Pelinhos

MR a choramingar:

-Tenho pelinhos pequeninos nas minhas pernas!!

Não percebi se o drama era ter pelinhos ou se era porque os pelinhos eram pequeninos…

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Um segredo

Eu- Filha, tenho um segredo para te contar… Estou tão feliz…

MR- eu também estou faliz!

Agarrei-a num abraço e contei-lhe ao ouvido,

Eu- A mamã tem um bebé muito pequenino na barriga.

MR- Tens? Deixa eu ver!…

Eu- Não se vê meu amor, está lá dentro! 😊 E daqui a uns meses vai nascer… Vais ter um mano ou uma mana.

MR- Então quero… Uma mana mais crescida!

Eu- hm, não vai ser bem assim, olha vem lá um bebé. Um bebé pequenino. Tu é que vais ser a mana mais crescida e este bebé vai adorar-te! Sabias?

MR- E eu vou dar a mãozinha a ele?

Eu- Sim, e ele vai adorar. Quando tu lhe deres a mão este bebé não vai ter medo de nada.

Foi a primeira pessoa a quem contei. Desconfiávamos, mas em casa os testes de gravidez não se dão bem comigo, e o resultado foi inconclusivo. Acabei por ter de fazer um teste laboratorial e receber o resultado por e-mail. Coisa mais impessoal… Liguei ao meu marido e disse-lhe, ‘tenho o resultado das análises no e-mail. Mas não consigo ver. Queres ver tu?’ Ao que ele me respondeu, ‘não vê tu…’.

Ficámos assim. Ninguém foi ver. Enquanto a tarde passava fiquei a pensar como celebraríamos caso estivesse grávida. E caso não estivesse como iríamos reagir. Fui à internet pesquisar ‘formas originais de lhe contar que vai ser pai’. E de repente pensei, ‘não posso estar a planear isto sem saber o resultado’. E fui ver. E tinha 5 semanas de vida a gerar dentro de mim. Ri e chorei. E fiz um desenho de nós os quatro com a legenda ‘em breve…’ para colocar à porta de casa e poder ver o seu sorriso mal entrasse.

Andávamos a tentar há que tempos, e nada. Nada de nada. Umas vezes porque nem dava para tentar, passámos o inverno sempre doentes, sobretudo a MR, outras tentávamos sem sucesso. ‘Experimentem todos os dias’, ‘Experimentem dia sim dia não’, ‘Experimentem só na ovulação’.  Bom, experimentámos muita coisa. E nada. Divertimo-nos muito, desesperámos muito, rimos, chorámos. Deu tempo para tudo. Na gravidez da MR foi assim, tiro e queda. Tentámos e já estava. O Z. Na brincadeira costuma dizer, ‘Nem deu para ser giro’. E eu sentia-me uma Deusa. Não era com presunção que dizia ‘Foi logo!’, mas cheia de orgulho, felicidade pura, qual Venus de Mileto, eu era a fertilidade encarnada, a mulher, a fêmea. Eu era tudo. Era isso que sentia. E quando passei mês após mês à espera… Senti exatamente o oposto. Porque é que estava a ser mais difícil da segunda vez, quando todos dizem ser mais fácil??!

Não sei, mas foi. Lá foi. E há-de nascer pelo Natal, um bocadinho depois, um bocadinho antes. Sempre disse ao meu marido, ‘Não quero ter crianças no verão nem no Natal’… E pimba, lá vem o destino a mostrar-nós que não controlamos nada e a primeira foi mesmo em agosto e segundo pelo que se vê há-de ser para essa altura festiva.

‘O que gostariam mais?’ Fala-se do género, claro, preferências. A família toda cruza os dedos para menino. ‘Ficavas com o casalinho’. Não estou muito interessada no casalinho. Adorava ter mais filhos, 3/4, sei lá… Venha o que vier, desde que esteja bem. Mas em confissões a dois eu e o meu marido confessamos um ao outro preferíamos menina. É só porque é território já conhecido. Medos tontos de pais recentes 😊 mas na verdade vamos jubilar quando finalmente nos disserem o que lá vem. Seja uma princesa ou um princepizinho.

