Aproveitamento Gourmet

gourmet

Se há coisa que adoro é o facto de conseguir abrir a despensa e desencantar um jantar cheio de graça com o que houver. Mesmo. E parece que quanto menos coisas há e maior se torna o desafio mais entusiasmada fico em vencê-lo.

No outro dia tinha pouco tempo para fazer o jantar antes do banho da caganita e queria fugir do ‘arroz com bife’, primeiro porque não tinha bife, nem peixe- o grande desafio, e depois porque desde o nascimento da MR que só consigo ver programas genéricos na tv sem correr o risco de desatar a chorar. E por genéricos fico-me pelos programas gastronómicos, os únicos onde não há sempre alguém cheio de sentimentos (como diz o Ricardo Araújo Pereira) a sentir montes de coisas, ou alguém com uma doença terrível e por isso, mesmo nos canais de história e de natureza fico sempre a pensar que aquela população era uma comunidade que ficou destroçada ou uma gazela que tinha família… bahhh… como disse, programas de comida, gente a cozinhar, é a única coisa que consigo ver agora sem me angustiar. E como dizia atrás, tinha visto um desses programas em que toda a gente comia coisas maravilhosas e apetecia-me ‘algo’. E por ‘algo’ refiro-me a um prato de comida mais nutritivo que um Ferrero Rocher.

Então basicamente tinha massa, batatas, legumes congelados, cebola, ervilhas, pão a precisar de ser consumido e ovos. Também tinha leite condensado, leite, iogurtes, açúcar, cereais, farinha e café (para não pensarem que a minha despensa estava assim tão mal). Mas vou só contar com aquilo que fazia sentido para uma refeição de almoço/ jantar.

Concentrei-me então num hidrato de carbono, o pão, que tinha mesmo de ser consumido, afiambrei-me  aos legumes, escolhi os ovos como proteína (que remédio) e vamos lá disto!

*

Ingredientes,

.1 pão de mistura (formato papo-seco)

.1 cebola

.1 tigela de legumes congelados

.2 batatas médias

.1 tigela de ervilhas

.2 ovos

.azeite, sal, alho e orégãos q.b.

.manteiga e nós-moscada q.b.

Preparação,

Começar a cozer a batata descascada com as ervilhas numa panela com metade da sua capacidade cheia de água e um pouco de sal. Numa frigideira coloca-se um fio de azeite, alho picado ou em pó, sal e orégãos (é a minha base para saltear o que quer que seja). Deita-se a cebola grosseiramente cortada. Cortar o pão em 4, primeiro em 2 metades como se preparássemos uma sande e depois cada uma dessas metades em 2. Em dois pratos (fiz a receita para dois) colocar 2 quartos do pão (deixar em cada prato uma parte de cima e uma de baixo do papo-seco). Retirar a cebola e colocar nos pratos por cima de um dos quartos do pão. Na mesma frigideira colocar os legumes (já descongelados, se necessário levar uns minutos ao micro-ondas na potência máxima), repor sal, azeite, alho e/ou orégãos se necessário, e salteá-los até estarem tenros. Deitá-los sobre a camada de cebola, já nos pratos. Entretanto despejar a água de cozer as batatas e ervilhas, reservar uma parte numa tigela,deitar uma colher de chá de manteiga magra, uma pitada de nós moscada no preparado e esmagar tudo com um esmagador. Colocar este puré sobre os legumes já nos pratos. Na frigideira dos legumes deitar a água das batatas e estrelar lá os ovos, um de cada vez 🙂 Colocar o ovo sobre o quarto de pão que estava no prato à espera de alguma coisa. Servir logo e ouvir os elogios, ‘Xii, espetacular, que prato giro, e inventado por ti, fazes tanto com tão pouco, és o máximo!’ e tal… Claro que quem tiver a despensa mais farta pode acrescentar um fiambrinho, queijo, azeitonas, hamburguer, vale tudo…

*

Entretanto sobrou bastante do puré de batatas com ervilhas e por isso ontem cozi umas postas de peixe para acompanhar o preparado. No entanto resolvi dar-lhe uma nova vida por isso fiz umas bolachas com o puré, envolvi bem em pão ralado e levei-as ao forno a 180º. depois de tostarem um pouquinho viro-as do outro lado para ficarem uniformes. Uns 15 minutos são suficientes e ficaram mesmo boas! Nem sabia bem o que ia sair dali, confesso, mas ficaram super crocantes por fora e fofinhas por dentro 🙂 Tão bom! Quando servi reguei peixe e bolachinhas com um fiozinho de azeite, nham!

