Banho

Desde o filme da Disney ‘Rei Leão’ que me convenci que isto dos banhos, enquanto são as mães a dá-los, poucas crias o apreciam. Aparentemente até há uns (pais) felizes contemplados que têm a sorte de ter uns rebentos que adoram chapinhar… mas todos os outros condenados têm de passar a hora do banho a tentar sobreviver ao som ensurdecedor do choro da criança a ecoar, qual martelo a bater à bruta nos tímpanos, nas paredes vidradas das casas de banho. É o nosso caso.

O primeiro banho foi na maternidade. A temperatura estava controlada a enfermeira ia dizendo mais para cima ou mais para baixo, aquela coisa da maternidade ainda não tinha batido assim que nem um balão a rebentar, em mim e por isso correu tudo muito bem. Quando chegámos a casa foi o descontrolo, está muito frio?, está muito calor?, tem espuma a mais?, esfreguei o suficiente?, ou será que foi demais? E no meio disto vira para cima, vira para baixo, lá se punha a MR aos gritos como em mais momento nenhum da vida dela. Mesmo. Eu até pensava que de certa forma seria bom que ela chorasse no banho porque era o único sítio onde o fazia.

Mas à medida que foi crescendo o choro foi ficando pior, mais intenso, mais sempre. Primeiro era só no final, depois passou a ser no princípio, depois instalou-se no ‘Isto não vai parar.’ Começámos a por-lhe a chucha porque já nem nos ouvíamos a nós,

-UAAAAAAAAA!!! UEEEEEEEEEEE!!!

-Passa-me a toalha, por favor.

-UUUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!

-O quê??

-UUUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!

-O que é que disseste??

-UAAAAAAAAAHHHAAHHHAAAAAA!!!

-Não percebi!

-UEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!

-Esquece eu vou buscar!

-UUAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!

Enfim, lá percebemos, um dia a virá-la para lavar daqui e dali, que de barriga para baixo na banheira se acalmava muito. Ahh, que felicidade, foi um abusar da posição, mas que boa descoberta! Pelo menos dentro de água tem uma posição em que está caladinha, porreiro. Mas quando sai do banho começa o berreiro. Fomos experimentando várias coisas até que começámos a aquecer a casa de banho e claramente o choro começava mais tarde. Será de fome? De sono? Já comprovámos que o estado de desespero dela é independente destas variáveis, ela não gosta de se vestir, ponto. É que o mudar a fralda ainda vai, ok, já não é mau, mas o vestir… Ui… não consigo entender a minha filha, então uma miúda e não gosta de se vestir? É como não gostar de arranjar o cabelo ou pintar as unhas… enfim, mas é mesmo. E por isso faça o que fizer, aqueles últimos minutos do banho são sempre com uma alegre (not!) banda sonora. Ultimamente desenvolveu um gemido diferente, enquanto a visto coloco-lhe a chucha para acalmar os gritos desenfreados e debaixo da chucha oiço ‘lhega, lheiga!’ Depreendo pois claro que seja a abreviatura de ‘Já chega, já chega!’.

No fim de todo este cansaço eu estou pronta para tomar um banho e ela olha para mim com uns olhos um pouco mais calmos dos quais depreendo que me diga ‘Bolas, estava difícil! Às vezes parece que não me entendes…’

Justiça seja feita, nos dias que a minha madrinha participa nos banhos, entre ‘ui ui ui!’, ‘cu-cu!’ e outras mimices, a MR nem tem tempo de pestanejar uma lágrima. A minha madrinha fala o tempo todo sem interromper um segundo e nem dá para pensar que não está a gostar do banho. Louvo o estofo e o jeitinho 🙂

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Truques&dicas

baby_sling

Isto de bebés é assim como os meninos quando vão à casa de banho, cada um com a sua. Significa que quem melhor conhece o bebé será, em princípio, a sua mãe. Quer dizer que cada caso é um caso, até os irmãos podem ser muito diferentes, e como diz a minha mãe, os filhos vão construindo as mães.

Tenho uns quantos truques que aprendi com a minha mãe e o meu irmão- que é 15 anos mais novo que eu- e outros que tenho vindo a desenvolver com a minha filha.

Numa fase inicial os bebés choram com pouca coisa, fome, fralda suja, frio ou calor, dor geralmente associada a cólicas. Claro que há sempre a hipótese de estarem doentinhos, mas excluindo essa hipótese estas costumam ser as suas queixinhas.

