ba-bá

Quando a minha filha nasceu fiquei a olhar para ela em pânico (depois de todos os choros e entusiasmos gerais) e só consegui pensar ‘E agora, o que é que eu faço?’ Fiquei tão nervosa que cheguei mesmo a fazer a pergunta a uma enfermeira. Ela ficou estupefacta a olhar para mim, ‘Como assim?’ Eu insisti, ‘O que é que eu faço? Como é que ocupo o tempo?’ A enfermeira não percebeu ou não acreditou que eu lhe estava mesmo a perguntar como é que ocupava o meu tempo. Tinha um bebé nos braços que não fazia grande coisa. O que é que era suposto eu fazer? Como é que geria a minha vida com tarefas? Estava verdadeiramente perdida a esse nível. Mas a única coisa que ela conseguiu responder foi lançar-me a pergunta, ‘Então, não foi planeado?’

Bom, talvez seja por essa necessidade que sempre tive, que a minha filha fizesse qualquer coisa, que me levasse a agir, que quando ela ficava simplesmente parada me sentia imediatamente sem saber o que fazer, ‘Ela está parada a olhar para o teto. O que é que eu faço? Fico a olhar para ela? Falo com ela? Olho para o teto também?’. Talvez por isso a partir dos seus 3 meses tenha descoberto os movimentos e não mais parava. Desde essa idade, mesmo no nosso colo, parecia uma enguia. Mexia-se, esperneava, encostava-se, atirava-se, repetia tudo e não parava… O meu desejo tinha sido concedido, aparentemente, ela já não ficava ali, ficava em todo o lado… Se calhar se chorasse sem parar não pensava estas coisas… Provavelmente nem me conseguiria ouvir pensar…

E sei que há quem adore recém-nascidos e não entende este meu desespero, mas confesso que recém-nascidos só gosto dos meus. Eu explico, é que pelo menos posso amar o meu bebé. Os bebés dos outros nem por isso. E realmente acho que não sobra mais graça nenhuma aos recém-nascidos. Claro que gosto deles, mas no geral não têm interesse. Não falam, não brincam, pouco reagem, são frágeis, não se percebe o que têm, têm cólicas, não nos entendem, enfim… É uma dor de alma.

E parece que à medida que ela foi crescendo eu fui progressivamente ficando mais calma (e a desejar que ela fique mais calma também) e mais entusiasmada. Ora porque já sorria, ou já fazia cu-cu, ou porque agarra coisas, ou porque morde, ou porque já tem dentes, enfim. E realmente agora já faz imensas gracinhas, quase gatinha, dá passinhos agarrada pela nossa mão, dá beijinhos (só à mãe ❤ ), ri-se, faz adeus, esconde-se… Só não abre a boca para falar… Quer dizer, diz umas coisas. Mas não posso considerar fala. É uma linguagem bastante engraçada mas que ainda não se qualifica nas palavras de português. Quando cantamos, por exemplo, gosta imenso de dizer ‘(Também quero cant)aaaaaaaa-aaaaa-aaaaaaaaa-aaaaaaaa(r)!’ Mas claro que só ouvmos a parte dos ‘a’s.

Outra coisa que diz é ba-bá. Nem mamã, nem papá, nem papa. Ba-bá. E eu sinceramente acho que isto é uma forma de dizer os 3, já que somos as 3 coisas favoritas da minha filha. Ou então é a forma diplomata de não deixar nenhum de nós triste, nem eu, nem o pai, nem a papa, por não termos sido os eleitos à primeira palavra, diz uma que não se pode atribuir a nada com certeza.

Falei com a pediatra sobre isto que achou muito normal e sugeriu que não me preocupasse. Também sugeriu que crianças muito físicas desenvolviam mais tarde a parte da linguagem e vice-versa. Confirma-se comigo, já que aos 6 meses já dizia mamã, mas só aos 18 meses é que andei.

Mas olha querida filha, já falei com o pai, que também não se importa, achamos todos, a papa também, que depois dos 8 meses que te carreguei e as 15 horas de trabalho de parto, eu mereço que digas ‘mamã’ antes das outras duas. Portanto deixa lá a diplomacia e venha daí aquela palavrinha tão desejada, sim? Com muito amor, a tua maa-maaaã.

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Não estar só

É verdade. Toda a gente diz tanta coisa. Toda a gente acha que encontrou a fórmula para a melhor forma de fazer. E eu também acho que sei e que sei a melhor forma. Mas às vezes também tenho dúvidas. E todas as mulheres que sentem essas dúvidas procuram ajuda, querem opiniões e às vezes essas opiniões deixam-nas baralhadas. Outras vezes não procuram opiniões mas toda a gente teima em comentar o que fazem, como fazem, se concordam se não concordam e por fim parece haver uma infindável gama de literatura sobre todos os assuntos e métodos. Claro que os mais frequentes são o evitar colo, não o habitue mal, dê-lhe limites, diga que não, e nós lemos vamos ficando com um nozinho na garganta e ou aceitamos que estamos contra o mundo ou aderimos a esta conversa errada (é a minha opinião).

Sou da escola da minha mãe, acho que não existe mimo nem amor a mais. É, digamos, uma coisa impossível. Mas tantas nuances há à volta de opiniões que se partilham, tanto se diz que contraria o instinto das mães, e tantos dias há que me sinto sozinha nos meus métodos e que parece que nem o meu marido os compreende que sabe bem descobrir uma pérola que nos apoia. Meso que seja num texto ou num livro.

A Marta Duarte, do blogue Passinho a Passinho, partilhou este homem, este senhor. Li, reli e recomendei a vários membros da família e futuros pais. Vale a pena ler, vale a pena perceber. E como diz a Marta, ‘Só gostava de o ter descoberto quando os meus filhos eram bebés!! Teria feito tudo igual, mas com menos angústia…’ Obrigada querida Marta, adorei 🙂