Não estar só

É verdade. Toda a gente diz tanta coisa. Toda a gente acha que encontrou a fórmula para a melhor forma de fazer. E eu também acho que sei e que sei a melhor forma. Mas às vezes também tenho dúvidas. E todas as mulheres que sentem essas dúvidas procuram ajuda, querem opiniões e às vezes essas opiniões deixam-nas baralhadas. Outras vezes não procuram opiniões mas toda a gente teima em comentar o que fazem, como fazem, se concordam se não concordam e por fim parece haver uma infindável gama de literatura sobre todos os assuntos e métodos. Claro que os mais frequentes são o evitar colo, não o habitue mal, dê-lhe limites, diga que não, e nós lemos vamos ficando com um nozinho na garganta e ou aceitamos que estamos contra o mundo ou aderimos a esta conversa errada (é a minha opinião).

Sou da escola da minha mãe, acho que não existe mimo nem amor a mais. É, digamos, uma coisa impossível. Mas tantas nuances há à volta de opiniões que se partilham, tanto se diz que contraria o instinto das mães, e tantos dias há que me sinto sozinha nos meus métodos e que parece que nem o meu marido os compreende que sabe bem descobrir uma pérola que nos apoia. Meso que seja num texto ou num livro.

A Marta Duarte, do blogue Passinho a Passinho, partilhou este homem, este senhor. Li, reli e recomendei a vários membros da família e futuros pais. Vale a pena ler, vale a pena perceber. E como diz a Marta, ‘Só gostava de o ter descoberto quando os meus filhos eram bebés!! Teria feito tudo igual, mas com menos angústia…’ Obrigada querida Marta, adorei 🙂

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Às vezes

…enquanto lhe dou de mamar olho para ela (estou sempre perdida no seu olhar, no seu ar, ai que mimo!) e vejo aquela ‘carinha de leite’, como eu lhe chamo, e fico deliciada, apaixonada, só me apetece… beijá-la! Mas não chego lá…

Colo a mais : Mito ou Perigo?

Cada um tem a sua opinião. Em tudo e p’ra tudo. Quando estávamos na maternidade chegava uma enfermeira e sugeria que fizéssemos algo de determinada maneira. Vinha outra e dizia que não, achava que deveria ser de outra forma e lá explicava as suas razões. Ficávamos um bocado perdidos nesta coisa de pais pela primeira vez. Mas o pior de tudo, mesmo muito mau, era quando chegava uma que dizia, ‘É assim, eu não possso dar a minha opinião, há estas opções, agora os papás é que escolhem…’.

Muito bom mesmo, comecei logo a imaginar-me numa comversa com um cliente,

-Oh arquiteta gostava de fazer aqui um vão de 25 metros, aconselha-me?

-Ai eu cá não posso aconselhar nada, não seria ético. Mas posso apresentar-lhe as vantagens e desvantagens da situação.’

Imagino até um (divertido) desfecho (desta hipotética situação, claro),

-Olhe afinal aquilo está assim com ar que vai tudo cair, e agora?

-Ai agora problema seu, a escolha foi sua…

Sim, havia de ser bonito…

 

Mas gracinhas e gracejos à parte, os bebés vão fazendo os pais e a pouco e pouco nós mesmos vamos conseguindo perceber com que tipo de profissionais nos identificamos mais e vamos conseguindo filtrar dos conselhos de familiares e amigos o nosso próprio estilo, sentindo-nos cada vez mais seguros com as nossas escolhas.

Houve particularmente uma escolha que nunca representou qualquer dúvida para mim, o colo. A maior parte das pessoas dizem que muito colo faz mal, que não devemos habituar mal os bebés, que depois só querem colo, que eles têm de se habituar a estar e a adormecer sozinhos… De certeza que toda a gente já ouviu estes comentários ou conselhos alguma vez, eventualmente alguns identificar-se-ão com eles. Eu confesso que sou mais da escola da minha mãe que acredita que não existe o conceito de amor a mais. É algo que não existe, como por exemplo, saudável demais.

Sempre (nestes 3 meses) dei o colo todo que achei necessário à minha filha. Dei-lhe colo para a mimar, ou dei-lhe colo porque chorava ou estava desconfortável e adormeço-a geralmente ao meu colo. Claro que às vezes estou a tomar banho e ela acorda ou começa a choricar, bom, nessa altura, se vir que ela está bem, não se está a engasgar, não tem frio, não corre o risco de cair, pois terá de esperar um pouquinho por mim, vou falando com ela para que ela saiba que eu estou ali, tento despachar-me depressa, mas ela espera por mim, que remédio. Outras vezes tenho de tratar da roupa ou da comida e claro tento conciliar o melhor que posso um bebé agitado e a necessidade real de manter a casa a funcionar, com os restantes ocupantes lavadinhos e não subnutridos… Mas no geral, pego-a ao colo, dou-lhe miminhos quando o faço, falo com ela, tento acalmá-la logo quando está incomodada e a verdade é que ao contrário de todas as previsões que nos fizeram, a minha filha não está mais dependente, nem mais necessitada de colo, claro que criou ritmos e habituou-se a pedir-me colo para adormecer, por exemplo, ou a ficar no meu colinho depois de mamar (e eu então habituei-me a isso num piscar de olhos), mas cada vez mais a consigo deixar no carrinho por períodos de tempo maiores e sinto que ela confia porque sabe que quando ‘me chama’ eu estou lá para ela, e isso reflete-se na sua personalidade calma.

E aquilo que fiz na maternidade não voltaria a fazer com outro bebé, as enfermeira insistiam que eu tinha de pôr a minha filha no bercinho e dormir ‘descansada’. Lutei imenso contra esse meu instinto de a ter colada a mim para satisfazer as opiniões de alguns profissionais até que decidi seguir o meu caminho, deixei de lutar contra opiniões e simplesmente confiei no que sentia. Claro que uma mãe que acaba de ter um bebé não dorme, geralmente, descansada sem ele, mesmo no bercinho ao lado… Nas primeiras horas de vida, nas primeiras noites a mãe precisa de sentir o bebé perto de si para conseguir descansar. E mesmo assim, o descanso será pouco, faz parte. Eu só conseguia dormir com alguma profundidade quando a tinha nos meus braços, junto ao meu peito. E a pouco e pouco o afastamento progressivo foi fazendo sentido e eu fui conseguindo descansar mais e melhor longe dela.

Às vezes perguntam-me, ‘Queres que segure nela para poderes descansar?’, ao que respondo logo, ‘Oh se não me quisesse cansar não tinha tido uma filha…’. Porque este colinho? Tinha de nunca o ter conhecido para conseguir passar sem ele.