Para as cólicas costuma ser um truque muito conhecido passear o bebé de barrinha para baixo assente nos braços de quem o passeia e com a mão a massajar, para aliviar as cólicas. Cá em casa quando ela está mais aflita abrimos a fralda e massajamos a barriga no sentido dos ponteiros do relógio, podem ver dicas aqui, e se necessário ajudávamos com o tubinho do babygel, mas sem o seu conteúdo (ATENÇÃO, foi a nossa pediatra que o aconselhou, falem SEMPRE com o vosso antes de recorrerem a este tipo de soluções). Às vezes a MR está um bocado desconfortável e começo por mexer uma perna de cada vez no sentido da sua barriga terminando fazendo pressão com ambas as pernas. Depois viro-a de barriga para baixo nas minhas pernas deixando as pernas dela penduradas e dou-lhe umas palmadinhas na fralda até adormecer 🙂 Fica super calminha.

Neste momento a MR já faz todas as noites 5 a 7 horas de sono seguidas sem acordar para mamar, mas este ritmo teve de lhe ser sugerido uma vez que o seu interesse em comer era maior que o de dormir… A minha tia sugeriu-me ‘enganar’ a pequenita dando-lhe um bocadinho de água morna no biberão durante a noite casa acordasse. Essa autorização para a enganar acabou por me levar a embalá-la um bocadinho e percebi que se desse a chucha mesmo antes de ela acordar assim ficava mais umas horas 🙂 Não é por acaso que em inglês se chama pacifier.

Já no banho fomos percebendo que o estar na água em modo flutuação a deixava algo nervosa e isso deixava-a a chorar. Para a deixar mais segura basta pôr a mão na sua barriga para que ela se sinta mais aconchegada, mas o que verdadeiramente lhe permitiu começar a apreciar o momento foi estar de barriga para baixo, ainda que apoiada no nosso braço, com os joelhos e mãos assentes na banheira.

Agora que o inverno se aproxima o momento de a deitar na caminha era imediatamente motivo para a acordar. Experimentei aquecer o berço com um saquinho de água quente e realmente resultou. O que ela mais estranhava era a diferença de temperatura do colo para os lençóis fresquinhos. Quando a deitamos encostamo-la sempre a um rolinho, nós usamos um que a minha mãe nos ofereceu, mas podem sempre adquirir um na itsy bitsy, são lindos, tecidos pela mão da Joana Rey, arquiteta de formação, que tive o prazer de conhecer numa parceria com o atelier de arquitetura CASCA, que se dedica agora aos tecidos. Tem vários produtos, desde brinquedos a babetes, malas, muda-fraldas, tudo feito com excelentes acabamentos e um bom gosto indiscutível.

Já quando saímos à rua usamos o sling da Maria Café. É uma excelente forma de passear e transportar o bebé com as mãos livres e sem carrinhos. Para fazer umas comprinhas ali na rua, ou ir ao banco, ou até casa de uma amiga dá muito jeito pô-la lá dentro, ela fica quentinha, protegida, embalada. Parece que vai na barriguinha da mãe e o seu descanso e conforto é visível. Os slings da Maria Café são lindos, feitos com tecidos divertidos e com um ótimo e seguro acabamento. Tem várias medidas, mas nós escolhemos um ajustável para que o pai e a mãe o pudessem utilizar 🙂 Tem ainda a vantagem de facilitar o dar de mamar de uma forma discreta em público. Quando não levo o sling utilizo uma echarpe para fazer o mesmo efeito, nestas coisas confesso que prefiro passar despercebida.

Cada dia, cada semana, cada mês que passa aprendemos um bocadinho mais na experiência direta de lidar com o bebé. Sabe sempre bem poder pôr algumas questões à pediatra, ao médico de família ou mesmo consultar uns sites/ blogs em que podemos confiar. Para além dos links na categoria de ‘bebé’ que consulto esclareço algumas dúvidas na página do sapo, dodot ou johnson’s baby. O importante é levar a coisa com calma, alegria e muito amor que isto de maternidade usa o método empírico e não o das ciências exatas. Ainda com todas estas consultas há sempre espaço para ligar à mãe que sempre que necessário dá o aval final 🙂 e sabe mesmo bem…