mimos

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Fiz um bolinho simples.  Daquele jeitinho tão meu.  Vou acrescentando os ingredientes mais ou menos a olho, no fim provo a massa e complemento com o que for necessário.

Na família há excelentes cozinheiras, a minha avó,  a minha mãe e a minha madrinha. Cozinham brilhantemente,  assados,  refogados,  cozidos, compotas (nas quais a avó é mestre), sobremesas,  entradas (a minha mãe brilha na apresentação), a lasanha da madrinha… engordo só de pensar. Mas a minha cena são os bolos. É-me quase impossível repetir uma receita. Têm sempre aquele gosto característico, nem sei explicar bem. Faço-os sempre a olho, vou lá pelo cheiro,  pela textura,  parece que nos entendemos.

Então fiz um bolinho simples,  guloso e saudável com o que havia no frigorífico e dispensa. Ficou assim,

*

Ingredientes,

.6 maçãs

.1 chávena de açúcar

.1+1/2 chávena de farinha

.1 colher de chá de fermento

.1/2 chávena de leite

.1 embalagem de queijo para barrar light

.3 ovos

.uma mão cheia de amêndoas moídas

.raspa de limão

.sumo de um limão

.compota de morango ou frutos vermelhos

.2 colheres de sopa de sementes de sésamo

.canela para polvilhar

Preparação,

Untar uma forma redonda com azeite. Polvilhar o fundo com açúcar e com as sementes. Pôr o forno a aquecer até 170º. Cortar as maçãs previamente lavadas e descaroçadas em fatias finas para dentro da forma. Regar bem com o sumo de limão. Levar ao forno até estarem semi-cozidas. Entretanto preparar a massa. Juntar todos os restantes ingredientes, excepto a compota,  e bater muito bem.  Tirar a forma do forno, polvilhar com canela e dispor a compota sobre a maçã. Deitar então a massa sobre o preparado com muito cuidado. Levar ao forno 45 minutos a 1 hora. Retirar do forno, esperar que arrefeça um pouco e virar (cuidado que pode ter molho).

Numa versão menos light podem servir com natas magras batidas com açúcar.

*

Bom apetite e bom fim de fim de semana. 🙂

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Gerações

avozinha

A minha mãe diz que a minha avó se melhorou como avó e que agora se aperfeiçoou como bisavó. Começo a pensar que as mulheres vão evoluindo a cada geração que lhes acontece. Primeiro como mães, depois como avós e depois como bisavós. E desde que a minha filha nasceu a minha avó só tem sorrisos para ela. Até eu perdi um bocado da gracinha.

A minha avó é assim, muito de ideias fixas, das suas próprias opiniões. Claro que a podemos fazer mudar de ideias, mas temos de a convencer com argumentos muito convincentes. Caso contrário fica convicta e ninguém a pode demover.

Tem estado connosco cá em casa. Duas a três vezes por semana, durante a tarde. Fica com a caganita, eu estou sempre por perto, mas sempre vou pondo coisas em dia, voltei a pegar no trabalho, ganho umas 2 horas que não existiam nos meus dias, é delicioso. Este trabalho é partilhado com a minha madrinha que vem nos dias que a avozinha não vem. Tem sido a minha salvação mental que estava a sentir-me um pouco louca sempre com um bebé que só quer colo enquanto tratava da roupa, loiça, casa e comida, 7 dias por semana. Sim 7. Bem sei que ao fim de semana tenho cá o meu super homem, que é um querido e um ‘cheio de boa vontade’. Mas parece que todas as mulheres se queixam do mesmo, por muito que eles façam nós fazemos sempre mais. E à segunda feira parece que ainda há mais trabalho que nos outros dias. É o arrumar do fim de semana.

Estamos aqui as 3 hoje. Havia literalmente quilos de roupa por tratar. Era fazer máquinas de roupa suja, tirar roupa do estendal, pôr roupa a secar, dobrar e arrumar. Isto da chuva atrasa as tulhas todas de roupa. E enquanto a MR fazia uma sesta longa (que é coisa rara) começámos a dobrar e arrumar roupinha, as duas sentadas no sofá e a pôr a conversa em dia. As mãos da minha avó trabalham a um ritmo incrível e enquanto eu olhava para ela e imaginava as gerações de mulheres a tratar de roupa como quem lava sentimentos, diz-me a minha avó, ‘Sabes o que isto me faz lembrar?’ faz pausa. ‘Quando ia com a minha mãe lavar no rio. Depois era secar e dobrar a roupa’. E olhou para mim nos olhos com aquele olhar de quem partilha gerações e estórias… e história. De quem compreende muito mais do que aquilo que diz, aquele olhar que até parece que viaja no tempo. Minh’ avó.