Para hoje nem dá tempo para nada, o Z compra frango assado e eu preparo a salada. Para ser ligeiro nem acompanhamos com mais nada, só frango e salada, mas para que não seja um prato aborrecido deitei uma romã na salada. Dá-lhe um toque de cor e frescura e é a vida que falta ao frango que já não tem surpresa nenhuma. E assim saímos deste regime de legumes e peixe e entramos outra vez no vício da carne 🙂

Bom proveito 🙂

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É Natal!

presentes

Adoro arts&rafts! Desculpem a expressão em inglês, mas realmente é prática, rápida e direta, como eu gosto. E como dizia, adoro esta coisa dos pormenores belos, adoro poder embelezar a vida com pequenas coisas, adoro poder fazê-lo com peças simples, manufaturadas, tradicionais.

Esta coisa da tradição tem que se lhe diga. Numa casa tão antiga, os europeus cresceram com a história, respeitam-na, mantêm-na viva, entendento que essa construção e sobreposição de acontecimentos é o que nos trouxe até aqui. E frequentemente em viagem por estas terras vemos uma igreja de 1300 dc, ou um edifício de 1800 dc, uma cidade de 800 dc ou até 100 ac. Não somos seguramente, a terra nem a população com mais anos de história mas acredito que somos os que têm uma relação mais saudável com ela. E neste fio condutor acontece a valorização da manufatura. A delícia das peças feitas à mão, tecidas com perfeição, com materiais selecionados. Mas tem mais, é o facto de olharmos para uma peça e sabermos que alguém a costurou, a compôs, a pensou. Quando apreciamos essa pessoa por alguma razão então a peça ganha ainda mais valor, porque sabemos que a pessoa a fez a pensar em nós, dedicando-nos o seu bem mais precioso, o seu tempo, amor e carinho (entusiasmei-me, já são 3 bens…). E por isso jubilo quando a minha avó me faz alguma coisa ou a minha mãe tricota um cachecol ou a minha sogra se põe a fazer lençolinhos e ponchos para a MR 🙂

Há uns anos, desde pequenina e até enquanto estava na faculdade, costumava fazer as minhas prendas de Natal. Fiz agendas, bolsas, quadros, desenhos, echarpes, sei lá. Fiz um bocadinho de tudo. Sempre adorei a polivalência que as artes me proporcionaram. Tinha jeito para estas gracinhas, e em setembro lá me punha a pensar o que poderia fazer para oferecer à família. Claro que desde que comecei a trabalhar isso tornou-se quase impossível, com a tese fechei a caixinha, com o casamento já nem me lembrava que um dia fiz estas coisas e agora em mãe posso mesmo dizer que pus esse capítulo no sótão.

Quando comecei este blog contactei algumas pessoas que encontrei na blogosfera que teciam ou compunham ou pensavam peças, artigos, coisas lindas (claro que é só a minha opinião). Não resisti a começar a encomendar coisas que acho tão mais interessante comprar a pessoas com ‘cara’, estória, bom gosto… São geralmente mulheres, são geralmente mães. Começaram assim a escrever na blogosfera para desabafos de mãe e acabaram por vender peças que faziam para si ou para os seus filhos. Acho delicioso, quero mesmo participar, esta é uma estória de amor. Quando engravidei, e uma vez que os meus projetos são no âmbito da empresa dos meus pais, decidi que iria trabalhar a partir de casa. Até ver e até conseguir, gostaria de colocar a MR no infantário apenas aos 3 anos. A ver se vem mais algum bebé para esta família ou não, e ano a ano decidirei se continuo a trabalhar em casa ou se volto para o espaço da empresa. E não se trata de desistir da nossa vida. Trata-se de a investir. Dar-lhe outros sentidos, às vezes. Os filhos são assim, dão-nos força, tiram-nos tempo, mas devolvem o que roubam sobe a forma de algo muito mais poderoso. Sinto-me leoa.

