Raminhos

Somos todos fãs, no geral, é assim uma paixão de família pelo António Raminhos, sobretudo na rubrica ‘as marias’. Há pouco tempo o meu irmão foi ver o espetáculo e disse que era muito giro, ele era super divertido e que se tinha lembrado muitas vezes da nossa MR, sim, temos isso em comum, uma Maria Rita como primeira filha.

O meu irmão tem 19 anos, e aquilo que não me conseguiu dizer foi que o espetáculo era, para além de lindo, para chorar no final. Chorar desalmadamente. Mas este lado só vêem os pais. Não é por mal, nem por bem, nem falta de formação. Mas é assim. À medida que as estórias das miúdas vão sendo relatadas vamo-nos revendo, pensando como isto da parentalidade é difícil e duro, e os malabarismos que todos temos de fazer para os superar. E para além da graça há uma sensação de satisfação pelo trabalho cumprido, temos uma filha e mantêmo-lo viva, todos os dias, cuidamos dela, damos-lhe jantar, fazemos macacadas, damos carinho, zangamo-nos e dormimos juntos. Mas quando A. Raminhos diz que faz estes filmes porque é a forma de estar sempre lá, mesmo quando não estiver, desatei a chorar. Quanto disse que ser pai, é tudo isto, com tudo o que tem de difícil não o trocaria por nada. Mesmo com todos os medos que vieram desde que a primeira filha nasceu, mesmo com ter de comer doces às escondidas e sentir que o nosso tempo, a nossa privacidade, a nossa intimidade nos escapa das mãos…

Ser pai e mãe é isto. Muitas vezes as pessoas olham para mim com uma expressão de incredibilidade profunda quando tento explicar que quando a minha filha nasceu veio comigo um medo incrível. A sensação de ser vulnerável, a sensação de que queria protegê-la de TUDO, e a angústia de achar que isso podia ser impossível. O medo de não estar lá sempre. A sensação de que a coisa mais preciosa da minha vida, aquela que eu mais amava em mim, era um ser que na verdade estava fora do meu corpo e da minha cabeça e gerir isso foi difícil como tudo.

Ser mãe e pai é olhar para outro ser e sentir um amor verdadeiramente enlouquecedor de tão forte que é. Achar que se não fosse o cansaço e as asneiras de vez em quando, seria um amor impossível de aguentar, tal a intensidade. É ficar derretido com cada sorriso, com cada carinho, com cada gracinha, com cada segundo da sua existência. E até quando nos zangamos, doer-nos aquela palmada dada. Doer-nos como tudo, e querermos beijar e abraçar muito aquele ser depois disso. É todo um novo sentido ao ‘gosto tanto de ti’ e ao ‘amo-te’.

E como disse o A. Raminhos, é sentir que estivemos lá no primeiro suspiro daquela pessoinha. Só desejamos que ela(s) esteja(m) no nosso último. E bamm!, desatei outra vez a chorar…

Feliz dia da mãe. A todas as mães e especialmente à minha. Há coisas que só percebemos depois de sermos país também. A todas as mães que me trouxeram aqui, à minha querida avó. Feliz dia da mãe a todos os filhos. São vocês que fazem de nós aquilo que nós somos, o melhor que nos tornamos, o mais capacitadas. O tudo que nos sentimos. A todos esses filhos. Os que já nasceram e aos que estarão para vir. ❤️

Anúncios