Não tem de ser assim

Não tem de ser assim. Mas até é. A maternidade não foi uma coisa má que me deu. Foi a coisa melhor da minha vida. É a coisa melhor de todos os meus dias. Não falo de uma vida cor de rosa, mas a minha vida ganha mais sentido na maternidade.

Mas a maternidade também trouxe coisas difíceis. Se eu era um pouco ansiosa dei em paranóica. E daquelas mesmo à séria … estou sempre a pensar se vou sobreviver a mais um dia (e digo-o, literalmente). Do tipo de me despedir de manhã e ficar a pensar se é a última vez…. fico a sentir todas as partes do meu corpo em falência e tento concentrar-me para entender qual está a dar de si primeiro. Tenho medo de ser velhinha e ficar sozinha. Ou de estar no casamento de qualquer um deles e chorar muito ao vê-los ‘partir’. Mas tenho muito mais medo de não os poder ver crescer. Ou de partir tão cedo que eles não se lembrem de mim.

E fico a gerir as minhas dores bem literais, de sentir que ora tenho uma dor na garganta, ora são pontadas nas costas, oras umas cólicas, ou um quisto sebáceo que tenho de remover, alguma coisa para aqui se há -de arranjar. E não vou ao médico ver estas coisinhas, nem pensar. Só quando já não tenho outra hipótese … de resto, faço aquelas idas gerais, obrigatórias. Mas no que toca a esta confirmação de diagnóstico, prefiro nem saber. Se houve uma altura que passava os dias entre médicos e hospitais, hoje prefiro não ir. Tenho medo de saber.

Quando era pequena a minha mãe costumava contar-me uma anedota. Basicamente um senhor ia ao médico e queixava-se de ter dores em cima, em baixo, de lado… até que o médico se pronuncia e diz ‘isso é um p** encravado. E como o senhor tem cara de c* ele não sabe se há -de sair por cima ou por baixo!’ -pardon my french!

Bem, lá percebi que podia espantar os meus medos com o riso. O que às vezes ajuda e outras nem por isso. E por mais que já tenha ‘sobrevivido’ a muitos destes sintomas, a verdade é que de cada vez que vem um novo, fico muito aflita, como se fosse a primeira vez, e a achar que desta é que é, ou que esta é pior que todas as outras…

E às vezes sinto que nem me dou ao direito de desfrutar. Como se mesmo nos momentos bons lá fosse buscar aquela pedrinha no sapato. Penso, ‘o que é que me poderia assustar?’ E não é que encontro sempre alguma coisa?? Como se a fonte de ansiedade fosse de alguma forma apaziguante. Pela sua familiaridade torna-se confortável (!?)… vá savoir…

Dor para cima, dor para baixo… ‘cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas’.

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Cozinha

Porque é que eu cozinho? Bom, eu adoro cozinhar para a família. Mas aqui é simples, eu cozinho por necessidade. Eu tenho mais um par de horas que o meu marido em casa, por dia, e por isso calha-me a mim essa e outras tarefas. E não é só que eu goste… é na verdade uma questão de controlo… eu também gosto de cozinhar por controlar o que se come por aqui. Cozinho jantares, almoços e lanches.

Sempre fui cuidadosa com a alimentação. Sobretudo nas fases em que estou mais hipocondríaca… até dá para emagrecer. E agora ultimamente decidi começar a cozinhar com menos açúcar, com menos glúten, com menos laticínios, com menos carne e peixe. Controlo as coisas que comemos em todas as horas do dia. Isso dá obviamente um trabalhão do caraças, e há dias em que só me apetece fugir dos tachos e panelas…

Dito isto também não sou 100% rigorosa. Como iogurtes de vez em quando, massa uma vez por outra, uma bolacha num dia sem exemplo… ou douradinhos ou piza se estou exausta.

Há pouco tempo fui fazer análises. Sinceramente ia sem esperança nenhuma… há dois anos que não fazia medições e desde os 20 anos que me foi diagnosticado colesterol genético, com valores acima dos 210, no colesterol total. Já lá iam uns 16 anos de valores elevados, e fizesse o que fizesse, desde exercício, a meditação, a dieta, a o que fosse, os valores estavam sempre elevados. Quando recebi os valores há umas semanas, foi, portanto, sem (grandes) expectativas… eis se não quando me sai uns 183 de colesterol total que me deixaram caída na cadeira…

Estava a pensar (ou estava esperançosa) que os resultados fossem mais. Como sempre. Ia logo comer um pastel de nata ou dois, que isto perdido por 100, perdido por 1000. Mas qual quê… com as análises a bater certinho queria dizer que tinha aqui uma conjugação de fatores a criar boas condições… A comida seguramente teve influência.

