Chucha

Como é que se põe um recém-nascido a gostar de chucha para que esta possa acalma-lo nos momentos piores?
1. Compra-se a chucha (eu cá só gosto das Physio da Chicco)

2. Em casa abre-se a embalagem e lava-se a chucha.

3. Põe-se na boca do bebé.

4. Já está.
Nota: só entende este post quem teve filhos que gostaria que acalmassem com chucha e que teve dificuldade em vê-los agarrá-la… E teve de fazer macacadas, estratégias e estratagemas para o conseguir, como nós com a nossa primeira filha…

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Por nada de especial 

Há meses que não ia ao cabeleireiro. Começou por ser pela descoberta de um tímpano perfurado que não poderia ter nem uma gota de água, depois da operação falta de tempo, indisponibilidade financeira e pronto, dei por mim com uma enorme madeixa de cabelos brancos que se tornaram a minha imagem de marca.

Nunca me incomodaram, já tenho cabelos brancos desde os três anos, e rapidamente me afeiçoei a este novo look. Recebi muitos elogios, outras vezes nem por isso e até me chegaram a dar 38/9 anos (??) que me passaram um bocado ao lado…

Neste compasso de espera de Vi e da quadra natalícia, lá me apeteceu pintar o cabelo outra vez. E foi só isso, lá fui eu, com a MR, ela adorou, escolheu a cor, enquanto eu estava com aquele ar ridículo de todas nós, disse que eu parecia uma rainha (ai, não há nada mais alto que as mães aos olhos dos filhos), pediu para pintar o dela (lá levou com um bocadinho de creme amaciador com montes de paciência das cabeleireiras), e pimba, em 1 hora lá estava em pronta para mostrar o meu novo eu ao mundo.

Senti-me esplendorosa, confiante e radiante, estava mesmo a precisar disto para esta nova etapa e nem sabia o quanto. 

Em casa e Feliz Natal…

Acabados de chegar a casa com um recém-nascido e cai -nos uma amigdalite viral em cima… a MR não estava para meias medidas e esta chegada do mano, com tudo o que queria e não queria deu-lhe por esta ordem, uma conjuntivite, febres e vómitos, amigdalite viral e uma otite. Só passaram exatamente 7 dias desde o nascimento do Vicente e já temos isto tudo para contar. Na ida à pediatra confesso que saí de lá em pânico, depois de nós ter dito não só o diagnóstico da MR como o facto de ser muito perigoso o possível contagio do irmão. Estando a dar de mamar ele estará mais protegido, no entanto cuidados são necessários. São eles, evitamos usar o mesmo casaco com ambos, desinfectamos as mãos depois de estarmos com a MR, e os adultos usam máscara para estar com o Vi, pois estamos ambos constipados, e eu muito mesmo…

Andamos portanto a tentar afastá-los, o que dói, pois a interação da mais velha com o pequeno poderia ajudar a fortalecer laços e a descontrair um pouco o nervosismo, no entanto é o oposto. Assim o pai passa a noite com ela e eu com ele, sempre sou eu que dou de mamar. Perdão, que tenho os maiores melões da história, podia alimentar trigémeos e acho que ainda sobrava.

Passámos o natal os 4 em casa pois não íamos sair com o bebé tão pequenino, porque a MR está tão doente e porque em todas as casas há alguém adoentado 😷 mal dormimos e a todas as horas há uma tarefa. Temos uma família maravilhosa e uns amigos deliciosos e todos nós vieram trazer miminhos, prendinhas para animar a MR e comida, montes de comidinha deliciosa (obrigada mãe). Até tivemos uns amigos que trouxeram uma travessa de lasanha 😳tudo para sentirmos os doces sabores de comida de natal, mesmo quando não podemos sair de casa…

Mas hoje é natal. E depois de abrir as prendinhas entre choros de dores de ouvido, a MR caiu numa sesta de várias horas. Ela ao colo do pai, ele, bebé santo que só come e dorme, e os crescidos ainda conseguiram ver dois filminhos da matinée… agora é natal.

