Apegos

‘É muito apegada à mãe.’ Hm? Desculpe, não percebi. ‘Parece que só vê a mãe…’ Hm… sim. E felizmente tem 2 braços e duas pernas, só é chata para comer, mas até dá umas noites boas…

Não percebo este comentário, confesso. Sim, hoje estou numa de fazer queixinhas. Como assim, é ‘apegada’ à mãe?! Devia ser o quê? Dizem-me isto desde que ela tem 6 meses, era suposto ser uma maria-vai-com-todas-menos-com-a-mãe? Então era suposto ser um bebé que sorria para todos e para a mãe sorria igual? Era suposto ser-lhe indiferente comer, brincar, passear, adormecer ou estar com a mãe ou com qualquer outra pessoa? Não percebo mesmo esta afirmação. Não percebo o que as pessoas querem dizer com ela nem onde querem chegar. Ou o que esperam que eu diga. Vá lá que as coisas e os afetos sejam partilhados entre mãe e vá… pai. E mesmo assim… desculpem, mas isto da igualdade de direitos sim senhor, mas sem extremismos, pois se os homens são diferentes das mulheres, se cada um tem tarefas diferentes, se ainda há trabalhos onde essa diferença importa, bolas, também me sinto no direito de exigir uma relação diferente com os meus filhos, que eu carrego 9 meses e no fim disso tudo, imagine-se, ainda tenho de os parir! Isso mesmo, e depois são mais uns 9 meses a tentar perder aqueles 20 kg que afinal não eram todos do bebé, e mais o resto da vida a lidar com um corpinho cheio de testemunhos. Os senhores papás não lidam com isto e por isso sim, há uma relação diferente com ambos os progenitores, e nos primeiros meses de vida, a mãe é a mãe. E os bebés, pasme-se, estão ‘apegados’ a ela.

Mas pior que tudo, ocorreu-me, que aquilo que verdadeiramente incomoda as pessoas não é este apegar dos bebés às mães. Mas o facto de as mães estarem inebriadas, embevecidas, enamoradas, loucas, apaixonadas e sim, ‘apegadas’ aos seus bebés.

Percebi isto quando uma amiga me enviou a rubrica de Sofia Anjos em que esta dizia que a sua filha é o seu vício, assim como uma droga. E de repente percebi. Pior do que um bebé que prefere a mãe em vez de preferir outro colo qualquer é uma mãe que só quer estar com o seu bebé. Suspiro. Sofia estou contigo. Esse vício é terrível. Porque esta heroína pede-nos ainda por cima para ser consumida. Não há como resistir-lhe. Eventualmente uma dia atenua. Mas nunca nos vamos livrar daquela tentação de só mais um beijinho, ou uma snifadela, ou vá tocar-lhe… Mesmo quando a heroína já não precisar de nós.

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Truques&dicas

baby_sling

Isto de bebés é assim como os meninos quando vão à casa de banho, cada um com a sua. Significa que quem melhor conhece o bebé será, em princípio, a sua mãe. Quer dizer que cada caso é um caso, até os irmãos podem ser muito diferentes, e como diz a minha mãe, os filhos vão construindo as mães.

Tenho uns quantos truques que aprendi com a minha mãe e o meu irmão- que é 15 anos mais novo que eu- e outros que tenho vindo a desenvolver com a minha filha.

Numa fase inicial os bebés choram com pouca coisa, fome, fralda suja, frio ou calor, dor geralmente associada a cólicas. Claro que há sempre a hipótese de estarem doentinhos, mas excluindo essa hipótese estas costumam ser as suas queixinhas.

