor. É por saber que quando chegarmos a essa altura vamos ser ainda maiores e vamos precisar ainda menos de palavras para comunicar. Não que nos falte assunto, nunca. A ti, que és meu amigo, meu companheiro. Até, como diz a canção, ‘já só nos rirmos’.

A ti que estás nos olhos da minha filha, que também é tua e nossa. A ti que quando lhe dás um abraço me fazes amar-te mais, que olhas para mim e sabes que a fizemos os dois. A ti que olhas para mim e sofres porque eu sofro e fazes dos meus sonhos os teus também, das minhas conquistas as tuas. A todas as alturas em que estamos à procura de alguma coisa, ao quanto isso nos une, nos aproxima.

A todas as nossas conquistas, as que já foram e as que ainda vêm. Quero-te muito meu amor. Feliz dia, feliz ano. Muitos parabéns. ❤️

Era uma vez

  
No banho, tem um livrinho de quando era pequenina, só têm formas e uns desenhos, um por página. Abriu o livro e viu uma bola de um lado é um balde com uma pá do outro. Começa:

-Era uma vez um rei… que tinha uma bola para jogar, e um balde com uma pá para limpar o chão. E pronto, acabou-se esta estória…

Mandona

Chegadas a casa:

MR- Mamã, tira o casaco ao bebé!

Eu- Sim, querida, também estou a tirar o meu, vês, com calma.

Casacos tirados:

MR- Mãe, quero pão com mantenga.

Eu- Se faz favor filha.

MR- Fachavor, está bem mãe?

Eu- Esta sim querida.

Vou buscar o pão…

MR- Aí, quero fazer xixi!!!!!

Eu- Ok!

Vou em passo de corrida buscar o bacio:

MR- Põe o tapete para os pés ficarem quenquinhos!

Vou buscar o tapete,

MR- Traz a Minie.

Vou buscar a boneca, quando regresso com a boneca na mão, já instalada no bacio, pézinhos no tapete, aqueles olhinhos a brilhar, olha para mim,

MR- Mãe, o meu pão com mantenga??

Suspiro…