Hoje

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Agora é assim, a madrinha e a avó vêm cá para casa durante a tarde para que eu consiga trabalhar. Preciso de pôr o trabalho em dia e confesso que tenho alguma vontade de me sentir sozinha (sinto-me tão mal quando penso estas coisas, amo a minha filha mas ao mesmo tempo começo a precisar de umas horinhas diárias para mim, confesso). E então propus à minha avozinha e à madrinha que alternassem uns dias por semana para fazerem o turno da MR. A minha avó aceitou logo com entusiasmo e a minha madrinha até se emocionou. Que tipo de pessoa é preciso ser para ficar emocionada com um favor que lhe é pedido? Só a minha madrinha. É assim de uma generosidade sem fim, maternal e carinhosa, emotiva e disponível como só ela sabe e poderia ser.

A MR hoje está zangada. Dormiu bem e está feliz, mas anda cheia de cólicas. Estava com os níveis de ferro em baixo quando fomos à pediatra e eu decidi dar-lhe um bocadinho de beterraba na sopinha… Grande asneira. A beterraba é um alimento riquíssimo em ferro. Lembram-se daquelas comparações dos alimentos às partes do corpo e àquilo a que fazem bem? Pois a beterraba com todo aquele vermelho, esta-se mesmo a ver, faz bem ao sangue, aumenta os níveis de ferro no sangue e com ele a concentração de oxigénio, limpa o fígado, etc., é quase só vantagens. A desvantagem é que prende os intestinos. E para piorar a minha filha é profundamente presa de intestinos. Já tive de lhe cortar a cenoura completamente porque a fazia sofrer horrores e agora está a acontecer o mesmo com a beterraba. Acho até que ainda é pior. É um sufoco vê-los sofrer assim, a contorcer-se de dores, seja pelo que for. No caso da MR são cólicas. Intensas e profundas.

Uma vez que pela sua idade já está condicionada a um número limitadíssimo de alimentos, acrescer estes proibidos pelas cólicas, complica ainda mais a situação. A minha tia que é médica teve uma boa ideia, uma vez que ainda dou de mamar, sugeriu dar os suplementos alimentares que ela precisa através do leite, quando ela não os pode ingerir diretamente. Significa comê-los eu e poupá-la assim das cólicas e etc. Assim, e ligando o início da estória, fiz o almocinho para as crescidas cá de casa (eu e a minha madrinha) com beterraba para me encher de ferro. Uma vez que estamos numa de controlo de calorias decidi fazer uma saladinha very light. E com very light não me refiro apenas a calorias baixas, é uma refeição saudável mesmo. E no fundo (e na superfície) é isso que é mais importante.

*

Ingredientes,

-salada-

.1 maçã

.1 banana

.1 beterraba

.1 batata grande

.1 chávena de chá cheia de alface lavada

.3 fatias de presunto

.2 ovos

.3 colheres de sopa de amendoins

.1 colher de sopa de bagas goji (poderosíssimas em antioxidantes)

.Sal e azeite q.b.

-molho-

.meia embalagem de queijo fresco para barrar light

.1 colher de sopa de molho de soja

.1 colher de sobremesa de mel

.2 colheres de sobremesa de vinagre de cidra

.1 colher de sopa de orégãos

.1 pitada de canela

Preparação,

Começamos por preparar o molho juntando todos os ingredientes e deixando no frigorífico. Colocar os ovos num recipiente com água ao lume para serem cozidos (3 minutos depois da água ferver, para ficarem malcozidos). Lavar muito bem a batata e colocá-la no micro-ondas com sal grosso e azeite, 20 minutos na potência máxima. Lavar a beterraba, descascá-la e cortá-la, colocá-la no micro-ondas com a batata a 10 minutos do fim (cozer a beterraba no micro-ondas e não numa panela com água vai permitir que esta conserve as suas vitaminas lipossolúveis e ao mesmo tempo se mantenha tenra e húmida). Lavar bem a maçã e cortá-la com casca para dentro do recipiente de servir a salada. Cortar para lá a banana descascada, colocar as bagas e os amendoins, o presunto cortadinho em pedacinhos e a alface. Juntar a batata e a beterraba já prontas, mexer tudo muito bem e levar à mesa. Os ovos vão descascados para a mesa e colocam-se um em cada pratinho. Depois serve-se a salada generosamente e por cima uma colher de sopa cheia do molho que estava reservado.

*

Como entretanto nos deu a fome (a tarde foi longa) decidi fazer uns Muffins que tinha num livro de receitas antigo, alterando ligeiramente a receita. O livro é ‘O pequeno tesouro das cozinheiras’, da Maria Irene Teixeira. A receita levava menos açúcar pois a ideia é servir um pãozinho levemente doce para barrar com manteiga ou compota. Eu coloquei um pouco mais de açúcar para ser comido assim sem mais nada. Mas servi com chá verde (para ajudar a eliminar toxinas e gorduras) e uma tangerina (combate gripes e constipações).