Para as cólicas costuma ser um truque muito conhecido passear o bebé de barrinha para baixo assente nos braços de quem o passeia e com a mão a massajar, para aliviar as cólicas. Cá em casa quando ela está mais aflita abrimos a fralda e massajamos a barriga no sentido dos ponteiros do relógio, podem ver dicas aqui, e se necessário ajudávamos com o tubinho do babygel, mas sem o seu conteúdo (ATENÇÃO, foi a nossa pediatra que o aconselhou, falem SEMPRE com o vosso antes de recorrerem a este tipo de soluções). Às vezes a MR está um bocado desconfortável e começo por mexer uma perna de cada vez no sentido da sua barriga terminando fazendo pressão com ambas as pernas. Depois viro-a de barriga para baixo nas minhas pernas deixando as pernas dela penduradas e dou-lhe umas palmadinhas na fralda até adormecer 🙂 Fica super calminha.

Neste momento a MR já faz todas as noites 5 a 7 horas de sono seguidas sem acordar para mamar, mas este ritmo teve de lhe ser sugerido uma vez que o seu interesse em comer era maior que o de dormir… A minha tia sugeriu-me ‘enganar’ a pequenita dando-lhe um bocadinho de água morna no biberão durante a noite casa acordasse. Essa autorização para a enganar acabou por me levar a embalá-la um bocadinho e percebi que se desse a chucha mesmo antes de ela acordar assim ficava mais umas horas 🙂 Não é por acaso que em inglês se chama pacifier.

Já no banho fomos percebendo que o estar na água em modo flutuação a deixava algo nervosa e isso deixava-a a chorar. Para a deixar mais segura basta pôr a mão na sua barriga para que ela se sinta mais aconchegada, mas o que verdadeiramente lhe permitiu começar a apreciar o momento foi estar de barriga para baixo, ainda que apoiada no nosso braço, com os joelhos e mãos assentes na banheira.

Agora que o inverno se aproxima o momento de a deitar na caminha era imediatamente motivo para a acordar. Experimentei aquecer o berço com um saquinho de água quente e realmente resultou. O que ela mais estranhava era a diferença de temperatura do colo para os lençóis fresquinhos. Quando a deitamos encostamo-la sempre a um rolinho, nós usamos um que a minha mãe nos ofereceu, mas podem sempre adquirir um na itsy bitsy, são lindos, tecidos pela mão da Joana Rey, arquiteta de formação, que tive o prazer de conhecer numa parceria com o atelier de arquitetura CASCA, que se dedica agora aos tecidos. Tem vários produtos, desde brinquedos a babetes, malas, muda-fraldas, tudo feito com excelentes acabamentos e um bom gosto indiscutível.

Já quando saímos à rua usamos o sling da Maria Café. É uma excelente forma de passear e transportar o bebé com as mãos livres e sem carrinhos. Para fazer umas comprinhas ali na rua, ou ir ao banco, ou até casa de uma amiga dá muito jeito pô-la lá dentro, ela fica quentinha, protegida, embalada. Parece que vai na barriguinha da mãe e o seu descanso e conforto é visível. Os slings da Maria Café são lindos, feitos com tecidos divertidos e com um ótimo e seguro acabamento. Tem várias medidas, mas nós escolhemos um ajustável para que o pai e a mãe o pudessem utilizar 🙂 Tem ainda a vantagem de facilitar o dar de mamar de uma forma discreta em público. Quando não levo o sling utilizo uma echarpe para fazer o mesmo efeito, nestas coisas confesso que prefiro passar despercebida.

Cada dia, cada semana, cada mês que passa aprendemos um bocadinho mais na experiência direta de lidar com o bebé. Sabe sempre bem poder pôr algumas questões à pediatra, ao médico de família ou mesmo consultar uns sites/ blogs em que podemos confiar. Para além dos links na categoria de ‘bebé’ que consulto esclareço algumas dúvidas na página do sapo, dodot ou johnson’s baby. O importante é levar a coisa com calma, alegria e muito amor que isto de maternidade usa o método empírico e não o das ciências exatas. Ainda com todas estas consultas há sempre espaço para ligar à mãe que sempre que necessário dá o aval final 🙂 e sabe mesmo bem…