É Natal!

presentes

Adoro arts&rafts! Desculpem a expressão em inglês, mas realmente é prática, rápida e direta, como eu gosto. E como dizia, adoro esta coisa dos pormenores belos, adoro poder embelezar a vida com pequenas coisas, adoro poder fazê-lo com peças simples, manufaturadas, tradicionais.

Esta coisa da tradição tem que se lhe diga. Numa casa tão antiga, os europeus cresceram com a história, respeitam-na, mantêm-na viva, entendento que essa construção e sobreposição de acontecimentos é o que nos trouxe até aqui. E frequentemente em viagem por estas terras vemos uma igreja de 1300 dc, ou um edifício de 1800 dc, uma cidade de 800 dc ou até 100 ac. Não somos seguramente, a terra nem a população com mais anos de história mas acredito que somos os que têm uma relação mais saudável com ela. E neste fio condutor acontece a valorização da manufatura. A delícia das peças feitas à mão, tecidas com perfeição, com materiais selecionados. Mas tem mais, é o facto de olharmos para uma peça e sabermos que alguém a costurou, a compôs, a pensou. Quando apreciamos essa pessoa por alguma razão então a peça ganha ainda mais valor, porque sabemos que a pessoa a fez a pensar em nós, dedicando-nos o seu bem mais precioso, o seu tempo, amor e carinho (entusiasmei-me, já são 3 bens…). E por isso jubilo quando a minha avó me faz alguma coisa ou a minha mãe tricota um cachecol ou a minha sogra se põe a fazer lençolinhos e ponchos para a MR 🙂

Há uns anos, desde pequenina e até enquanto estava na faculdade, costumava fazer as minhas prendas de Natal. Fiz agendas, bolsas, quadros, desenhos, echarpes, sei lá. Fiz um bocadinho de tudo. Sempre adorei a polivalência que as artes me proporcionaram. Tinha jeito para estas gracinhas, e em setembro lá me punha a pensar o que poderia fazer para oferecer à família. Claro que desde que comecei a trabalhar isso tornou-se quase impossível, com a tese fechei a caixinha, com o casamento já nem me lembrava que um dia fiz estas coisas e agora em mãe posso mesmo dizer que pus esse capítulo no sótão.

Quando comecei este blog contactei algumas pessoas que encontrei na blogosfera que teciam ou compunham ou pensavam peças, artigos, coisas lindas (claro que é só a minha opinião). Não resisti a começar a encomendar coisas que acho tão mais interessante comprar a pessoas com ‘cara’, estória, bom gosto… São geralmente mulheres, são geralmente mães. Começaram assim a escrever na blogosfera para desabafos de mãe e acabaram por vender peças que faziam para si ou para os seus filhos. Acho delicioso, quero mesmo participar, esta é uma estória de amor. Quando engravidei, e uma vez que os meus projetos são no âmbito da empresa dos meus pais, decidi que iria trabalhar a partir de casa. Até ver e até conseguir, gostaria de colocar a MR no infantário apenas aos 3 anos. A ver se vem mais algum bebé para esta família ou não, e ano a ano decidirei se continuo a trabalhar em casa ou se volto para o espaço da empresa. E não se trata de desistir da nossa vida. Trata-se de a investir. Dar-lhe outros sentidos, às vezes. Os filhos são assim, dão-nos força, tiram-nos tempo, mas devolvem o que roubam sobe a forma de algo muito mais poderoso. Sinto-me leoa.

Ainda assim consegui colocar um bocadinho do ‘fui eu que fiz’ nos presentes deste Natal. Encomendei fio baker twine na made in paper, umas etiquetas lindas (já lá vai o tempo em que tinha tempo para fazer as minhas próprias etiquetas) e fui buscar todos os restos de papel que costumo guardar, desde revistas, jornais, folhas que acompanham encomendas, móveis de montagem em casa, etc. Tudo vale. E às vezes nem estamos a ver o potencial da coisa, mas com os acessórios certos pode ficar o máximo. Nas etiquetas carimbei a sigla ‘ZÍ’, que tinha encomendado para os brindes de casamento, por trás os nomes dos destinatários, fio ‘roupa velha’ (oh pá é tão lindo, tão heterogéneo, com uma cor tão quente, hm…) a cruzar os embrulhos, os aproveitamentos de papel fita cola simples e masking-tape e já está 🙂 E sabem que o fio baker twine é 100% produzido em Portugal? Vale mesmo a pena. E lá vai um bocadinho de mim nos presentinhos que não vão corridos a papel às bolas e laçarotes brilhantes. A minha madrinha ainda me sugeriu uma coisa mais engraçada (para papel de embrulho), mas que ainda não posso por em prática cá em casa. É deixar os miúdos desenharem livremente em papel cenário, manteiga ou de ‘máquina’ e usarem o resultado final como papel de embrulho 🙂 Era o que fazia lá em casa quando os miúdos eram pequenos. E é isto.

