In love

Exausta, claro, é como me sinto. Gerir dois bebés pequenos , com idades próximas, é, sem dúvida um (grande) desafio. Mas é um desafio maravilhoso. Estou bem, estou mais que bem, estou feliz, plena, preenchida, satisfeita. Tenho os meus dois bebés, o meu menino e a minha menina, todo o tempo possível só para eles, todo o carinho disponível, todo o amor do mundo.

Estou cansada, claro, e quando tenho ajuda ou apoio da família até jubilo! Mas consigo fazer TUDO sozinha. Até já consegui (várias vezes) dar de mamar, dar o jantar à mais velha e comer (porque estava cheia de fome). O meu bebé pequenino teve uma crise de cólicas que se anunciava terrível, mas aparentemente aquele período mesmo mau durou uma semana. Agora tem cólicas mas é tudo muito pacífico.

De noite dorme. Eu nem por isso, porque tenho de dar de mamar… e como o príncipe mama muito…. passo algum tempo acordada… mas eu estou bem. Cansada, mas bem. É um namoro pegado e eu gosto assim 😊 O Vi nunca chora, desde que tenha colo. Para mim isso não é um bebé que chora. Claro que passa o dia ao meu colo, e o TUDO que faço, faço-o com ele nos braços e na marmelada com ele 😊 E faço muito mais do que fazia com a MR (quando só a tinha a ela).

Perguntava-me antes de ele nascer como ia ser possível conciliar tudo. Disse-me a minha madrinha que eu ia descobrir, como todas as outras mães. E descobri. Sim, estou um pouco cansada. Mas estou a adorar. Não mudava nada. ❤❤❤❤

Anúncios

Sopa

A avó R. faz uma sopa ótima de feijão e couves, à qual lhe chama ‘sopa de chocolate’. Toda a gente adora a sopa até, e sobretudo, as duas netas, que não são grandes fãs de sopa. Mandou umas conchinhas dessa iguaria para encher estômagos e corações. A MR vê a sopa e pergunta se foi a avó R. que fez, a que eu respondo que sim.

MR- Mãe, a avó R. faz uma sopa maaaaa-nífica!…

Assim, de dedinhos espetados no ar e a dar entoação à primeira sílaba ❤👍 A minha pequena ‘chef’.

A minha legião 

São mulheres. As minhas mulheres. Preocupam-se comigo. Só isso. O meu filho nasceu e também é delas. É neto, sobrinho, afilhado, primo, irmão. E uma a uma desde o dia do parto vêm ter comigo e mais do que procurarem um pedaço dele, vêm dar-me. Sinto-me profundamente abençoada.

Quando a minha filha nasceu percebi em profundidade o ditado ‘it takes a village to raise a child’, mas com o nascimento do meu filho, tendo em conta que já cá estava uma, isso ganhou ainda mais força. Veio a minha mãe, a minha madrinha, a prima, as amigas, as tias, até a namorada do irmão. Passaram, telefonaram e perguntaram ‘como estás tu?’ Só isso. Perguntam ‘O que precisas?’, antes de ‘como está tudo?’. Vieram e antes de pegarem no bebé ou de correrem a dizer que era lindo, deram-me a mão. De uma forma que não tinham de fazer, mas fizeram. Às vezes só por mensagem, procuraram a empatia feminina de quem conhece ou imagina a dureza de ser mulher nesta fase. Damos tudo. O que temos e o que não temos. Somos mães. E as mulheres que já o são, dizem, ‘Não te esqueças de ti. Vai passar. Tens uma família maravilhosa. Eu sei que custa, não dormir, não ter tempo. Mas vais voltar.’ E as mulheres que ainda não o são imaginam. E perguntam como está a correr. Como é que eu me sinto, assim, lá dentro, só eu. E entram pela minha casa e ajudam-me com a loiça, e a dobrar roupa, ou diz a minha prima, ‘vai dormir um pouquinho com o Vi, eu fico com a MR’. Vem a madrinha de surpresa e eu chego e tenho a cozinha num brinco. Vem a amiga C. e pergunta ‘como estás querida? Não tenhas medo, nem das doenças, que os recém-nascidos são fortes, nem da falta de sono, porque tudo passa e passa tão rápido.’ A namorada do irmão diz, ‘eu vou contigo buscar a menina à escola’. Mandam mensagens, aparecem e quando me olham eu sinto-me mais forte, mais capaz. Por este conforto.

É inexplicável. Também tenho o carinho dos homens, sim. Homens muito especiais na minha vida, o meu pai, o meu irmão, o meu tio, o pai dos meus filhos. Mas esta empatia é algo que só outra mulher nos poderia dar. E não tem de o fazer. Mas algumas fazem-no. E nós sentimos que não estamos sós. E sentimos que neste período em que vivemos para dar, alguém decidiu parar um pouco da sua vida para nos dar também.

Vem a minha mãe e tira-me o ferro das mãos. E faz-me uma festinha ou dá-me um abraço e diz ‘eu estou aqui’. E está mesmo. É mãe duas vezes. Na sua e na minha maternidade. Diz que eu vou sobreviver e eu acredito. Nutre, dá comida, dá afeto. Diz ‘Eu sei’. E sabe mesmo. E sabe tanto. Diz ‘Tem calma’, diz que ‘vai correr bem’. E corre mesmo. Incrível que por mais que tenhamos um amor infinito aos pais não há fase como a maternidade para o reconhecer. Vem um arrepio de frio com o cansaço que estamos a viver, e depois vem a perceção daquilo que já alguém fez por nós, de como nos amou, não dormiu, sacrificou tudo e ainda nos fez pessoas decentes. Obrigada mãe. És infinita nos teus gestos.

Fiquei duas semanas sozinha com os dois em casa, ela constipadita e com dores de ouvidos. Ela uma querida, ajuda a dobrar a roupa, avisa quando o mano está a chorar, tenta não chamar ninguém quando ele chora. Eu cansada de tudo o que tinha de fazer com eles, mais noites (mal) acumuladas. Vem a minha filha fala comigo e eu respondo já um bocado sem vontade,

MR- Estás cansada mãe?

Eu- Estou meu amor.

MR- Comigo mãe?

Eu quase de lágrimas nos olhos,

Eu- Não meu amor, não. Estou cansada mas não é contigo. É um pouco de tudo, sabes que estas noites a mãe não tem dormido tão bem…

MR- Porquê mãe?

Eu- Olha o mano tem de comer de noite, a mãe dorme menos por isso. E quando não dormimos ficamos cansados… 

MR a pensar,

MR- Então fazes assim mãe, quando o mano tiver fome tu dás de mamar e quando não mamar tu dormes. Assim já podes descansar!

Obrigada do fundo do coração a estas minhas mulheres, queridas, generosas, que vêm jantar e trazem a comida, ou fazem um almoço para nos receber em sua casa e poupar umas horas de cozinha. Obrigada por ligarem e perguntarem se eu estou bem. Obrigada por dizerem ‘Não te esqueças de ti’, por se preocuparem e despreocuparem dizendo ‘vai passar, vai correr bem’. Obrigada por dizerem ‘gosto de ti’ ou ‘ não estás sozinha’. Obrigada meus amores, com todas as forças que tenho. Obrigada mãe e obrigada filha. Obrigada madrinha, tias, amigas, primas, ‘cunhada’. Obrigada a todas as minhas mulheres.

Derreto-me

MR encosta a sua cabecita à do mano:

– És o melhor mano de sempre. Adoro -te.

Para uma criaturinha que ainda pouco mais fez do que comer, dormir e chorar acho que está cheio de sorte. E eu também ❤  cheia de sorte e de amor por estes dois.