(Não) dorme

O que ele demora… sei lá eu porquê. Não quer adormecer de maneira nenhuma. Quer dizer, na verdade ele adormece, 1 a 2 horas depois, acaba por cair para o lado.

É uma fase. Digo eu. Digo-o aos outros. Digo-o a mim. Os meus filhos parece que estão sempre numa fase, infelizmente quando me estou a habituar a ela, eles passam à próxima, sem aviso, nem licença, nem almofada. O V. teve uns meses a acordar a meio da noite. Adormecia pelas 21h, acordava pelas 4h e só adormecia pelas 6/6.30h. Era um suplício. Nós andávamos que parecíamos zombies, estava irritada, tensa, e quanto mais aquilo acontecia mais ganhava terreno para voltar a acontecer.

Acabei por dar a volta a essa fase atrasando a hora de deitar. Comecei a deitá-lo pelas 22/23h… eu sei que é tarde, mas a verdade é que eu adormecia com ele e acordava 7/8h depois, fresquinha. Isto tudo pareceu boa ideia, pelo menos para recuperar somos perdidos. No entanto rapidamente esta fase começou a ser muito cansativa. O Vicente começou a recusar-se a adormecer antes. Eventualmente ela adormecia, mas ele não. Nós não nos podíamos sentar no sofá a ver um filme ou série, ou ler, ou ver tv. Nada. Rapidamente comecei a ficar profundamente desorganizada. A esquecer-me de tudo. A desconectar-me.

Estamos portanto na fase de re-adaptação destas duas. Tentamos adormecer o V. até às 22h para termos pelo menos 1h de o que nos for na alma. Mas não está fácil, e se há dias em que adormece por essa hora, também há aqueles em que às 23.30h ainda está a palrar.

Sei que há técnicas. Sugestões, até. Mas cada criança é única e especial à sua maneira e não há como fazer o mesmo que a vizinha, ‘bater as palmas e dizer faz o-o’ ou ‘contar a história e apagar a luz’.

Nós os dois mal falamos. Não da para nada, mal nos vemos. Ele chega, os miúdos estão a jantar, vão lavar os dentes e dormir e começa a fita do costume. A maior parte das coisas que temos para discussão resolvemos durante o dia por e-mail ou WhatsApp. Ficamos meio perdidos, sem saber sequer onde nos encontrar.

Resiliência. O meu marido sempre adorou esta palavra é usa-a como descrição da sua postura. É disto que se trata quando se trata da parentalidade. Há que ser resiliente. Como uma rocha. Que está lá, que é firme, mas também um ponto de referência, de abrigo. Aqui estou resiliente. Entre a sensação de descontrolo à de desconectada, vou palpando terreno. Se não conseguir convencê-lo a bem, posso sempre acreditar que lá para os seus 18 isto não será um problema de certeza. E recuso-me imaginar quais estarão na ordem do dia…

❤️❤️❤️❤️

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