Anúncios

O meu Blog é neutro em CO2, neutralize o seu também. Saiba como.

button_co2_blog_azul_125

Foi através do Blog da Joana que descobri este site. Basicamente planta uma árvore em nosso nome para diminuir a nossa pegada ecológica. É um passo nobre e generoso nesta grande caminhada que ainda temos a percorrer. Ainda temos de despertar a maioria da população mundial que não acordou para a questão da nossa salvação no planeta. Atenção, não se trata de salvarmos o planeta, isso é um absurdo e impossível, mas de salvarmos a nossa (sobre)vivência no planeta, uma vez que fomos nós que a desiquilibrámos em primeiro lugar.

Países como os EUA que se recusaram a aderir ao protocolo de Quioto põem em risco o equilíbrio da Terra emitindo mais gases que aqueles admissíveis na atmosfera para uma vida saudável. É contra estes atos que a associação portuguesa Quercus luta, tentando, entre tantas outras lutas, criar o conceito de Ecocídio, punindo por crime aqueles que atentam contra o ecosistema.

Vocês podem aderir também aqui. Aproveitem e visitem o blog ‘A menina cos(z)e?‘ que é mesmo uma ternura, a Joana dedicada à maternidade e tecidos escreve que é uma delícia. Tem dicas, desabafos, receitinhas e boas imagens… uma boa companhia para fim de tarde e chazinho…

Frasquinhos

frasquinhos

Frasquinhos para doces, conservas, molhos, como prepará-los? Sempre que fazemos compotas, por exemplo, devemos ter os frasquinhos esterilizados, por isso devemos evitar ter autocolantes identificativos pois de cada vez que os lavamos temos de retirar os pedaços de cola irritantes, ou fervê-los em água, bahhhhh… Gosto (muito e sobretudo nesta fase de recém-mamã) de ser prática, por isso escolho frasquinhos simples já bonitos per si ou reutilizo frascos de compra (aí sim fervendo-os numa panela cheia de água, mas apenas uma vez, para retirar todos os papelinhos).

Mas quando deito neles os conteúdos gosto de os embelezar um pouco, dar-lhes um toque pessoal. Lá porque tenho menos tempo não quer dizer que tenha deixado de ter tempo de todo ou tão pouco que deixe de ter desejo pelo que é belo, com classe e distinto. Há infinitas formas de forrar frasquinhos, das mais bonitas às mais terríveis, das mais rápidas às mais morosas. Como disse gosto de ser prática e aqui vou apenas deixar a minha sugestão. Uma das formas de grantir que podemos sempre utilizar determinada solução de uma forma prática, é pensá-la com materiais que habitualmente temos em casa, ou neste caso na cozinha.

*

Assim os materiais que preciso são,

.fita-cola colorida,

.elástico colorido,

.papel vegetal culinário,

.caneta tipo de ‘acetato’ (caneta de tinta permanente, que não esborrata e escreve em superfícies plastificadas),

.serrapilheira, papel vegetal culinário, resto de tecido, etc.

frasquinhos_instruções

Como se faz,

Corta-se o papel vegetal culinário (que se pode comprar em qualquer supermercado) à medida da altura do frasco (h), sem contar com os rebordos, como se pode ver na imagem.

Em seguida ‘veste-se’ o frasco com a folha que cortámos mas deixando 1 dedo aproximadamente a separar as duas pontas, como exemplifica a imagem. Isto é importante para que quando fixarmos com a fita-cola esta apanhe simultaneamente o vidro e o papel evitando que ele dance no frasco.

Antes de fixarmos o papel escrevemos no centro o rótulo do conteúdo, com ou sem data, com ou sem ingredientes, é como preferirem. Podem fazê-lo brincando com a caligrafia, sendo mais simples ou mais arrojado.

