Frozen

É o filme de que mais se fala há uns valentes meses nesta casa. A MR é uma apaixonada pela Frozen, e assim tratávamos aquela rapariguinha de roupinhas azuis e cabelo esbranquiçado. Pois há uns fins de semana decidimos ver o filme com ela, achando que já estaria pronta, em termos de duração e conteúdo. Lá alugámos o filme através da box (modernices) e vimo-lo todos, até o mais pequeno. Bom, não só a miúda estava pronta para uma sessão de cinema caseira, como estava pronta 3 x… e nós lá tivemos de gramar com aquilo até ela sucumbir de sono e não aguentar mais neve sob os seus olhinhos.

Entrou a noite que tem destas coisas de nós por a pensar… e sobre o filme fiquei realmente impressionada com a estória das duas irmãs. Para quem não sabe, há uma Irma que tem uns poderes de congelamento e tal e a outra é mais nova, adora-a, mas um dia a brincar a coisa descontrola-se e a mais nova é atingida sem querer. Para a proteger da irmã os pais têm a brilhante ideia de separar as duas de repente, mantendo-as a viver na mesma casa mas trancando basicamente a miúda dos poderes no quarto, sob consentimento da mesma. Um dia os pais delas têm um acidente ao qual não sobrevivem e as miúdas reencontram-se no dia da coroação da irmã mais velha. Aquilo corre mal que se farta, uma foge, a outra vai atrás, e no fim percebem todos que os poderes da rapariga são inofensivos desde que haja amor em vez de medo. Fixe. Só é pena aquilo ter sido uma tristeza pegada até ali, mas nisto de ver a luz mais vale tarde do que nunca. E no meio daquela tristeza toda consegui pensar que aquela estória disfuncional estava, apesar de tudo muito perto de nós. Nós, no geral, nós cá em casa em particular. Quando o Vi. a MR fez todo o tipo de reações somáticas, desde amigdalite viral, otite, conjuntivite, vómitos, etc. A pediatra conseguiu assustar-nos bastante e chegou até a sugerir tê-los em quartos separados o maximo tempo possível. Nós não queríamos traumatizar a MR com o nascimento do irmão afastando-a, nem deixá-lo a ele sozinho num quarto todo o dia. No entanto estávamos em pânico, andávamos sempre de máscara, desinfetávamo-nos na passagem dela para ele, etc. Chegámos a pensar separar-nós o meu marido com a mais velha e eu com o mais novo.

Fomos falando com várias famílias com mais do que um filho e todas disseram que tinham passado por coisas semelhantes e que com os devidos cuidados tudo havia corrido bem, sobretudo num bebé que é amamentado. Escolhemos ficar juntos e esperar o melhor, tendo o maior cuidado possível. Compensou, claro. A integração com ela foi muito melhor, nós ajudámo-nos uns aos outros, ele esteve perto de todos e a ouvir a voz da irmã todos os dias. Arrepiei-me e pensei que estive tão perto de refazer a estória da Frozen ali mesmo em casa. Até o Vi. ter 1 ano e levar as principais vacinas a vontade é tê-lo fechadinho para garantir que nada lhe acontece (nem imaginam como andei com esta conversa do ‘surto’ de sarampo), mas a beleza das palavras é que ao proferirmos os seus significados dizem-nos coisas também. Ter o meu filho fechadinho garantia que nada lhe aconteceria. Nada. Nem de bom nem de mau. E isso… é mau. É a estória da Frozen, com duas irmãs a viver no mesmo castelo mas com uma parede entre elas até aos 18 anos, sozinhas e protegidas de tudo. Até das brincadeiras.

Respiro fundo e tento que os meus medos da vida não me impeçam a mim ou aos meus filhos de viver. É um equilíbrio difícil e um exercício exigente para uma hipocondríaca. Mas mais que hipocondríaca temo arrependimentos. E não poderia viver uma vida e no fim pensar que tudo teria sido evitado com mais amor e menos medo. Obrigada Frozen. Ensinarei os meus filhos a amar e serem cuidadosos. Mas por eles terei de sair do medo. Só estraga, só congela. E ninguém vive no gelo absoluto. Nem a Frozen coitada.

E Viva o amor.

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A mãe mais do mundo

MR olha para mim cheia de carinho, segura na minha cara, junta o seu nariz ao meu e diz:

MR- Oh mãe, tu és a mãe mais, mais…

(E eu pensava, mais quê, querida, amorosa, fofinha, linda?!, o quê, o que será??)

MR-…mais curiosa do mundo!

Ahahah…. esta coisa das mães terem expectativas… 😄😍😊

Cantando

MR- ih-ha! XefiCali nóstes…..

Tradução: ‘Ih-ha! Xerife Callie no Oeste’ (programinha do Disney Junior channel)

E o que eu demorei a chegar lá??? Foi mesmo pelo ‘ih-ha’…. Enfim, poderes de mãe…