(papá)

É uma sedutora. A minha mãe diz que quem diz que ‘as criancinhas são inocentes’ não percebe nada de criancinhas. Dizem-nos todos os psicólogos. E a minha filha brinca aos ‘namorados, primos e casados’ connosco. Com o pai. Olha para mim e começa a respirar ofegante. Ainda quando não dizia ‘mamã’ já me chamava. Toda ela vibrava, estendia braços estava excitada. Quando o pai chegava ria-se. Franzia o sobrolho, encostava a cabecinha. Uma ternura. Uma sedutora.

E agora que já diz mamã, e depois de gozar um bocadinho esse momento, comecei a incentivar o ‘papá’. E disse ‘Diz papá. Diz tu. Pa-pá.’ e ela respondeu ‘(pa-pá)’. ‘Ahhhhhhh!! Zé, Zé, Zé!!! Disse disse, disse papá!! Diz lá outra vez, diz, diz, papá!’ ‘(papá)’, riu-se e escondeu a cara no peito do grande e peludo do pai. Nós rimos saltámos, o Z. emocionado e ela percebendo a excitação ‘(papá)’. Enfim, e isto deu-se mais umas 3 vezes com grande entusiasmo por parte de toda a família. Mas a questão é a entoação. Os parêntesis simulam a surdina em que a minha filha chama o seu pai. Quando me chama é alto e bom som. É simples, aliás, há um objetivo e uma solução. A solução sou eu e tem de ser bem ouvida para resultar. Mas no caso do pai ele não é uma solução. É um meio para um fim. E esse meio é, nem mais nem menos seduzido. E lá sai aquele ‘papá’ em surdina com a cabecinha inclinada. Onde é que ela aprende estas coisas? Garanto que não fui eu que lhas ensinei… Ou será que durante a gravidez ela estava mais atenta do que pensei? Va savoir! De resto minha filha, como te compreendo, eu e tu estamos apaixonadas pelo mesmo homem. Sinal de bom gosto, inequívoco… 🙂 ❤