Essas pontas vão ser fixas ao vidro através de fita-cola colorida, que facilmente podem encontrar num supermercado, mas eu tenho um carinho especial pela ‘Washi Masking Tape‘, uma fita-cola feita de um papel especial japonês e muito utilizado em embrulhos, brincadeiras, papelaria, etc. Para Washi-tape e montes de outras gracinhas de papelaria podem ir à made in paper, uma lojinha on-line mimosa, ui se apetece comprar tudo!, que descobri através de uma amiga e sobre a qual já falei aqui. Tem realmente umas coisinhas deliciosas, já a Washi-tape existe em várias cores, com padrões ou 2 cores. É escolherem as que gostam mais, eu cá fico deliciada com as cores simples.

Para o carapuço do frasquito é só cortarem uma peça mais ou menos circular de serrapilheira, papel vegetal culinário, restinho de tecido, o que quiserem, e e prenderem-no com um elástico colorido a fazer pandã com a washi tape utilizada 🙂 Eu utilizei umas sobras de sobras de cortinados, que já tinha usado aqui, e simplesmente bordei uns corações de várias cores. O máximo, vos garanto.

*

A vantagem é que estes rótulos são resistentes suficiente para aguentar enquanto o conteúdo dura, mas muito fáceis de tirar sem deixar ‘rasto’ nem resto 🙂 Podem ser levados para a mesa a acompanhar bolinhos e chá, ou ser oferecidos no Natal! Simples, prático e barato! Gostaram do resultado?

Sobras de cortinados

berço_MR

O que fazer com sobras de tecidos? Quando mudámos para esta casa colocámos 3 pares de cortinados na sala. No acerto da altura dos ditos sobraram 6 rectângulos de 50 x 145 cm que ficaram na gavetinha à espera de dias mais iluminados (em ideias).

Há coisas que não nos lembramos de fazer com antecedência ou a tempo do início das festividades, simplesmente nos lembramos numa altura qualquer que pode ainda valer a pena ou não. Quando estava grávida os meus pais e avós decidiram oferecer-nos o carrinho do bebé, os meus sogros oferecerm-nos o bercinho. Para o carrinho pedi então que tivesse os 3 componentes necessários aos primeiros meses de vida, a alcofa, o ovo (cadeirinha para acoplar ao automóvel) e a cadeirinha de passeio. Decidimos que nos primeiros meses a MR iria dormir no nosso quarto na dita alcofinha e não no berço que ocupava muito mais espaço e por isso está à sua espera no quartinho da bebé.

No alto dos meus 19 kg aumentados durante a gravidez, a tentar sobreviver à sensação de 50º com que Julho nos abençoou, inchada, com dificuldade nos movimentos, não consegui lembrar-me de nada que tivesse a ver com tornar a alcofinha sofisticada e high-tech do carrinho brutal em em algo mais mimoso e romântico para a bebé que aí vinha. O carrinho que nos ofereceram é mesmo de uma beleza e sofisticação por demais, vencedor de vários prémios de design e segurança, em pele, já dá para 2 (andamos a pensar no próximo, mas sem pressas…), prático e inteligente, só falta falar. Mas a verdade é que às vezes para proteger os sonhos de um bebé fazem falta umas rendinhas, um tecido quentidinho, uma colcha feita à mão, com amor, especialmente para a menina ou o menino. Enquanto o calor apertou limitei-me a colocar um lençolinho por baixo e outro por cima que a minha sogra cortou e coseu para a MR, mas com a entrada do frio os pormenores metálicos da alcofa começaram a gelar as mãozinhas da minha menina de noite, e o ar despido da peça parecia torná-la ainda mais fria.

Foi então que encontrei na gaveta dos tecidos as sobras dos cortinados! Têm um tom beje-creme, suave, perfeito para aquilo a que se destina. Comprei uns metros de renda e comecei o trabalho.

 *

1. 2 retângulos 5o x 145 cm + renda 3 metros;

2. cortei os rectângulos no comprimento até terem a medida necessária para envolver a alcofa (medi diretamente), fiz bainhas, cosi-os deixando 2 buracos para entrar o apoio do tapa-sol do carro e apliquei a renda;

3. coloquei a cinta virada do avesso na alcofa e dobrei apenas metade desta para fora, forrando a pequena caminha;

4. coloquei o colchãozinho por cima, com a renda que sobrou ainda a apliquei num leçol e fiz a caminha 🙂

 *

Uma ternura mesmo, só vos digo. Só pensava, ‘Mas porque é que não fiz isto antes?’ Enfim, acredito que tenha a sua razão de ser. Ficou o máximo, como podem ver. O coelhinho é o guardador de sonhos da caganita e foi uma oferta da avó M. Os leçóis são da avó R e a mantinha de lã tecida pela tia D. Delicioso…