Regressar

Ser Mãe ou Pai não é seguir nenhuma receita, porque nunca resultaria. Ninguém nos diz que isto é difícil para caraças e ainda bem, não valeria a pena e também não nos ensinaria grande coisa. Ser mãe e pai aprende-se. E mais, aprende-se com os nossos filhos (apenas).

Quando conheci o meu marido apaixonàmo-nos profundamente e em pouco tempo o que mais queria era construir uma família com ele. Não pensava mesmo noutra coisa. Foi um sentimento de desejo com relógio biológico a bombar, a explodir dentro dentro de mim. Tinha de acontecer. E aconteceu. Eu fui mãe e 3 anos depois fui novamente. E foi maravilhoso. Eu apaixonei-me por aquele bebé desde antes de o sentir dentro de mim, eu soube o que era amor incondicional, soube o que era não dormir, o que era fazer sacrifícios por amor, soube que a minha vida fazia mais sentido por ter chegado ali.

Foi uma adaptação difícil porque o meu corpo estava focado na minha maternidade, todas as minhas energias, criatividade, disponibilidade se esgotavam ali. E dar o que quer que fosse fora dali era um suplício. Até falar da minha área ou de assuntos atuais ou cultura, algo que adoro fazer, deixou de funcionar. O trabalho teve um período de menos afluência o que fez a cereja no topo deste meu bolo de desmotivação e eu entreguei-me aos meus 20 kg extra por cada gravidez e a um guarda-roupa prático e confortável, quem me conhecia de saltos altos e mini-saias, justamente não me reconhecia.

de cada vez que voltava ao trabalho sentia-me cheia de culpa. Por não querer deixar os meus filhos em casa mas também por não querer lá ficar continuamente, ou muito mais tempo. Uma culpa imensa por achar que já não era capaz de produzir arquitetura mas por me recusar a deixar essa minha área.

Sim, eu tinha nascido para ser mãe. Não, eu não queria ser só mãe.

E com o nascimento do meu segundo filho, veio uma paz…uma sensação de que a minha equipa estava feita. De repente não era só eu e a minha filha, eram os meus dois filhos, e eu enquanto pudesse e no que pudesse lá estaria para eles. E com isso veio o meu regresso.

De repente eu tinha espaço para retomar o trabalho. Eu voltei a fazer pesquisa e inscrevi-me nalguns cursos para me sentir na vanguarda do pensamento da minha área. Voltei a marcar encontros com colegas, a ter discussões profundas e interessantes e a sentir o cérebro fervilhar. De repente foi maravilhoso. Os meus filhos estavam bem, nos infantários, escolas, etc. e eu estava de regresso à empresa, aos concursos, parcerias e projeto.

E tive a certeza, eu nasci para ser mãe. Mas não nasci para ser apenas isso. Comprei roupa nova, voltei a usar perfume, redefini os meus horários. Tornei-me prática onde precisava de o ser, eficiente, rápida e capaz. E permiti-me também. Errar, falhar nos meus planos em que encadeio 800 coisas e só faço 30, cansar-me e simplesmente ir dormir porque não aguento mais, ser, ficar no sofá só porque sim, porque precisava de me ouvir a não fazer nada, gostar de mim ou estar zangada. Como as pessoas podem ser e estar, todas as pessoas exceto as mães que são maravilhosas, felizes e completas com os seus filhos. Para mim foi preciso conjugar mais.

E tenho a certeza que sem mágoa nenhuma, os meus filhos serão as minha melhores obras, ganhe eu seja qual for o prémio em arquitetura. E com eles e por eles toda e qualquer obra que eu atinja em arquitetura será mais alta e fará mais sentido.

❤️

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2 thoughts on “Regressar

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