*

Ingredientes

.100 gr de manteiga

.200 gr de açúcar

.500 gr de farinha

.2 ovos batidos

.3 colheres (chá) de fermento em pó

.2 chávenas (chá) de leite

.1 colher (café) rasa de sal refinado

Preparação

‘Bate-se a manteiga com o açúcar e juntam-se a pouco e pouco os ovos já batidos, a farinha peneirada com o fermento e o leite. Misturar tudo bem sem bater.

Untam-se forminhas lisas, redondas e a direito, com manteiga e enchem-se até meio com a massa já preparada.

Cozem de 15 a 20 minutos em forno quente (250º). Dá 30 muffins. Servem-se quentes de preferência.’

*

Ficou tudo delicioso e ligeiro 🙂 Adorámos, repetimos, ainda deu para o Z quando chegou a casa e para o meu padrinho provar. Entretanto a pequena já comeu a papa e está na cama. Ainda sobrou um bocadinho da papa agarrada aos meus braços que agora me vou entreter a limpar…

Dias assim

Hoje foi o máximo.  Tinha uma consulta em Lisboa e lá fomos as 3, eu, a miúda e a minha madrinha.

Saímos de casa cedo,  demos a sopa em Lisboa, consulta acabada foi cafezinho com biscoitos, passeio por lojas de decoração,  passar o tempo em ihh’s e ohh’s, ir à Primark (ai quem me salva? E fui logo com fica tão doida quanto eu), trazer os maridos dos seus dias árduos de trabalho e terminar o dia em casa dos meus pais num jantar de semana a 7 🙂 Pela descrição seria de pensar que esta malta não faz nada da vida ou que está de férias,  mas não é o caso,  foi mesmo um daqueles dias especiais que aquecem a alma. E o coração.

Doentinhas e desanimadas decidimos espantar os males das constipações ao sol bom de inverno em plena cidade. Às vezes a melhor cura é mandar os vírus irem dar uma volta. Com sorte, metade ficam pelo caminho e não regressam a casa 🙂 E apesar de só ter 5 meses esta miúda emparceira imenso comigo. Faz-me imaginar a quantidade de coisas que vamos fazer pela vida fora (e dentro), daquelas que exigem cúmplice e entendimento. Olho assim para este bebé e vejo uma pessoinha a aparecer naquela sementinha que eu construí,  que fiz nascer e que me cativou para sempre no meu coração. Foi um dia maravilhoso,  especial e delicioso. Daqueles em que se revelam coisas e pessoas. E eu profundamente apaixonada, perdida neste mar de amor…

prrrrrrrr…

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É assim, esta coisa da comida não é fácil… Ensinar um bebé a comer com colher, ensiná-lo a comer devagarinho, exigir-lhe que coma uma determinada quantidade, nem muito mais nem muito menos, introduzir sabores novos, nunca lhe dar hipótese de escolha do menu, enfim… como dizia, não é fácil.

Felizmente esta miúda até come bem a sopa, não é tão fã da papa, mas marcha. Sim marcha, porque na verdade não há assim nada que ela coma que adore. É um pisquinho, como se costuma dizer. Como eu era em miúda. Sempre fui assim mais para o pequenita. Aos 12 anos calçava o 33 e pesava 33 quilos. Foi uma enorme conquista para mim. O meu irmão com 6 anos pesava 33 quilos apesar de hoje ser um esticadinho, na altura era maciço. Pois a minha filha é caganita, como aliás lhe chamamos. E a pediatra diz que ela está no percentil 5 e que podia engordar mais um bocadinho, mas a miúda cansa-se de comer ou lá o que é. Insista, diz a pediatra. Pois sim, a cachopa a espernear e eu o que posso fazer? Seringá-la com comida? Não me parece… E agora anda nesta modinha do parar de mamar para conversar. Claro, eu derreto-me toda, mas o que é importante, que é ingerir alimentos, fica para o pai (que é o único cá em casa que não faz fita para comer, enfim, eu também não faço fita mas ultimamente já não almoço nem lancho nem nada, faço refeições e basicamente quando posso, pimba!, avio o que me apetece).

