Monstros

MR- Está um monstro cá em casa!!!!

Diz ela a correr e um bocado assustada.

Eu- Está?!…

MR- Sim!! (é a fingir mamã…)

Eu a piscar o olho:

Eu- Ah, ok… Mas olha não há monstros que fiquem cá em casa… Se eu lhes der uns gritos, fogem assustados… E se o pai chega e encontra cá algum ainda lhes dá umas dentadas valentes…

MR- Grita lá para eles mãe…

Eu- Xô daqui, TUDO PARA A RUA IMEDIATAMENTE!!

MR- VÂO-SE EMBORA OUVIRAM??… Mãe, quando é que o pai chega?

Eu- Hm… olha, o pai já vem, mas vou contar-te um segredo. Só há uma coisa que assusta os monstros mais que um grito.

MR- O que é? Conta baixinho…

Eu- Os miminhos. Quando os monstros vêem que os pais e as mães dão muitos beijinhos aos meninos ficam muito assustados e vão-se embora. (beijinhos e abraços)

MR- Vão? Porquê?

Eu- É a força do amor. É uma força muito boa e como os monstros são uma coisa má fogem das coisas boas, têm muito medo porque sabem que pode acabar com eles.

Chega o pai.

MR- Ainda bem que chegaste pai, estava aqui um monstro mas já se foi embora…

Pai- Já??

MR- Sim, tem medo de nós…

Vicente

Fica Vicente.

Mas o Vicente não se fica. Passa o dia a mexer e remexer, chega a mexer pernas e braços ao mesmo tempo. Não pára quieto nem um segundo. Acorda de noite quando eu acordo e mexe-se mal me sento por uns segundos. Passa o dia nisto. às vezes até penso se dormirá o suficiente. Parece reguila. Gosta quando eu bebo cerveja, como doces ou fruta. De manhã não se mexe, de tarde e de noite é de uma atividade incessante. Sai mais à mãe.

Conquista-me assim, de dentro para fora, apenas com 23 semanas… Estou rendida ❤

Beijinhos (não)

A verdade é esta. Uma barriga instalou-se entre nós. Ela percebeu-o mesmo antes de ser visível. Já era visível para os seus sentidos. E entre nós ficou aquela realidade, ‘queres substituir-me por outro’. Falo da MR, claro.

A verdade é que o amor que tenho por ela foi o furacão que impulsionou e impulsiona o desejo de mais bebés. Sim, tenho um desejo incrível de ter mais 1 ou 2, mas acho que terei de esperar pelo que a vida me reserva… Por agora este bebé, este menino Jesus que se anuncia para a quadra natalícia, que começa a ocupar lugar na nossa família, nas nossas vidas, na nossa rotina e nos planos do futuro.

Infelizmente passei uns penosíssimos meses iniciais em que estava imensamente mal disposta. Mal podia fazer nada. Claro que a MR sentiu, sentimos todos, e apesar de nunca ter deixado de estar e fazer coisas com ela e por ela, na altura estava um pouco retirada, menos capaz. Mas nunca deixei de dar beijinhos, e colinhos, e miminhos, e frosquinhos… Apesar de dar um pouco menos. E mesmo assim ela sentiu. E quando comecei a melhorar dos enjoos (ieeeeeiiiiiii!!!!!!) e estava com mais saudades que nunca da caganita, acordava todos os dias cheia de vontade de a estrezicar (como raio se escreve esta palavra???). Ainda por cima desde que engravidei que a miúda só consegue dormir na nossa cama (coincidência?). Pois a cachopa começou a sacudir os meus beijinhos! A sacudir-me no geral. E pior, quando lhe imprimo beijos naquelas bochechas boas, naqueles bracinhos apetitosos, ela limpa-os!!! Oh pá, que dor!!! A sério?? 😭🙄 Para cúmulo às vezes estamos a sair para ir a casa de alguém e ainda não chegámos à porta já ela está a dizer que vai dar beijinhos a não sei quem! Ai, parte-me o coração…

A madrinha veio cá entretanto. Passámos umas mini-ferias juntos para profundo deleite de todos, mas a cachopa estava especialmente em êxtase. Só vemos a madrinha de vez em quando por estar fora por isso foi para mim uma surpresa que ela andasse tão de amores com ela, com a intimidade de quem passa os dias e as noites juntos. Lá procurou um diminutivo mais fofo para a madrinha e encontrou madrita, achei delicioso. E lá andou ela o tempo todo, madrita para todo o lado e eu com a ciumeira de ter passado para segundo plano. É só beijinhos, miminhos, colinho e mamã nada.

