Aproveitamento Gourmet

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Se há coisa que adoro é o facto de conseguir abrir a despensa e desencantar um jantar cheio de graça com o que houver. Mesmo. E parece que quanto menos coisas há e maior se torna o desafio mais entusiasmada fico em vencê-lo.

No outro dia tinha pouco tempo para fazer o jantar antes do banho da caganita e queria fugir do ‘arroz com bife’, primeiro porque não tinha bife, nem peixe- o grande desafio, e depois porque desde o nascimento da MR que só consigo ver programas genéricos na tv sem correr o risco de desatar a chorar. E por genéricos fico-me pelos programas gastronómicos, os únicos onde não há sempre alguém cheio de sentimentos (como diz o Ricardo Araújo Pereira) a sentir montes de coisas, ou alguém com uma doença terrível e por isso, mesmo nos canais de história e de natureza fico sempre a pensar que aquela população era uma comunidade que ficou destroçada ou uma gazela que tinha família… bahhh… como disse, programas de comida, gente a cozinhar, é a única coisa que consigo ver agora sem me angustiar. E como dizia atrás, tinha visto um desses programas em que toda a gente comia coisas maravilhosas e apetecia-me ‘algo’. E por ‘algo’ refiro-me a um prato de comida mais nutritivo que um Ferrero Rocher.

Então basicamente tinha massa, batatas, legumes congelados, cebola, ervilhas, pão a precisar de ser consumido e ovos. Também tinha leite condensado, leite, iogurtes, açúcar, cereais, farinha e café (para não pensarem que a minha despensa estava assim tão mal). Mas vou só contar com aquilo que fazia sentido para uma refeição de almoço/ jantar.

Concentrei-me então num hidrato de carbono, o pão, que tinha mesmo de ser consumido, afiambrei-me  aos legumes, escolhi os ovos como proteína (que remédio) e vamos lá disto!

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Ingredientes,

.1 pão de mistura (formato papo-seco)

.1 cebola

.1 tigela de legumes congelados

.2 batatas médias

.1 tigela de ervilhas

.2 ovos

.azeite, sal, alho e orégãos q.b.

.manteiga e nós-moscada q.b.

Preparação,

Começar a cozer a batata descascada com as ervilhas numa panela com metade da sua capacidade cheia de água e um pouco de sal. Numa frigideira coloca-se um fio de azeite, alho picado ou em pó, sal e orégãos (é a minha base para saltear o que quer que seja). Deita-se a cebola grosseiramente cortada. Cortar o pão em 4, primeiro em 2 metades como se preparássemos uma sande e depois cada uma dessas metades em 2. Em dois pratos (fiz a receita para dois) colocar 2 quartos do pão (deixar em cada prato uma parte de cima e uma de baixo do papo-seco). Retirar a cebola e colocar nos pratos por cima de um dos quartos do pão. Na mesma frigideira colocar os legumes (já descongelados, se necessário levar uns minutos ao micro-ondas na potência máxima), repor sal, azeite, alho e/ou orégãos se necessário, e salteá-los até estarem tenros. Deitá-los sobre a camada de cebola, já nos pratos. Entretanto despejar a água de cozer as batatas e ervilhas, reservar uma parte numa tigela,deitar uma colher de chá de manteiga magra, uma pitada de nós moscada no preparado e esmagar tudo com um esmagador. Colocar este puré sobre os legumes já nos pratos. Na frigideira dos legumes deitar a água das batatas e estrelar lá os ovos, um de cada vez 🙂 Colocar o ovo sobre o quarto de pão que estava no prato à espera de alguma coisa. Servir logo e ouvir os elogios, ‘Xii, espetacular, que prato giro, e inventado por ti, fazes tanto com tão pouco, és o máximo!’ e tal… Claro que quem tiver a despensa mais farta pode acrescentar um fiambrinho, queijo, azeitonas, hamburguer, vale tudo…

*

Entretanto sobrou bastante do puré de batatas com ervilhas e por isso ontem cozi umas postas de peixe para acompanhar o preparado. No entanto resolvi dar-lhe uma nova vida por isso fiz umas bolachas com o puré, envolvi bem em pão ralado e levei-as ao forno a 180º. depois de tostarem um pouquinho viro-as do outro lado para ficarem uniformes. Uns 15 minutos são suficientes e ficaram mesmo boas! Nem sabia bem o que ia sair dali, confesso, mas ficaram super crocantes por fora e fofinhas por dentro 🙂 Tão bom! Quando servi reguei peixe e bolachinhas com um fiozinho de azeite, nham!

Para hoje nem dá tempo para nada, o Z compra frango assado e eu preparo a salada. Para ser ligeiro nem acompanhamos com mais nada, só frango e salada, mas para que não seja um prato aborrecido deitei uma romã na salada. Dá-lhe um toque de cor e frescura e é a vida que falta ao frango que já não tem surpresa nenhuma. E assim saímos deste regime de legumes e peixe e entramos outra vez no vício da carne 🙂

Bom proveito 🙂

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Sobras de cortinados

berço_MR

O que fazer com sobras de tecidos? Quando mudámos para esta casa colocámos 3 pares de cortinados na sala. No acerto da altura dos ditos sobraram 6 rectângulos de 50 x 145 cm que ficaram na gavetinha à espera de dias mais iluminados (em ideias).