Já com a sopa e a papa a cachopa percebeu que mal abre a boca para dizer o que quer que seja vem a mãe com a colher desenfreada e catrapumba!, comida para o bucho. Então vendo que lhe era negado o direito de falar, ainda com a sopa na boca, ou a papa, faz prrrrrr…. Sopa na mãe, na madrinha que está a segurar o bebé, no bebé dos olhos ao queixo, sopa na chucha (que ainda empurra os sólidos), sopa neste que se tornou todo o meu mundo… Respiro fundo, olho para aqueles olhinhos e penso, ‘é amor, é mesmo amor’. Não resisto a lançar um sorriso absolutamente derretido e pimba, lá tentamos enfiar mais umas colheritas.

A coisa vai devagarinho e um dia de cada vez. Enfim, somos mais de 7 mil milhões de pessoas neste mundo, no geral todos se foram criando (infelizmente isto não é universalmente assim). Presumo que terei de aceitar que nem todas as crianças comem com entusiasmo desmedido tipo agradecidas à mãezinha e ao paizinho aquela refeição. E esta cachopa está assim a guardar-se para o ditado ‘A mulher quer-se como a sardinha. Boa e pequenina’. Já dizia o meu avôzinho achando que as mulheres da família honravam o dizer popular. E desde que a minha filha esteja bem, mais percentil, menos percentil, prrrrrrr…

Banho

Desde o filme da Disney ‘Rei Leão’ que me convenci que isto dos banhos, enquanto são as mães a dá-los, poucas crias o apreciam. Aparentemente até há uns (pais) felizes contemplados que têm a sorte de ter uns rebentos que adoram chapinhar… mas todos os outros condenados têm de passar a hora do banho a tentar sobreviver ao som ensurdecedor do choro da criança a ecoar, qual martelo a bater à bruta nos tímpanos, nas paredes vidradas das casas de banho. É o nosso caso.

O primeiro banho foi na maternidade. A temperatura estava controlada a enfermeira ia dizendo mais para cima ou mais para baixo, aquela coisa da maternidade ainda não tinha batido assim que nem um balão a rebentar, em mim e por isso correu tudo muito bem. Quando chegámos a casa foi o descontrolo, está muito frio?, está muito calor?, tem espuma a mais?, esfreguei o suficiente?, ou será que foi demais? E no meio disto vira para cima, vira para baixo, lá se punha a MR aos gritos como em mais momento nenhum da vida dela. Mesmo. Eu até pensava que de certa forma seria bom que ela chorasse no banho porque era o único sítio onde o fazia.

Mas à medida que foi crescendo o choro foi ficando pior, mais intenso, mais sempre. Primeiro era só no final, depois passou a ser no princípio, depois instalou-se no ‘Isto não vai parar.’ Começámos a por-lhe a chucha porque já nem nos ouvíamos a nós,

-UAAAAAAAAA!!! UEEEEEEEEEEE!!!

-Passa-me a toalha, por favor.

-UUUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!

-O quê??

-UUUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!

-O que é que disseste??

-UAAAAAAAAAHHHAAHHHAAAAAA!!!

-Não percebi!

-UEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!

-Esquece eu vou buscar!

-UUAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!

Enfim, lá percebemos, um dia a virá-la para lavar daqui e dali, que de barriga para baixo na banheira se acalmava muito. Ahh, que felicidade, foi um abusar da posição, mas que boa descoberta! Pelo menos dentro de água tem uma posição em que está caladinha, porreiro. Mas quando sai do banho começa o berreiro. Fomos experimentando várias coisas até que começámos a aquecer a casa de banho e claramente o choro começava mais tarde. Será de fome? De sono? Já comprovámos que o estado de desespero dela é independente destas variáveis, ela não gosta de se vestir, ponto. É que o mudar a fralda ainda vai, ok, já não é mau, mas o vestir… Ui… não consigo entender a minha filha, então uma miúda e não gosta de se vestir? É como não gostar de arranjar o cabelo ou pintar as unhas… enfim, mas é mesmo. E por isso faça o que fizer, aqueles últimos minutos do banho são sempre com uma alegre (not!) banda sonora. Ultimamente desenvolveu um gemido diferente, enquanto a visto coloco-lhe a chucha para acalmar os gritos desenfreados e debaixo da chucha oiço ‘lhega, lheiga!’ Depreendo pois claro que seja a abreviatura de ‘Já chega, já chega!’.

No fim de todo este cansaço eu estou pronta para tomar um banho e ela olha para mim com uns olhos um pouco mais calmos dos quais depreendo que me diga ‘Bolas, estava difícil! Às vezes parece que não me entendes…’

Justiça seja feita, nos dias que a minha madrinha participa nos banhos, entre ‘ui ui ui!’, ‘cu-cu!’ e outras mimices, a MR nem tem tempo de pestanejar uma lágrima. A minha madrinha fala o tempo todo sem interromper um segundo e nem dá para pensar que não está a gostar do banho. Louvo o estofo e o jeitinho 🙂