Então para mal dos meus pecados (e dos da família toda) a minha dieta/regime alimentar, ganhou ainda mais força. E os ‘chás’ que eu pregava a toda a gente… bom, vou continuar a pregar porque parece que a atitude no frigorífico sente-se. Sim, claro que já tinha emagrecido, e sentia-me mais leve e menos inchada, e tudo funciona melhor, e gasto mais dinheiro em comida do que na casa, porque, aí que lindo, comida boa tem de ser mais cara, mesmo que seja menos processada e devia era ser mais barata. Mas pegar naquele papelinho de números em código valeu este esforço todo.

Por fim só posso mesmo agradecer à internet sem a qual está conversão era quase impossível, e por me ligar a blogues como ‘a pitada do pai’ ou ‘na cadeira da papa’, que fazem um serviço realmente pro-bono a ensinar como transformar receitas de atirar um cardíaco para o hospital em comidinhas que até se conseguem comer e são super saudáveis! Sem eles nunca teria conseguido ❤️👌💪💋

O meu mundo

É assim uma coisa do outro mundo. Levo-te para o quarto, para te adormecer e dou-te uns beijinhos, só porque sim. Mas depois vem aquele teu cheiro… e eu dou-te uns beijos só porque não resisto… às tantas tento parar e tu pões a tua cabeça enrolada no meu pescoço. Tiras a cabeça daquele quentinho e agarras-te com as duas mãos , uma de cada lado da minha cara. Ficas a fitar-me no escuro como se fosse possível veres-me. E eu beijo-te por saber que me vês.

És todo o meu mundo enfiado nesses teus 2 anos…

Dá para alguém

Geralmente dá para eles, porque é mesmo assim, para eles têm de dar. Para nós vai dando, porque se não vai-se perdendo. E para cada um de nós já não da nada, porque é o que é, e a vida é assim. São fases. É o que dizem. E às vezes em vez de lutar contra uma fase fico só a desejar com muita força que ela passe depressa e venha a próxima. Mas às vezes há fases que demoram como tudo a passar e há fases em que há tantas fases que até nos sentimos baralhados.

A sério, eu amo os meus filhos, a minha vida e a minha família. Digo vezes sem conta que só uma abençoada. Mas há dias em que a bênção parece pedras. A cair em cima dos nossos pés…

🤦‍♀️👌💪

Medos

Sim. Eu sei que este é o enésimo post sobre medo. E aviso já que mais virão.

Medo de tudo. E mais um par de botas. São tantos medos que às vezes da para juntar uns medos contra os outros e tentar anulá-los um bocadinho. Por exemplo, tenho muito medo de morrer. Obviamente que sei vou morrer um dia. Aqui o medo prende-se com o morrer cedo demais. Aos 40 (estão quase aí à porta) ou 50. Tenho medo de ter uma doença e sim, morrer. Mas também tenho medo de envelhecer. Será que me vou sentir sozinha? E se me sentir velha? Ou incapaz? Ou se já não me sentir bonita? Envelhecer é ter uma espécie de morte estando vivo. Então penso, se morrer cedo pelo menos não sinto o medo da velhice. E se chegar a velhinha… quer dizer que não morri cedo demais…. parece estúpido, mas há dias em que funciona…

Recentemente juntei um dos meus grandes receios à minha grande energia e vou fazer disso um projeto. Se há dias em que parece ajudar porque sinto que estou a resolver problemas nesse campo, há dias em que desejava poder esquecer que o tema existe, assim como se não pensando nele, ele me afligisse menos.

E é a mesma coisa relativamente aos médicos. Há alturas em que me sinto bem e nem lá ponho os pés. Quando me sinto mais fragilizada faço os exames todos. Mas fico em pânico à espera dos resultados. Como se cada dia de espera aumentasse a minha ansiedade e fosse a confirmação de que algo terrível está para acontecer…🙄🤦‍♀️ sim eu tenho noção de que isto é um exagero.

Não sei como se consegue a paz de espírito ou o estado zen… mas adorava saber. No outro dia ouvi esta expressão que adorei ‘fake it until you make it’. E às vezes na falta de melhor é mesmo isto. Até chegarmos eventualmente lá. 🤷‍♀️

Cheiro

Sou absolutamente sensível ao cheiro. Aos cheiros em geral. Desde que engravidei deixei de usar perfume porque estava absolutamente enjoada, e porque depois disso queria sentir os cheiros da minha bebé.

Desde essa altura que se alguém aparecia com perfume e o passava para a minha filha eu ficava doida. Ia mesmo dar-lhe banho. Não ficava ofendida com as pessoas nem nada, simplesmente não consigo sentir os meus bebés assim.

Portanto quando alguém vem muito perfumado e os contagia, dou-lhes um banho e no fim fico a cheirá-los até gastar o sabonete e tocar na pele. Aquele cheiro dá-me vida e guia-me nos melhores e piores momentos ❤️❤️❤️