Há coisas que não nos lembramos de fazer com antecedência ou a tempo do início das festividades, simplesmente nos lembramos numa altura qualquer que pode ainda valer a pena ou não. Quando estava grávida os meus pais e avós decidiram oferecer-nos o carrinho do bebé, os meus sogros oferecerm-nos o bercinho. Para o carrinho pedi então que tivesse os 3 componentes necessários aos primeiros meses de vida, a alcofa, o ovo (cadeirinha para acoplar ao automóvel) e a cadeirinha de passeio. Decidimos que nos primeiros meses a MR iria dormir no nosso quarto na dita alcofinha e não no berço que ocupava muito mais espaço e por isso está à sua espera no quartinho da bebé.

No alto dos meus 19 kg aumentados durante a gravidez, a tentar sobreviver à sensação de 50º com que Julho nos abençoou, inchada, com dificuldade nos movimentos, não consegui lembrar-me de nada que tivesse a ver com tornar a alcofinha sofisticada e high-tech do carrinho brutal em em algo mais mimoso e romântico para a bebé que aí vinha. O carrinho que nos ofereceram é mesmo de uma beleza e sofisticação por demais, vencedor de vários prémios de design e segurança, em pele, já dá para 2 (andamos a pensar no próximo, mas sem pressas…), prático e inteligente, só falta falar. Mas a verdade é que às vezes para proteger os sonhos de um bebé fazem falta umas rendinhas, um tecido quentidinho, uma colcha feita à mão, com amor, especialmente para a menina ou o menino. Enquanto o calor apertou limitei-me a colocar um lençolinho por baixo e outro por cima que a minha sogra cortou e coseu para a MR, mas com a entrada do frio os pormenores metálicos da alcofa começaram a gelar as mãozinhas da minha menina de noite, e o ar despido da peça parecia torná-la ainda mais fria.

Foi então que encontrei na gaveta dos tecidos as sobras dos cortinados! Têm um tom beje-creme, suave, perfeito para aquilo a que se destina. Comprei uns metros de renda e comecei o trabalho.

 *

1. 2 retângulos 5o x 145 cm + renda 3 metros;

2. cortei os rectângulos no comprimento até terem a medida necessária para envolver a alcofa (medi diretamente), fiz bainhas, cosi-os deixando 2 buracos para entrar o apoio do tapa-sol do carro e apliquei a renda;

3. coloquei a cinta virada do avesso na alcofa e dobrei apenas metade desta para fora, forrando a pequena caminha;

4. coloquei o colchãozinho por cima, com a renda que sobrou ainda a apliquei num leçol e fiz a caminha 🙂

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Uma ternura mesmo, só vos digo. Só pensava, ‘Mas porque é que não fiz isto antes?’ Enfim, acredito que tenha a sua razão de ser. Ficou o máximo, como podem ver. O coelhinho é o guardador de sonhos da caganita e foi uma oferta da avó M. Os leçóis são da avó R e a mantinha de lã tecida pela tia D. Delicioso…

Sobras compotas

sobras compotas

Como já tinha dito aqui, adoro fazer compotas. Não costumo acrescentar muito açúcar porque uso fruta já madura, e também não deixo cozer muito para conservar ao máximo as propriedades da fruta, então as compotas acabam por durar pouco tempo. Por isso depois de ter encharcado umas quantas vezes umas tostinhas com compota deliciosa, às vezes ainda fico com bastante compota no frasco e há que as aproveitar antes que se estraguem.

Ontem recebi uns amigos muitos especiais com quem trabalhei no seu atelier. São uma grande família mesmo amorosa e levam a cabo um projeto de arquitetura muito interessante e no qual tive o prazer de participar. Decidi fazer uma tarte tipo Strudel com compota.

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Ingredientes,

.1 pera madura

.1 maçã madura

.1 base tarte massa folhada

.restos de compota (meio frasco pelo menos)

.1 colher de sopa de açúcar

.1 mão cheia de amêndoas com pele

.Umas gotinhas de limão

Preparação,

Neste caso comprei massa folhada para ser mais prático, foi só abri-la com a proteção de papel vegetal no tabuleiro de ir ao forno e ficou mesmo assim. Barra-se a massa com uma camada fina de compota, para que ao enrolar tenhamos compota em toda a massa, e em polvilha-se 1 colher de sopa de açúcar por cima disto. Ligeiramente descentrado, relativamente à circunferência da massa, coloca-se a pêra e a maçã cortadas aos cubinhos pequenos e com casca (muito bem lavadas), formando um corredor. Espremer umas gotinhas de limão por cima da fruta para evitar que oxide demasiado. Deitam-se as amêndoas por cima uniformemente e despeja-se a compota por cima disto tudo.

Para fechar a tarte eu costumo simplesmente dobrar primeiro as pontas ao fim do corredor onde dispusemos os ingredientes, depois dobro a aba mais pequena da massa por cima disto e por fim a aba maior, dando a volta ao Strudel com muito cuidado para terminar de enrolar a massa.

Leva-se ao forno a 180º com calor em baixo e em cima até a massa folhada inchar um pouquinho e ficar bem tostadinha 🙂

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Podem usar uma compota de qualquer sabor porque a pêra e a maçã funcionam como uma base de fruta neutra. A compota que eu usei foi de ameixa e pêssego.

É uma delícia relativamente saudável muito rápida e prática de fazer (isso para mim é tão importante). Fica deliciosa, todos gostam e pedem para repetir 🙂

Bom proveito!