Ainda assim consegui colocar um bocadinho do ‘fui eu que fiz’ nos presentes deste Natal. Encomendei fio baker twine na made in paper, umas etiquetas lindas (já lá vai o tempo em que tinha tempo para fazer as minhas próprias etiquetas) e fui buscar todos os restos de papel que costumo guardar, desde revistas, jornais, folhas que acompanham encomendas, móveis de montagem em casa, etc. Tudo vale. E às vezes nem estamos a ver o potencial da coisa, mas com os acessórios certos pode ficar o máximo. Nas etiquetas carimbei a sigla ‘ZÍ’, que tinha encomendado para os brindes de casamento, por trás os nomes dos destinatários, fio ‘roupa velha’ (oh pá é tão lindo, tão heterogéneo, com uma cor tão quente, hm…) a cruzar os embrulhos, os aproveitamentos de papel fita cola simples e masking-tape e já está 🙂 E sabem que o fio baker twine é 100% produzido em Portugal? Vale mesmo a pena. E lá vai um bocadinho de mim nos presentinhos que não vão corridos a papel às bolas e laçarotes brilhantes. A minha madrinha ainda me sugeriu uma coisa mais engraçada (para papel de embrulho), mas que ainda não posso por em prática cá em casa. É deixar os miúdos desenharem livremente em papel cenário, manteiga ou de ‘máquina’ e usarem o resultado final como papel de embrulho 🙂 Era o que fazia lá em casa quando os miúdos eram pequenos. E é isto.

Frasquinhos

frasquinhos

Frasquinhos para doces, conservas, molhos, como prepará-los? Sempre que fazemos compotas, por exemplo, devemos ter os frasquinhos esterilizados, por isso devemos evitar ter autocolantes identificativos pois de cada vez que os lavamos temos de retirar os pedaços de cola irritantes, ou fervê-los em água, bahhhhh… Gosto (muito e sobretudo nesta fase de recém-mamã) de ser prática, por isso escolho frasquinhos simples já bonitos per si ou reutilizo frascos de compra (aí sim fervendo-os numa panela cheia de água, mas apenas uma vez, para retirar todos os papelinhos).

Mas quando deito neles os conteúdos gosto de os embelezar um pouco, dar-lhes um toque pessoal. Lá porque tenho menos tempo não quer dizer que tenha deixado de ter tempo de todo ou tão pouco que deixe de ter desejo pelo que é belo, com classe e distinto. Há infinitas formas de forrar frasquinhos, das mais bonitas às mais terríveis, das mais rápidas às mais morosas. Como disse gosto de ser prática e aqui vou apenas deixar a minha sugestão. Uma das formas de grantir que podemos sempre utilizar determinada solução de uma forma prática, é pensá-la com materiais que habitualmente temos em casa, ou neste caso na cozinha.

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Assim os materiais que preciso são,

.fita-cola colorida,

.elástico colorido,

.papel vegetal culinário,

.caneta tipo de ‘acetato’ (caneta de tinta permanente, que não esborrata e escreve em superfícies plastificadas),

.serrapilheira, papel vegetal culinário, resto de tecido, etc.

frasquinhos_instruções

Como se faz,

Corta-se o papel vegetal culinário (que se pode comprar em qualquer supermercado) à medida da altura do frasco (h), sem contar com os rebordos, como se pode ver na imagem.

Em seguida ‘veste-se’ o frasco com a folha que cortámos mas deixando 1 dedo aproximadamente a separar as duas pontas, como exemplifica a imagem. Isto é importante para que quando fixarmos com a fita-cola esta apanhe simultaneamente o vidro e o papel evitando que ele dance no frasco.

Antes de fixarmos o papel escrevemos no centro o rótulo do conteúdo, com ou sem data, com ou sem ingredientes, é como preferirem. Podem fazê-lo brincando com a caligrafia, sendo mais simples ou mais arrojado.

Essas pontas vão ser fixas ao vidro através de fita-cola colorida, que facilmente podem encontrar num supermercado, mas eu tenho um carinho especial pela ‘Washi Masking Tape‘, uma fita-cola feita de um papel especial japonês e muito utilizado em embrulhos, brincadeiras, papelaria, etc. Para Washi-tape e montes de outras gracinhas de papelaria podem ir à made in paper, uma lojinha on-line mimosa, ui se apetece comprar tudo!, que descobri através de uma amiga e sobre a qual já falei aqui. Tem realmente umas coisinhas deliciosas, já a Washi-tape existe em várias cores, com padrões ou 2 cores. É escolherem as que gostam mais, eu cá fico deliciada com as cores simples.

