Mesmo assim

Os miúdos estão doentes. Outra vez. Eu nem me posso queixar, que por aqui a coisa não vai além das constipações e umas viroses. Mas volta não vai, pimba! Em casa todos de molho. Claro que me queixo, e que fico cansada e às vezes até um bocado angustiada. Parece que não sou dona da minha vida. Vai de cancelar tudo, trabalho, planos, festas.

E sobre festas, o meu filho fez um ano. Quando a minha filha fez um ano as pessoas comentavam, ‘já? Passou tão rápido!’ Eu ficava louca com este comentário. Claro que para quem está lá muito fora da confusão parece tudo rápido… mas lá dentro custou tudo muito a passar. No primeiro ano da minha filha parecia que tinham passado 3. Mas no primeiro ano do meu filho, com tudo o que aconteceu neste ano e todo o ritmo do nosso quotidiano parecia só terem passado uns 6meses. E pimba já está.

O miúdo com tosse, parecia um cavadorzinho fofo, a miúda com febre e dores de barriga, mas mesmo assim ainda cantámos os parabéns com o miúdo ao colo e os padrinhos via skype. Arranjei energia para fazer um bolo, mas o prato foi massa com atum e milho, já não dava para mais. 5 dias a limpar narizes, a dormir 2horas de cada vez, sempre com alguém ao colo, dar um jeito brutal nas costas e só queria dormir. Por isso depois de cantarmos os parabéns às 20.30h fomos todos lavar dentes e vestir pijamas para nos enfiarmos na cama, na esperança de dormir mais qualquer coisinha. Não resultou lá grande coisa.

Mas que raio de pensamentos estes que nos assolam, porque haveríamos de ser donos das nossas vidas? Há tantas variáveis e imponderáveis a considerar que acharmos poder ser donos de uma parte dela seria não só naive como um pouco prepotente.

Mas queremos. E só passado uma semana estava desejosa de que os miúdos finalmente adormecessem cedo e na cama ficassem sem acordar para tossir, febre ou qualquer outro incómodo. Claro, para eles melhorarem… mas sobretudo para eu poder sentir que há vida no mundo, para além de termómetros, soro fisiológico, benuron e brufen, para passar um serãozinho a ver tv, ler, descansar ou qualquer outra atividade em me-time. E finalmente adormeceram. Pelas 20.30h e lá ficaram a dormir uma h, e mais outra… e eu nem queria acreditar que a noite era minha outra vez, só nossa. Ficamos tão entusiasmados que não deixámos o cansaço ganhar e ficámos a fazer serão até mais tarde, muito depois da hora de dormir… só para sentir que somos um bocadinho donos de um bocadinho das nossas vidas. Nem que sejam uma vez num serão até mais tarde… parece coisa pouca, mas não é. E se é essencial dormir, também é essencial existir.

E parabéns meu amor. Desde que chegaste às nossas vidas que as melhoraste em tudo. És o meu upgrade. Amo-te. Sê feliz.

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