(papá)

É uma sedutora. A minha mãe diz que quem diz que ‘as criancinhas são inocentes’ não percebe nada de criancinhas. Dizem-nos todos os psicólogos. E a minha filha brinca aos ‘namorados, primos e casados’ connosco. Com o pai. Olha para mim e começa a respirar ofegante. Ainda quando não dizia ‘mamã’ já me chamava. Toda ela vibrava, estendia braços estava excitada. Quando o pai chegava ria-se. Franzia o sobrolho, encostava a cabecinha. Uma ternura. Uma sedutora.

E agora que já diz mamã, e depois de gozar um bocadinho esse momento, comecei a incentivar o ‘papá’. E disse ‘Diz papá. Diz tu. Pa-pá.’ e ela respondeu ‘(pa-pá)’. ‘Ahhhhhhh!! Zé, Zé, Zé!!! Disse disse, disse papá!! Diz lá outra vez, diz, diz, papá!’ ‘(papá)’, riu-se e escondeu a cara no peito do grande e peludo do pai. Nós rimos saltámos, o Z. emocionado e ela percebendo a excitação ‘(papá)’. Enfim, e isto deu-se mais umas 3 vezes com grande entusiasmo por parte de toda a família. Mas a questão é a entoação. Os parêntesis simulam a surdina em que a minha filha chama o seu pai. Quando me chama é alto e bom som. É simples, aliás, há um objetivo e uma solução. A solução sou eu e tem de ser bem ouvida para resultar. Mas no caso do pai ele não é uma solução. É um meio para um fim. E esse meio é, nem mais nem menos seduzido. E lá sai aquele ‘papá’ em surdina com a cabecinha inclinada. Onde é que ela aprende estas coisas? Garanto que não fui eu que lhas ensinei… Ou será que durante a gravidez ela estava mais atenta do que pensei? Va savoir! De resto minha filha, como te compreendo, eu e tu estamos apaixonadas pelo mesmo homem. Sinal de bom gosto, inequívoco… 🙂 ❤

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sopinhaaa!

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A papa começou há uma semana. Agora vem a sopa. Foi hoje o primeiro dia, ao colo da minha madrinha, cheia de sono porque tinha mal-dormido a sesta da manhã. Tinha as palavras da pediatra na cabeça, ‘Goste ou não goste a sopa tem de comer. Temos pena!’ E eu toda nervosa a pensar que ela não ia devorar sopa uma vez que anda ainda às voltas com a papa, meia taça a meia taça, comecei a preparar só metade da dose para sentir que ela rapava o prato…

Então lá preparei eu a sopa de batata e cenoura com um fiozinho de azeite, sem sal. Preparei tudo com a ajuda da minha inseparável bimby (onde até faço as papinhas dela) e ainda passei a sopa por um coador, receosa de algum niquinho de o que quer que fosse que a engasgasse ou demovesse da sopa. Usei um truque sugerido pela médica e pus batata doce em vez de normal. Sentada ao colo da (minha) madrinha lá lhe pus uma colherinha mínima na boca, para saborear. Com tanta preparação a sopa já ia fria. Fez uma careta terrível. Já tremia, ai, ela não vai gostar, o que vai ser de nós… Lá no alto do céu as nuvens a ficar cinzentas. O seu ar incrédulo fixado em mim ‘É assim? Agora vamos mesmo por este caminho? Já não chegava com a papa, agora sopa? Fria? A sério??’ Eu suspirando, ela também, a minha madrinha ‘insiste lá mais um bocadinho’, e eu mais meia mini-colherinha, e pimba chucha na boca. Engoliu. Passamos do ‘Mas o que é isto’?’ para ‘Porque é que escondeste isto tanto tempo de mim??’ Tinha feito sopa para dois dias. Duas batatas pequenas-médias e uma cenoura grande, água e um fio de azeite. Comeu quase tudo. Eu já não sabia o que fazer. Nem conseguia falar. Será que devo parar? Duas batatas e uma cenoura são quase o tamanho dela! Continuo?? A minha madrinha, ‘Mais um bocadinho, ela dirá quando parar’. E continuei, e ela comeu, e comeu e comeu… qual sopa para dois dias, pouco lá ficou.

No fim olhou para mim com uns olhinhos ternos, a adormecer, meio a dizer ‘Estava a ver que não percebias, amanhã mais do mesmo se faz favor.’ Agarrada à chucha, a cair de cansaço, lá fechou os olhos de exaustão. Amanhã nova dose e eu mãe feliz a transbordar de alegria e descanso com o estomagozinho dela a transbordar de sopa e satisfação 🙂

A minha primeira papa

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Não resisto colocar esta imagem… não é da minha autoria, é da Pixar, do filme ‘Os Incríveis’. Trata-se do Zezé e confesso que é a minha personagem favorita da estória. Hoje quando dei a primeira papa da vida da minha filha de quase 4 meses, lembrei-me imediatamente de uma das primeiras cenas do filme em que a mãe está a dar papa ao Zezé e a fazer imensas caretas enquanto ele come. É hilariante!

Hoje foi a minha vez, fazer caretas enquanto tentava que a caganita comesse a quantidade exata para não se engasgar, mas suficiente para a alimentar, a cada colherada assistindo aquela cara de 3 meses e meio a olhar para mim entre o incrédula e o surpresa. E por isso, só por isso, lembrei-me desta carinha e tinha de a colocar aqui. Porque aquilo que senti foi que a MR olhou para mim como se me perguntasse, ‘Estás mesmo a falar a sério? Queres que eu me alimente dessa coisa [papa] através desse pauzinho [colher] desconfortável?!’

A verdade é que lhe fui enfiando uma meia-mini-colherinha de cada vez enquanto ela ia lambendo o conteúdo sem saber ainda o que lhe fazer, deitando metade para fora e a outra meia-meia-mini-metade para dentro, eu ia abrindo e fechando a minha boca, como se eu mastigar o ar todo que apanhava garantisse à minha filha mais alimento. Lembrei-me de lhe enfiar a chucha depois da colher de papa, a ver se ela engolia mais alguma coisa, a minha mãe a filmar, a madrinha a incentivar, eu mastigava no ar e ela agarrava-se violentamente à minha mão, agarrada à chucha a ver se de lá saía mais papa, se ela fizesse muita força. Para grande espanto da minha filha a papa não vinha da chucha, nem do meu dedo, nem de nenhum lugar conhecido, era-lhe oferecida, insistentemente naquele pauzinho sem que ela soubesse muito bem o que fazer…

Enfim, pauzinho a pauzinho lá comeu meia papa, eu fiquei meia feliz e ela meia satisfeita. Tão exausta que estava daquele esforço e excitação que adormeceu mal meio-acabou o repasto… e eu também teria adormecido se não tivesse que tratar do meu próprio almoço e de tirar o leite da mamada que saltámos. Foi uma sugestão da nossa querida enfermeira S, tirar o leite, congelá-lo e usá-lo numa papa de adicionar leite, depois dos 6 meses. Por agora começámos com a primeira papa, da Nutribén, a conselho da pediatra que, uma vez que a MR está entre o percentil 5 e 10, decidiu avançar com este incentivo a ver se a cachopa dava um saltinho.

Ficamos à espera. E enquanto esperamos vai mais uma colher de papa, um dia de cada vez e na esperança que seja sempre melhor que o anterior. Come a papa MR come a papa…