Para o carapuço do frasquito é só cortarem uma peça mais ou menos circular de serrapilheira, papel vegetal culinário, restinho de tecido, o que quiserem, e e prenderem-no com um elástico colorido a fazer pandã com a washi tape utilizada 🙂 Eu utilizei umas sobras de sobras de cortinados, que já tinha usado aqui, e simplesmente bordei uns corações de várias cores. O máximo, vos garanto.

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A vantagem é que estes rótulos são resistentes suficiente para aguentar enquanto o conteúdo dura, mas muito fáceis de tirar sem deixar ‘rasto’ nem resto 🙂 Podem ser levados para a mesa a acompanhar bolinhos e chá, ou ser oferecidos no Natal! Simples, prático e barato! Gostaram do resultado?

Salada Tricolor

salada tri 

Cá em casa somos assim mais do arroz, por defeito ou feitio da minha mãe e da minha avó que sempre foram adeptas deste cereal em detrimento de outros. E vai com tudo, peixe, carne, legumes, a acompanhar ou em modo risotto. Mas por necessidade de organização do meu tempo percebi que fazer umas saladas quentes com massa e legumes é uma forma prática e mais rápida de despachar refeições.

Há uma massinha em particular que gosto muito, é a fusilli versão tricolor. É basicamente sempre essa que uso. Como costumo ter legumes congelados basicamente é descongelá-los, salteá-los e já temos a base. Depois é só juntarem carne ou peixe a gosto- perfeito para sobras.

Neste caso diverti-me a combinar cores e sabores neste jogo do amarelo, laranja e verde. Vamos à receita?

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Ingredientes,

.1 tigela cheia de massa tricolor

.uma tigela cheia de bróculos

.1 lata pequena de milho

.2 fatias de ananás natural

.2 postas de salmão

.1 mão cheia de amendoins

.manjericão em folhas

.azeite

.alho em pó

.folhas de louro

.sal

.molho de soja

.orégãos

Preparação,

Cozer a massa numa panela com água a ferver, sal e uma folhinha de louro (a gosto). 10 minutos costumam chegar, de qualquer forma ficar atento e tirá-la quando estiver ‘al dente’. Entretanto, numa frigideira anti-aderente deitar um fiozinho de azeite, alho em pó e sal. Quando estiver quente mas ainda não a ferver (isto permite cozinhar os alimentos de forma mais saudável pois retardando o ponto de fervura do azeite evitamos a transformação das gorduras poliinsaturadas) deitar o ananás e os bróculos para que o ananás comece a suar e contagie os bróculos com o seu suco adocicado. Colocar o salmão previamente descongelado no micro-ondas uns 10 minutos a 800 Watt, isto permite que não tenham de se preocupar com o salmão enquanto ele cozinha e uam vez que o micro-ondas agita as moléculas de água dos alimentos para os cozinhar não precisam colocar qualquer tipo de gordura. Quando os bróculos estiverem quase deitar o milho, os amendoins e as folhas de manjericão cortadas em bocadinhos para libertar mais sabor. Deitar o salmão sem pele nem espinhas na frigideira com o preparado dos bróculos e misturar tudo sem desfazer demasiado o peixe. Desligar logo a frigideira e juntar numa taça à massa previamente escorrida e passada por água fria. Deitar um fiozinho de molho de soja, azeite e salpicar com orégãos.

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No fim convidar a avozinha para vir degustar o petisco e deliciarem-se a 2 ou a 3, como foi o nosso caso hoje (apesar da MR ser ainda só uma espetadora). Podem servir com salada de alface pouco temperada, com ou sem um tomatito cortadinho em rodelas.

E por falar em comida saudável, sabiam que a nossa dieta (mediterrânica) foi elevada a Património Imaterial e Cultural da Humanidade? Um orgulho, certo? Então bora lá comer estas coisinhas saudáveis 🙂

Bom apetite!

Sobras de cortinados

berço_MR

O que fazer com sobras de tecidos? Quando mudámos para esta casa colocámos 3 pares de cortinados na sala. No acerto da altura dos ditos sobraram 6 rectângulos de 50 x 145 cm que ficaram na gavetinha à espera de dias mais iluminados (em ideias).