Feliz quadra a todos! ❤

Parto

Pari.
O meu parto de sonho, pari o meu filho sozinha com a companhia das pessoas que mais precisava nesse momento, a minha querida Doula e a minha querida obstetra.

Obrigada ao meu querido marido e super pai, incansável, preocupado e presente. Obrigada aos avós que nunca se recusaram a estar com a nossa mais que tudo e se foram revezando. Obrigada aos padrinhos que estão sempre lá e obrigada aos padrinhos que mesmo longe estão perto.
Agora vou ali e já venho, que isto vai demorar.

O falso alarme

Foi na terça, com cerca de 36 semanas e meia, e depois de um dia e semana difíceis. Bem sei que a semana estava muito a começar, mas já vinha com bagagem da semana anterior. Tínhamos estado a preparar tudo até às 36 semanas, era a nossa meta. Depois das ameaças de parto prematuro fomos cuidadosos e basicamente preparámo-nos para o ‘a qualquer momento’, se é que isso é possível. O meu maior medo era não ter tempo de chegar ao hospital e ter a criança pelo caminho…

Ultimamente a família ficou toda doente. Uns com grandes gripes- com direito a ficar de cama e tudo, outros altamente constipados e até houve uma queda, que felizmente está a recuperar bem. Ficámos basicamente isolados de toda a gente a ver se caso o Vi nascesse não estávamos doentes para o receber, pelo menos os cá de casa. Fruto da proximidade do nascimento o Z. tem ficado no trabalho até mais tarde para deixar tudo o mais pronto possível, e eu que tenho tido o apoio incansável da minha madrinha TODOS OS DIAS a agilizar o banho da pequena, pimba, vi-me sozinha nestas tarefas todas obrigatórias diárias.

Então ia buscá-la à escola, trazia para casa, tentava ainda dar uma pequena voltinha com ela, ou ir ao parque, fazia o jantar e quando o Z. chegava eram 21h e a cachopa estava a dormir ou perto disso, já pijamas vestido e jantar comido. Na terça a cachopa decidiu adormecer no carro depois de uma ida ao parque e de andar exausta… não a consegui acordar, rabugenta que estava, menos ainda a podia levar para casa escada acima, e sem ter a quem recorrer, fiquei no carro à espera do pai da criança. Esperei duas horas… ao fim de uma hora já eu estava cheia de contrações e por mais que ajeitasse a cadeira ou me pusesse para um lado ou para o outro as contrações só intensificavam. Fomos para casa e já as contrações, apesar de indolores, eram de 3 em 3 minutos. Tentei deitar-me e acalmar-me um pouco, mas as contrações continuavam e eu comecei a entrar em pânico a achar que ia ter o meu filho a caminho do hospital sem tempo de lá chegar propriamente .

Já eram umas 22h quando liguei à Doula, ‘Catarina, será que isto está a acontecer?’. Estava bastante assustada. Não esperei que me acontecesse antes das 37 semanas, não esperava. A Catarina falou comigo, sossegou-me e disse-me, ‘e se estiver? Ouve o teu corpo, confia nele e no teu filho.’ E comecei a sentir dores. Não estava bem, comecei a ficar nervosa. Só pensava ‘mas porque é que isto me está a acontecer agora?’ Já eram umas 22h e tal, falei com a obstetra, ela sugeriu que ficasse calma, fosse em casa a ver onde aquilo ia dar, fosse no hospital para alguém me dizer que estava tudo bem.

