A febre do ninho

Haverá tempo suficiente para seja o que for? Acho que não… Mas fico feliz, é sinal que há sempre algo mais para fazer, e que a vida não acaba antes de tempo. Seria grave ao contrário.

E é o que toda a gente me diz… ‘Aproveita’. Sim, desde as 20 semanas que a obstetra me disse que tinha de abrandar muito, colo do útero a ficar reduzido, mas pior que isso uma dilatação de alguns cm que era suficiente para desencadear o parto em qualquer altura. Às 24 semanas lá tive mesmo de ficar quietinha em casa e até de tomar uma medicação anti-contrações, pois a cada espirro, dia à casa de banho, ou sentar para comer o jantar tinha uma data de contrações.Passámos aqui uns momentos de stress e alguma ansiedade, agora já estou nas 30 semanas já tenho um bebe com quase 1,5 kg e já me sinto mais calma. No entanto a meta é a mesma. Chegar pelo menos às 37 semanas.

 As semanas são passadas em casa, sozinha, mais ou menos de papo para o ar. Ainda tenho autorização para ir buscar a MR à escola se for a única coisa que faça. Tenho ajuda da família toda, a sogra que ajuda com a cachopa nos dia de escola, a mãe que faz umas refeições ou umas visitas, a incansável e SEMPRE disponível madrinha a ajudar com as tarefas diárias, sou uma abençoada. E por isso mais oiço, ‘aproveita’.

Para quê? Para descansar, ler, pôr séries/ filmes em dia, escrever, pintar, realizar todos os sonhos que possa fazer sentada/ deitada. Bom, devo dizer que ficar em casa é o sonho de todos os que não ficam… Já para os que são obrigados, não é bem assim. E essa de descansar, sim, é espetacular na primeira semana, depois disso não há vontade de dormir suficiente que chegue para passar o tempo. Ler também é divertido, mas dois dias depois começamos a olhar em volta a pensar o que fazer, e TV… Bom esgota-se muito depressa mesmo. Por isso foi assim que a entrar nas 28 semanas entrou também por mim adentro a febre do ninho. Comecei a olhar em volta e a querer arrumar cada prateleira, a querer destralhar os armários depois de 3 anos de acumular de roupa, brinquedos e papéis esquecidos, fui à gaveta de costura e peguei num vestido que comecei a fazer para a  MR há 2 anos!, e acabei-o, entre outros projetos esquecidos.

Infelizmente há imensas coisas que não posso/ consigo fazer mas sinto que entrei no modo absurdo de ratinho a preparar a toca, num desespero de colocar a palhinha toda de um lado, as reservas de comida do outro e a sensação irritante de que precisava de 33 pessoas a fazer todos estes recadinhos por mim…

E na falta de melhor, tentando entreter a minha mente nesta necessidade profunda de arrumação, escrevo desenfreadamente listas para um dia que consiga levá-las a cabo, ou para pelo menos poder imaginar o estado deste meu ninho no fim de todas as tarefas realizadas e suspirar de alívio…

Mais alguém sente febre do ninho??…

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O Natal e a TV

Com a proximidade do Natal vem aquela pressão nada subtil dos anúncios de TV em TODOS os canais, mas sobretudo nos dos miúdos… Até aqui a MR não dava muito por nada, mas eu sabia que o ‘quero aquilo’ havia de chegar…

Qual não foi a minha surpresa quando ela olhou para um anúncio com duas bonecas e me disse:

‘Mãe, também quero estar na televisão…’

Ok, menos mal, parece que este ano ainda nos escapamos…

Sou tua mãe!

MR-Agora sou eu a tua mãe e tu és o bebé!

Eu- Ok…

MR- Fizeste uma grande asneira, estou muito zangada.

Eu- A sério? Mas o que é que eu fiz?

MR- Uma coisa grave que não se faz!

Eu- Hm…

MR- Nao te rias, eu não me estou a rir! Estamos entendidos? (Dizendo-o com muita calma.)

Eu- Ok filha.

MR- Filha não, eu sou tua mãe…

Suspiro…

Um livro para mim, outro para ti…

Eu a ler um livro, ela vem ter comigo, 

MR- Mãe o que estás a ler?

Eu- Olha filha, estou a ler assim um livro para crescidos, não tem desenhos nem nada…

MR- Podes ler-me?

Bom, costumo ter mais criatividade que isto, em minha defesa, mas hoje não estava mesmo nada inspirada, não estava nem capaz de inventar uma estória adaptada enquanto passava umas folhas… Só saiu:

Eu- Oh filhota, nem por isso, não vais perceber esta estória, mas posso ler um livro teu, queres?

MR- Não.

Levantou-se e foi buscar um livro dela. Sentou-se ao meu lado.

MR- Mãe tenho aqui um livro meu.

Eu- Hm, que giro.

MR- Queres saber a estória?

Eu- Sim, gostava muito. Contas-ma tu?

MR- Não mãe, é assim só uns bonecos para crianças, não ias entender…

Ora toma e embrulha!…