Há coisas que não nos lembramos de fazer com antecedência ou a tempo do início das festividades, simplesmente nos lembramos numa altura qualquer que pode ainda valer a pena ou não. Quando estava grávida os meus pais e avós decidiram oferecer-nos o carrinho do bebé, os meus sogros oferecerm-nos o bercinho. Para o carrinho pedi então que tivesse os 3 componentes necessários aos primeiros meses de vida, a alcofa, o ovo (cadeirinha para acoplar ao automóvel) e a cadeirinha de passeio. Decidimos que nos primeiros meses a MR iria dormir no nosso quarto na dita alcofinha e não no berço que ocupava muito mais espaço e por isso está à sua espera no quartinho da bebé.

No alto dos meus 19 kg aumentados durante a gravidez, a tentar sobreviver à sensação de 50º com que Julho nos abençoou, inchada, com dificuldade nos movimentos, não consegui lembrar-me de nada que tivesse a ver com tornar a alcofinha sofisticada e high-tech do carrinho brutal em em algo mais mimoso e romântico para a bebé que aí vinha. O carrinho que nos ofereceram é mesmo de uma beleza e sofisticação por demais, vencedor de vários prémios de design e segurança, em pele, já dá para 2 (andamos a pensar no próximo, mas sem pressas…), prático e inteligente, só falta falar. Mas a verdade é que às vezes para proteger os sonhos de um bebé fazem falta umas rendinhas, um tecido quentidinho, uma colcha feita à mão, com amor, especialmente para a menina ou o menino. Enquanto o calor apertou limitei-me a colocar um lençolinho por baixo e outro por cima que a minha sogra cortou e coseu para a MR, mas com a entrada do frio os pormenores metálicos da alcofa começaram a gelar as mãozinhas da minha menina de noite, e o ar despido da peça parecia torná-la ainda mais fria.

Foi então que encontrei na gaveta dos tecidos as sobras dos cortinados! Têm um tom beje-creme, suave, perfeito para aquilo a que se destina. Comprei uns metros de renda e comecei o trabalho.

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1. 2 retângulos 5o x 145 cm + renda 3 metros;

2. cortei os rectângulos no comprimento até terem a medida necessária para envolver a alcofa (medi diretamente), fiz bainhas, cosi-os deixando 2 buracos para entrar o apoio do tapa-sol do carro e apliquei a renda;

3. coloquei a cinta virada do avesso na alcofa e dobrei apenas metade desta para fora, forrando a pequena caminha;

4. coloquei o colchãozinho por cima, com a renda que sobrou ainda a apliquei num leçol e fiz a caminha 🙂

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Uma ternura mesmo, só vos digo. Só pensava, ‘Mas porque é que não fiz isto antes?’ Enfim, acredito que tenha a sua razão de ser. Ficou o máximo, como podem ver. O coelhinho é o guardador de sonhos da caganita e foi uma oferta da avó M. Os leçóis são da avó R e a mantinha de lã tecida pela tia D. Delicioso…

Mastites

Isto de dar de mamar tem muitos benefícios, para ambas as partes, e é assim de maneira geral, um acto lindo e maravilhoso. O acto mais antigo do mundo, ainda assim, tem momentos difíceis e se nos quisermos livrar de alguns problemas sérios temos de aprender a fazê-lo. Devemos fazê-lo com profissionais de saúde, outras mães e os nossos próprios bebés.

Começamos pela parte óbvia, são 2 maminhas, 1 boca para alimentar. Uns dizem que se deve dar uma de cada vez, com o mesmo tempo de duração, mas neste momento há toda uma nova frente que sugere 1 mama de cada vez. depois dessa esvaziar dá-se a outra, provavelmente já na mamada seguinte. Isto porque defendem que o leite mais gordo está no final e que esse é importante para o desenvolvimento do bebé. A verdade é que este leite mais gordo não é o mais nutritivo, a maior parte dos nutrientes, anticorpos e vitaminas estão no ‘primeiro’ leite. E faz sentido que assim seja, uma vez que aquilo que cada bebé mama é uma incerteza, é uma defesa natural que o primeiro leite seja o melhor, o mais rico. só por isto já apoio o método de 1 mama de cada vez, mas a juntar a isto, para quem produz muito leite, esperar 6 horas numa mama para a esvaziar é simplesmente demasiado.