Sim, confesso, sou uma mãe beijoqueira. Achei que isto ia acontecer, mas só estava preparada para algo assim daqui a uma década. De repente fiquei cheia de vontade que nascesse este novo bebé para um bocadinho de ciumeira positiva que me tragam a caganita de volta…

Tambores a rufar…

Toda a família e amigos se puserem a tentar adivinhar o que lá vinha. Eu, o Z., o meu pai e a minha prima dizíamos que seria uma menina, mas todos os restantes insistiam que seria um menino. Bom, nestas coisas não há muita ciência, há 50% de hipótese de acertar, portanto as percentagens jogam mais ou menos a favor de qualquer hipótese.

Fomos à ecografia morfológica e felizmente estava tudo bem com o bebé… E é um menino!!! 🙂 O Z. ficou emocionado. Confessou que queria tanto isto que até tinha medo de o desejar. É o menino da mamã e o compincha do  pai. Estamos deliciados, estaríamos sempre, fosse menino ou menina. É que quando nos dizem o sexo do bebé, nesse momento passamos a ser pai e mãe de alguém muito específico. Já não é o bebé, nem a sementinha ou o feijãozinho, é especificamente o Luís, Joaquim, a Mariana, etc. Aqui para o caso ainda não temos a certeza do nome. A madrinha propôs Vicente, o padrinho aprovou e gostámos desta ideia de ser a madrinha a dar o nome 🙂 assim numa onda de ir buscar tradições antigas 🙂 de qualquer forma ainda não teve o final sim do pai, por isso aguardamos…

Infelizmente recebemos também a notícia de que tenho o colo do útero um pouco mais reduzido do que era suposto nesta altura. Ainda não é caso para ficar de cama, mas associado ao facto de estar com muitas contrações tivemos de falar de parto prematuro. Resultado, fazer a vida ‘normal’ sendo que estou proibida de todo o qualquer esforço, desde andar (muito), subir escadas, pegar na MR ao colo, cozinhar, baixar-me para pegar coisas, etc… Pouco sobra que realmente possa fazer. Para além de apreensiva fiquei um pouco desanimada porque primeira vez estava a conseguir ter a experiência desse segundo trimestre ‘maravilhoso’ que falavam. Sinto-me muito ágil, agora quase sem enjoos (ahhhhh que bom!!!!), pouco inchada, leve, sinto tudo isto. Às vezes até comentava com o Z. que me sentia pouco grávida. Afinal tenho de me tornar menos ágil e descansar mesmo um pouco mais.

No dia a seguir abrandei bastante, a cada coisa que fazia pensava no meu bebé e que também era mãe dele (Hihihi, sim agora é mesmo um ele) e abrandava. Aconteceu uma coisa fabulosa, comecei a senti-lo muito mais. Só o sentia uma ou duas vezes por dia e de repente… Sinto-o a toda a hora! Uau… A minha querida Doula perguntou-me imediatamente, ‘não achas que foi positivo este sinal? O teu bebé está só a reclamar espaço, existência’. Pensei naquilo e como este bebé tinha todo esse direito. E quando eu lho concedi parece que ele cresceu… Em mim, nele, em nós.

De repente lembrei-me que íamos ter de encontrar espaço no quarto da irmã, e que não tinha roupa de alcofa de inverno 🙂 felizmente há tempo. E eu vou portar-me bem, abrandar e pensar em ti meu bebé. E não te vais precipitar, nem eu. Ainda temos muitas semanas de namoro neste código só nosso. E em bom tempo espreitas o mundo cá fora. ❤️❤️❤️❤️

Neste cantinho (ranhoso)

Na casa-de-banho, a MR a fazer xixi e eu a ajudá-la. A minha barriguita a dar-lhe cabeçaditas de vez em quando:

MR- Mamã, quando o bebé nascer vai ficar aqui? (Apontando desdenhosamente para um cantinho da casa-de-banho)

Eu- Hm… Não querida, no chão não. Talvez ao nosso colo ou na caminha dele, que te parece?

MR- Está bem, ao meu colinho…