Já não aguentava mais. Acabámos por ir deixar a MR a casa dos meus sogros e seguir para o hospital. Mal a deixámos lá comecei a sentir as contrações abrandar… era altura de ouvir o meu corpo que me dizia que era ‘apenas ‘ um episódio. No entanto acabámos por seguir para o hospital. Só dizia à minha mãe, ‘nem acredito…’

Lá entrámos na urgência obstetrícia, CTG, muitas contrações irregulares, o médico diz ‘hm… acho que passam cá a noite’ e pimba começo a ter dores. Ahhhhhh, ‘Catarina vem por favor!’ O Z. nem queria acreditar, ‘mas é mesmo agora? Tenho de me sentar’ vamos para o quarto e já é quase 1h da manhã. Chega a Catarina, damos um longo abraço e eu sinto as contrações suavizarem, as dores suspenderem. Obrigada por estares aqui ❤ O meu marido vem ter comigo e estamos todos calmos, precisávamos de Catarina.

Depois de preencher documentos e de ligar CTG, pensámos que podíamos tentar descansar um pouco. Coisa difícil, estava tudo um bocado ansioso, eu e o Z. sobretudo. A Doula descansava aos 40 minutos de cada vez. Ia acordando, íamos conversando. Comecei a ficar cada vez mais calma e sentia as contrações a abrandar cada vez mais. O Z.  vinha falar comigo ‘Não sinto que isto esteja a evoluir’, dizia-lhe eu. Falámos os 3, a dois, em pares alternados. Cada um tentou descansar mas era difícil. O coração do Vi dentro de mim a ecoar no quarto.

Pelas 7/8h da manhã era óbvio que eu não estava em trabalho de parto ativo. Era óbvio que a criança não ia nascer dali a umas horas e mais óbvio era que precisávamos todos de ir dormir. No entanto ainda precisávamos do consentimento da médica para poder sair dali. Não acreditava que me tinha enganado / precipitado / aterrrorizado. Como mãe de segunda viagem esperava mais de mim, esperava saber, estava desiludida com o meu engano. Envergonhada até.

Eu estava ansiosa com a ideia de estar a entrar em trabalho de parto, desiludida com a hipótese de a coisa não estar lá muito a acontecer e sem saber o que fazer. A Doula disse-me, ‘conecta-te com o teu filho. Só ele te pode ajudar agora, ajudar a perceber o que vai acontecer.’ E ouvimos um mantra, por sugestão da Catarina, a oração da mãe ao filho, e eu conectei-me. Abracei o meu bebé, vi a cara dele dentro do meu ventre, disse-lhe que o amava profundamente e que confiava em ambos. Ouvi-o pela primeira vez nessa noite. Olhei-o e amei-o. Foi o suficiente para o Zé dormir 1 hora, para eu conseguir descansar um pedaço também e fazer as pazes com todas as emoções das últimas horas (ou teriam sido dias?).

Acabámos por só conseguir ir para casa quase à hora de almoço, de facto o parto não era já, apesar de estar potencialmente próximo. Olhei para a nossa Doula, exausta, de rastos, também, e agradeci-lhe. Que noite. Que atropelo, que quantidade de emoções. Ser Doula é isto, é ter uma capacidade de entrega, generosidade e disponibilidade incríveis. É ser Doula da família inteira. Passar a noite, uma noite qualquer da sua vida, escolhida por alguém que não ela, à espera sabe-se lá do quê. A falar com a mãe, a ouvir o pai e os seus medos, a pensar na filha deles que já cá está, a conciliar expectativas e desilusões. Com calma, sem acusar ninguém, nem julgar, combatendo o seu cansaço e todas as coisas que deixou suspensas na sua vida, por uma noite, umas horas, de todas as vezes que isso for necessário. Pela mão da Catarina estivemos todos mais calmos, reforçados, confiantes. A Doula é a parteira antes do parto, a conselheira, a confidente, o colo, a irmã, amiga, o abraço, o calor. É uma mãe infinita, na sua sensação. Sente-se mãe mesmo que nunca tenha parido um filho. Tem sempre os braços abertos quando estamos perdidos e a calma necessária para conduzir mas também para deixar conduzida pelos restantes intervenientes.