Quando comecei a dar de mamar tentei o método uma de cada vez, ms a verdade é que comecei a encaroçar e tive dores terríveis, tive de usar a bomba de extração de leite, massajar, paninhos quentes antes das mamadas e mesmo assim o método não funcionou comigo. Liguei à minha mãe, eu toda chorosa, a dizer que não conseguia e que não estava a correr nada bem… A minha mãe disse que o seu método era 10 minutos em cada mama, no final se o bebé quisesse mamava mais 5 nessa última e se ainda tivesse fome mais 5 minutos na outra. E começava sempre alternando a mama, ou seja, dava direita-esquerda, a seguir dava esquerda-direita, pois o bebé tem sempre intensidade de sucção diferente na primeira mama, logo é essencial alternar para não descompensar o peito.

De modo que adotei este método e devo dizer que me dei muito bem com ele. Deixei de encaroçar e tudo correu melhor. Fiz, ainda assim, um princípio de mastite ao fim de 1 mês e parece que ando a fazer outro agora 😦 Como produzo muito leite basta ela mamar mal 2 ou 3 vezes seguidas (por ter gazes ou cólicas por exemplo- sim que numa barriguinha tão pequenina só lá cabe um conteúdo à vez, o cocó tem de sair para o leite poder entrar…) que o leite acumulado no meu peito e começa a encaroçar e infetar. A mama fica com 1 ou mais quadrantes vermelhos, febris, e a dor é… terrível… Pode dar febre, dá um grande desconforto e o peito fica duro, pelo menos nas áreas afetadas. Pode dar numa mama ou nas duas. Da primeira vez liguei ao saúde 24 e eles foram imensamente prestáveis. Deram-me umas quantas instruções muito úteis, explicando tudo muito bem, que me salvaram a pele dessa vez e espero que salvem agora novamente. É realmente um serviço ao qual gosto de recorrer.

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.antes de dar de mamar colocar uns paninhos bastante quentes (atenção, a ideia não é queimar, ok?) no peito e massajar- isto vai ajudar a desencaroçar e abrir os canais para a saída do leite

.começar a mamada pela mama que está pior, se estiver vermelha ou mais dorida ou mais cheia

.a seguir à mamada colocar paninhos gelados (não é gelo, este também queima a pele sensível da mama) e massajar, escoando algumas gotinhas de leite restantes- isto vai fechar os canais e parar momentaneamente a produção de leite

.entre refeições do bebé massajar o peito evitando o encaroçar do leite, se necessário aplicar paninhos gelados ou mesmo tirar leite com bomba

.pode sempre dar de mamar durante o princípio de mastite ou a mastite desde que não o faça no pico da infeção (ATENÇÂO, discutam sempre o vosso caso com um profissional de saúde)

.em caso de necessidade de alívio da dor/ desconforto tomar benuron de 8 em 8 horas (ATENÇÃO, falem sempre com o vosso médico sobre tomada do que quer que seja)

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Durante a gravidez pode fazer-se a massagem ao peito, a ideia é fazer círculos em cada quadrante da mama (como o nome indica imaginando-a dividida em 4 partes) e depois massajar em direção ao mamilo, como se desenhássemos uma jante de bicicleta. Esta massagem deve ser feita regularmente durante o período de amamentação. Podem aproveitar o momento do banho e complementar estes movimentos com água quente saída do chuveiro.

Para auxiliar esta fase existe ainda toda uma panóplia de produtos para colmatar as várias dificuldades que podem surgir. Um creme muito bom que aconselho ter à mão é a lanolina pura que é excelente para prevenir fissuras, gretas, etc. Este creme tem a vantagem de não ser preciso lavar para o bebé mamar. Quando a coisa já passou a fase de prevenção é preciso usar um reparador. Há bastante variedade nesta área e no geral é necessário limpar/lavar o peito antes da refeição do bebé. Pessoalmente gosto muito do Cicalfate da Avène, mas a minha opção pessoal. Para quem está muito aflita nesta área pode ainda recorrer aos mamilos de silicone, não servem só este propósito mas basicamente ajudam a proteger o mamilo da mãe.

Ao fim destes 3 já tudo se tornou muito normal, medos dissipados, dúvidas esclarecidas, quase tenho de fazer um esforço para me lembrar como foi dolorosa a primeira semana e tumultuoso o primeiro mês. Quem diria que afinal estas dores até se esquecem…