O valor do dinheiro

maos trabalhador

Um menino vivia na África do Sul com os pais que trabalhavam para juntar dinheiro e regressar ao seu país. Como todos os meninos gostava de brinquedos. Um dia viu um brinquedo e pediu à mãe que o comprasse. Esta respondeu-lhe que não poderia ser, que era demasiado caro e não havia dinheiro. E o menino retorquiu que eram apenas 2 rands, não era caro. No entanto os seus argumentos pareciam não ter demovido a mãe da sua decisão e foram os dois para casa, com o rapaz claramente zangado. Quando o pai chegou a casa encontrou-o mal-humorado, perguntou-lhe a razão e ouviu as suas queixinhas… ‘Eram só 2 rands’, dizia.

-Sim, mas quanto é que isso vale?

-2 rands é pouco!

-Sabes qual é o valor do dinheiro?

-Não.

E mostrou-lhe as suas mãos grandes, fortes, cansadas do seu trabalho de torneiro mecânico, sujas do óleo que não sai na lavagem, as duas, uma ao lado da outra, e disse-lhe,

-Este é o valor do dinheiro.

O menino ficou calado a olhar para as mãos do pai. Não voltou a pedir esse nem outros brinquedos e seguramente entendeu o valor do dinheiro.

Esta estória aconteceu há uns 30 anos, o menino é o meu cunhado e os pais os meus sogros. Num mundo onde o consumismo parece ser a regra “que [rege] pedras e gentes” (Fernando Pessoa) é bom ouvir alguém que tentou mostrar com afeto o valor dos objetos comprados mostrando a importância do trabalho. Numa sociedade cada vez mais exigente dos seus direitos mas que parece muitas vezes ter esquecido os seus deveres lembrei-me desta estória. Talvez faltasse a alguns jovens do momento desta aclamada ‘geração à rasca’ esse entendimento do valor do dinheiro, do valor do trabalho. O meu marido que cresceu nestas (boas) ideologias sai de casa 1 hora mais cedo em dias de greve. Tive colegas de trabalho que diziam que por causa da greve chegariam 1 hora mais tarde ao trabalho. São modos diferentes de pensar.

Quando me casei disse várias vezes que ganhei mais que um marido, ganhei amigos muito especiais, ganhei uma família maravilhosa. O meu sogro é um contador de estórias nato e até gosta de escrever uns contos de vez em quando. É para mim um orgulho pertencer a esta família, a estas estórias, a estas pessoas.