Quando comecei esta vigem da concepção e segundo filho percebi que ia querer uma Doula ao meu lado. Sem referências, tive de procurar nalguns grupos/ associações de Doulas em Portugal listas com pequenas descrições de Douglas e guiar-me apenas por esse parágrafo acompanhado de fotografia. Achei que ia querer/ precisar de uma Doula que já tivesse passado pelo meu estado (será isso verosímil?). Que tivesse pelo menos uns 3/5 filhos, que tivesse pelo menos uns 50 anos, pronta para me dar confiança de quem já ‘lá’ esteve e regressou sã e salva. A Catarina era o oposto disso. Mais nova que eu (o que isso me assustou), sem filhos, a iniciar a sua carreira. O seu sorriso era lindo e as suas palavras pareciam ter deixado uma marca em mim. Começámos a falar, encontrámo-nos, rimos, emocionámo-nos, desabafámos (estas fui mais eu) e percebi inequivocamente que ela era a minha Doula. A que eu precisava e a ÚNICA que eu poderia ter, que nos podia completar. As ideias pré-concebidas que eu tinha eram só isso. Nem eram uma realidade, nem uma necessidade, eram só uma ideia. A Catarina ali estava, pronta para me mostrar que não há coincidências, e que ela ali estava para alumiar o meu e o nosso caminho.

Obrigada minha querida. Isto ainda não acabou. Mas tem sido uma viagem iluminada. Graças a ti. Grata eu. Mil beijinhos.

❤💙💜💛💚
(Mais sobre a minha Catarina aqui)

Minha riqueza

Uma expressão que a minha avó usava muito a falar comigo, ‘Riqueza da sua avó’. Uma expressão tão linda que ouvi anos mas acho que nunca a entendi em profundidade. É preciso ser mãe/pai para perceber este amor pela descendência.

A minha riqueza está a ficar crescida. Era toda maricotinhas como eu sempre fui, e de repente, não sei se nesta coisa de ir ao parquinho mais vezes com o pai e menos com a mãe, fez-se uma destemida. Agora que chegámos às 37 semanas já me autorizam (e aconselham) mexer-me qualquer coisinha.

Por isso lá fomos todos ao parque infantil e eu fiquei comovida a ver aquela miúda que se enroscava nas minhas pernas a trepar agora pelo escorrega em sentido contrário como o pai a ensinou 😳 Fiquei ali ao pé dela entre o meio chocada, o orgulhosa e o cautelosa e ela vira a cara para mim e diz, ‘mãe, vai-te sentar, ficas a ver-me de longe!’

Fiquei assim entre o ‘está a acontecer ‘ e o ‘não estava preparada’. A minha menina já não tem só 2 anos, tem 3 e quase meio, é diferente de mim e daquilo que eu fui e está a crescer no seu sentido e ritmo próprios.

Passamos o tempo como mães, a querer vê -los conquistar e mundo e capacidades e a querer vê -los autónomos, mas quando a vi assim toda aventureira não pude evitar sentir assim um friozinho no coração. Afinal esta cachopa está mesmo a crescer e a conquistar o mundo, sem MEDO.

E enquanto pensava tudo isto vejo aquele meu bebézinho, tão só meu e pequenino, a agarrar -se ao pai, a ter uma relação com ele e a ser uma pessoinha independente, com gostos, escolhas e relações diferenciaras com cada elemento da família, que já não é uma extensão de mim, é também sua.

Que às vezes é pequenina e ainda quer ser bebé, que é crescida e já não cabe na roupa dos 2 anos e que outras vezes é uma aventureira a pendurar-se nas barras do parque só com as pernas e a correr para os braços do pai a celebrar orgulhosa. E eu também. Orgulhosa e comovida a olhar para ela a descobrir o mundo. Claro que fico feliz. E esta é e será sempre a minha riqueza. Riqueza da sua mãe.