Medos e mais medos. ‘Isso vai passando com o segundo, e se fores ao terceiro então… Vais ver, esse é de borracha.’ Será? Acho que somos ansiosos demais para isso. ‘Farias alguma coisa diferente relativamente ao que fizemos com a primeira?’, perguntei eu ao Z. ‘Não sei. Não estaria tão nervoso.’ Eu não sei. Talvez não chorasse tanto. Mas o tempo o dirá.

Segundo bebé. O meu segundo. Nem acredito que estou aqui 😊 jubilo, mesmo no meio de todos os vómitos e todos os dias que me sinto exausta. Parece bom demais para ser verdade. Já me vejo a conseguir o terceiro. Que sonho. Sempre a viver o futuro… Mas agora o presente. Estou grata. E muito. Meus tesouros. É o que construímos, tesouros. Com esta família sempre a crescer, com toda a gente a ver, a chegar, por vezes, a partir. Estou grata. Sinto-me plena, completa. Somos todos. How many people does it take to raise a child? A village. Diria mais. Toda a família. Aquela que é e aquela que é convocada. Que nós convidamos para entrar e dizemos, vais ser madrinha, padrinho, ‘tia’. Então preparem-se vem lá o menino/a Jesus. ❤️😘😍

Birras

Há quem diga que as crianças ficam muito difíceis quando têm irmãos. Muitas crianças têm irmãos entre os 2/3 anos. Mas quem só tem 1 filho sabe que a fase difícil não é porque tenha chegado um irmão. É simplesmente a fase das birras. Dos gritos, do choro. Ah que insuportável… A MR agora faz umas birras de vez em quando (felizmente não é diário) que me tiram do sério. Grita em vez de chorar e depois, mesmo já ao meu colo, a explicar-lhe tudo com muita calma, a dar-lhe um abraço, a confortá-la a tentar ceder em algo que pelos vistos era muito importante para ela, continua num chorinho que é feito para os pais. Pela negativa. É impossível ouvir aquele choro por mais de cinco minutos, é enlouquecedor. Não é um choro de dor, nem de zanga, é o chorinho da birra, mansinho, constante em ladainha, ‘ahh, ahhhh, ahh, ahh’. AHHHHHHHH! É o único choro que eu eu não suporto. Pára com isso filhinha querida, ok? Fala comigo, estou aqui vou ouvir-te, o que queres? E a única coisa que ela quer é fazer aquela birra.

Não dá para chegar a ela nem deixá-la sozinha, mas como estou decidida a vencer as birras vou começar por ler o livro do pediatra Mário Cordeiro, ‘o grande livro das birras’. A ver se inspira. E expira, também preciso…

Vetadine ou betavine

Caiu na escola duas vezes. E esfolou por duas vezes aqueles joelhinhos lindos e delicados. Lá desinfectaram-na com Betadine, quando eu cheguei tinha os joelhinhos todos cor-de-laranja…

Eu- Então meu anjo caíste! Doiem-te os joelhitos?

MR- Nao, doí-me aqui no Vetadine!

Eu- Oh filha, no Betadine, é?

MR- Sim, no Betavine….

Jogo

Eu nem sou nada de futebol, mas no que toca à seleção deixo-me tocar. Não significa que vista o cachecol ou camisola, que por acaso fiz em 2004, mas fico atenta, lá vejo os jogos e entusiasmo-me.

Hoje estávamos todos colados à televisão. Há qualquer coisa nestes movimentos coletivos ao nível nacional que me põe sempre de lágrima no olho. Começa com o hino, canto e no fim emociono-me sempre. E depois é o gozo de chorar uma derrota coletiva ou gritar uma vitória com uma nação. É arrepiaste, arrebatador.

A MR com quase 3 anos, já assistiu a este jogo, sofreu e celebrou connosco. Quando Cristiano Ronaldo se senta no meio campo a chorar a minha filha diz muito aflita:

-Oh, tem uma mosca no olho, coitadinho!

Esta coisa das moscas toca-lhe muito porque especialmente detesta estes bichinhos e seus primos voadores pequeninos… Para ela a grande dor de Ronaldo foi a mosca que importunou o seu olho! Para todos, a dor de Ronaldo foi sentida, sofrida e abraçada. Grande homem, grande jogo. Portugal com duas medalhas de ouro já ganhas neste dia, somou os campeões da Europa de futebol. Vai Portugal,estás em alta. ❤️👌😊😘